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terça-feira, 20 de setembro de 2016

BASS MIDI SYSTEM

A EVOLUÇÃO DO SISTEMA MIDI PARA CONTRABAIXOS ELÉTRICOS
por Jorge Pescara

Existem duas maneiras de se obter controle MIDI em contrabaixos elétricos. O primeiro é chamado de pitch-to-MIDI, que começa com a vibração das cordas em um baixo padrão. Este sinal é recebido pelo pickup e enviado ao dispositivo de interface, onde o sinal é, então, analisado, digitalizado e convertido em dígitos binários. A parte digital é agora uma informação MIDI (Musical Instrument Digital Interface), que é repassado para um módulo gerador de timbres que o reconhece e o sintetiza em som audível. Este novo som é correspondente ao pitch e volume da vibração original da corda, mas também pode ser: keys, dynamics range, etc. Esta descrição serve para os modelos da Roland (G33B, G77B e GK2 MIDI pickup), além da Yamaha (B1-D) e Axon AX-100 Blue Chip.
No passado tivemos alguns modelos que por possuírem atraso muito significativo de sinal já não estão entre nós, como o Oncor Touch Digital Bass BGS4000 no final dos anos 70. Instrumento que dispunha de um synth circuit, touch sensitive frets, touch pads (teclas ao invés de cordas), touch sensitive pitch bender, circuito onboard, além de ajustes de filter, cut off, frequency, volume, 2 LFOs (Low Frequency Oscilators) para vibrato e parâmetros de envelope como attack, decay e sustain. Outro ancião foi o Zeta BC440 Bass Controller, que transmitia as informações MIDI em canais individuais e possuía afinador, teclas para endereçar as informações de bend independente por corda, velocity mode, modulation wheel, peak, track, etc. Hoje em dia temos os modernos Ztarr ZBass
que apesar de não possuir sons internos, somente disparando informações MIDI, não requerem cordas, apenas teclas e são excelentes controladores de sons. Vejamos alguns exemplos de ficha técnica dos contrabaixos e dispositivos MIDI existentes no mercado.


ROLAND G33BASS & GR 33B
modelo: Solibody Electric Bass synth controller
Corpo: Ash
Acabamento: Acrílico
Braço: Maple
Espelho/Escala: Rosewood
Trastes: 21 jumbo
Capostraste: Polycarbonato
Tarraxas: Gotoh
Ponte: Roland (ajustável)
Pickup magnético: Single coil Roland
Controles: Master volume, pickup balance, guitar tone, synth/guitar balance, cutoff, edit, LFO, modulation intensity, 3-position mode selector, two modulation touch plates on quad pickup.
Extensão total da escala: 34¨
Tensor: ajustável no corpo
Peso: 9lbs


ROLAND G77BASS & GR77B
Modelo: Solibody Electric Bass synth controller com stabilizer bar
Corpo: Alder
Acabamento: Acrílico
Braço: Maple
Espelho/Escala: Rosewood
Trastes: 21 jumbo
Capostraste: Polycarbonato
Tarraxas: Gotoh
Ponte: Roland (ajustável)
Pickups magnéticos: 2 Single coil Roland
Controles: Master volume, pickup balance, guitar tone, synth/guitar balance, cutoff, edit, LFO, modulation intensity, 3-position mode selector, two modulation touch plates on quad pickup.
Extensão total da escala: 34¨
Tensor: ajustável no corpo
Peso: 9lbs

VALLEY ARTS MB4 MIDI BASS SYSTEM
modelo: MIDI Bass controller
Corpo: Ash
Acabamento: Acrílico
Braço: Maple
Espelho/Escala: Rosewood
Trastes: 21 jumbo
Tarraxas: Gotoh
Pickup magnético: EMG P
Pickups MIDI: dois sistemas entrelaçados 1) Sensores de pitch FretWire; 2) Um transducer para cada corda próximo à ponte.
Controles: Attack Sensitivity, Velocity, 3-position Finger-Style Switch, On/Off Switch for Velocity Sensitivity, 3-position Octave Switch, 2-position for Poly or Mono mode.
Extensão total da escala: 34¨
Tensor: ajustável no corpo
Peso: 9lbs
MB4 Módulo: MIDI out, 600Ohm line audio out, inputs for modulation pedal, sustain hold pedal, patch selector pedal, external power supply.

PEAVEY MIDIBASE
modelo: MIDI Bass synth controller com rackmount interface
Corpo: Poplar
Acabamento: Acrílico
Braço: duas partes em Maple parafusado
Espelho/Escala: Rosewood com Lexan Overlay
Trastes: 21 jumbo
Capostraste: Graphlon
Tarraxas: Peavey enclosed
Ponte: Peavey com MIDI pickups embutidos
Pickup magnético: dois Peaveys humbucking active soapbars + quatro Peaveys MIDI pickups (uma para cada corda)
Controles: Magnetic pickup volume, Blend, Tone, MIDI volume, Program switch.
Extensão total da escala: 34¨
Tensor: ajustável no headstock
Peso: 9lbs, 4oz.



YAMAHA B1D & G50 MIDI
G50 Guitar Midi Converter Interfaces para contrabaixos de 4, 5 ou mesmo 6 cordas
Bass Guitar Spacing: 4str 17-20mm; 5str 18-20mm; 6str 18-19mm
Dimensões do Pickup B1-D: 152.8x11.0x7.3mm
Peso do Pickup: 78g
O B1-D deve ser ligado diretamente ao G50 MIDI converter.





ROLAND VBASS & ROLAND GK-2B
Construído em uma resistente base de metal e um belo acabamento em cor grafite-gelo, o Virtual-Bass possui quatro footswitchs para acessar os 160 presets, além dos 100 user presets que salvam as configurações do usuário, dois foots up & down para subir e descer entre os banks de programas, um foot control e um expression pedal (tipo pedal de volume) para comandar os efeitos em real time. O V-Bass comporta dois jacks de saída (um XLR/Canon e um ¼¨/P10)para ligar o processador ao console do estúdio de gravação ou mandada de P.A., por um lado, e para o amplificador de contrabaixo ou power amp, por outro. Dois inputs diferentes sendo um DIN 13 pinos da Roland para receber o pickup GK-2B e o outro input um P10. O input 13 pinos permite ao usuário ter acesso a todas as funções do aparelho, tais como efeitos polifônicos e o COSM Bass technology. A entrada P10 pode ser usada com um cabo comum de guitarra servindo apenas para as sessões Bass Amp Modeling e Effects. Nesta última sessão o V-Bass comporta a maioria dos efeitos prioritários aos baixistas: Wah, Distortion, Compression, Delay, Chorus, Reverb, Synth Bass sounds, Polyphonic effects e Wild sound effects. Pode-se selecionar, através de um comando simples, se o instrumento for de 4, 5 ou 6 cordas. Um enorme display digital indica as páginas e locais a serem comandados. Um total de 25 botões e mais um dial giratório operam a máquina. Uma poderosíssima ferramenta timbrística que, bem utilizada, proporciona infindáveis possibilidades. O que o V-Bass faz, e muito bem, é controlar e converter o sinal analógico do contrabaixo em digital para, com isto, comandar sons sintetizados, efeitos polifônicos, disparar timbres sampleados diversos e modelar o timbre original do instrumento, para recriar, ou melhor emular a sonoridade de vários tipos de contrabaixos conhecidos, tais como Fender, Yamaha, Warwick, Wall, Pedulla, Ernie Ball, G&L além de outros baixos elétricos, acústicos, baixolões, fretless, nylon strings, tipos e modelos de microfone (Condenser, Telefunken, Beyer, etc) e pickup magnéticos ou piezoelétrico (Bartolini, EMG, Seymor Duncan, Schaller, etc humbucking, precision, jazz bass, soap bar, etc), amplificadores valvulados ou transistorizados das grifes Hartke System, Gallien-Krueger, Trace Elliott, EBS, Fender, Acoustic360, Ampeg, SWR, Hughes & Kettner e outros. Pode-se, inclusive, indicar ao aparelho, a localização virtual dos pickups.
Muito semelhante aos pickups anteriores de guitarra MIDI da Roland, o GK2-B é composto por uma barra plástica com pequenos ímãs espaçados em seis locais, para acomodar baixos de até 6 cordas. Um fio posicionado estrategicamente no centro do mesmo, leva o sinal até uma pequena caixa transmissora que, por sua vez, emite os sinais para o controlador ou conversor MIDI, através de um cabo próprio composto por um plug DIN de 13 pinos. Nesta caixa existem controles para acessar banks e presets, além de controlar o volume do sinal original analógico e do digital. Um jack de saída analógica pode somar os dois sinais. Este dispositivo é importante se o músico quer aproveitar tudo o que o V-Bass tem a oferecer, ou seja, infindáveis possibilidades polifônicas: um timbre para cada corda, um efeito diferente para cada nota, uma afinação alternativa em pleno vôo, etc.

MIDI BASS SETUP DOS FAMOSOS
O set up de Bunny Brunel consiste de baixos Gibson de 4 ou 5 cordas desenvolvidos por Roger Giffen. Estes baixos possuem pontes em piezoelétrico construídas por Rick Turner (ex-Alembic), saídas individuais para cada corda, com um micro mix, ou seja, cada corda tem seu potenciômetro de panorâmico, resultando em uma saída estéreo real de dois canais. Em adição, um sistema elétrico através de preamp onboard criado por Bob Wolstein, da Wolstein Labs California, e uma saída direta para cada corda, usada em gravações. O conversor é um Max pitch-to-MIDI interface. Este sinal, já convertido, vai para quatro módulos sintetizadores: Yamaha TX816, Korg M1, Kurzweil PX1000 e Oberheim Matrix 1000. O sinal MIDI é, então, mixado ao som original do preamp e adicionado aos efeitos do Yamaha SPX90 e do Korg A1. Finalmente, tudo isto desemboca em um stack system PB900 amp da Carvin.

O set up de Brian Bromberg começa com baixos Robert Mick Guitars Piccolo com pickups
Photon/Bartolini e ponte Kahler Whammy Bar (alavanca). Este sistema de captação funciona através de emissão de infra-vermelho (portanto os pickups Lightwave, que também funcionam da mesma maneira, já haviam sido antecipados em 1986 pela Photon e em 1992 pela AudioOptics QED). Bromberg possui, ainda, um baixo Robert Mick piccolo com pickups Roland Quad synthcontroller e um Peavey CyberBass. A conversão do sinal MIDI é feita através de um Gibson Labs Max system ou um GR700 guitar synthesizer, que enviam o sinal para os módulos Peavey V3 Tone generator, Oberheim Matrix 1000 analog synth module, Oberheim Matrix 1000 e Yamaha TX816. O sinal MIDI vai para um Roland M16E mixer e é, finalmente, enviado para um extenso sistema de amplificação da Peavey.

O sistema MIDI de Alain Caron (que já usou um GR77 MIDI Bass), conta hoje em dia com um baixo F Bass de 6 cordas fretless com pickup GK1 adaptado e um baixo Michel Fournelle piccolo de 5
cordas com sistema piezoelétrico RMC na ponte. Um ancião Roland GM70 funciona como conversor MIDI para o 6 cordas, enquanto um GR50 controla o piccolo de 5 cordas. Estes enviam os sinais para os módulos sintetizadores Korg Wavestation, Roland D50, Roland S330 e Roland S550 sampler, indo depois para um patchbay MIDI Akai ME30-PII programável (contendo 7 entradas e 6 saídas) e finalmente os multiefeitos Korg, Peavey, DigiTech 128plus, Boss compressor/limiter minirack, e um Scholz Rockman específico para solos no piccolo. Os programas MIDI são controlados através de um Roland FC-100 foot controller, enquanto os acordes são trigados e endereçados em um MIDI step keyboard foot controller. Toda esta verdadeira parafernália eletrônica passa por um sistema SWR com duas caixas full range 18¨+10¨+horn.

usuários:
Bunny Brunel (Chick Corea), Phil Lesh (Grateful Dead's), Alain Caron (Uzeb), Brian Bromberg (Solo)



KYMA
A exótica sonoridade MIDI de John Paul Jonesnos álbuns Zooma e Thunderthief

John Paul Jones (www.john-paul-jones.com) não é um contrabaixista como qualquer outro. A começar pela banda que representou décadas atrás: Led Zeppelin! Nascido em Sincup, Kent, Inglaterra em 3 de Janeiro de 1946 John Baldwin (seu verdadeiro nome) iniciou uma vitoriosa carreira como músico de estúdio gravando baixos, teclados, pedal steel, arranjando e produzindo álbuns antes de aceitar um convite de Jimmy Page para formar o Zep. Foram pouco mais de onze anos comandando o baixo e os teclados do grupo, com um número equivalente de discos (Led Zeppelin I, II, III, IV, House of the Holy, Presence, Physical Graffiti, The Song Remain the Same, In Through the Out Door e o último Coda, todos pela Atlantic records). Na virada do século, após algumas participações em discos de outros artistas tais como: Peter Gabriel “So”, Paul McCartney “Back to the Egg”, “Give My Regards to Broad Street”, e Diamanda Galás “The Sporting Life”, John resolveu voltar aos palcos comandando sua própria banda. Na verdade um trio instrumental composto pelo próprio JPJ nos vários baixos, bass pedal steel double neck, mandola, órgão Hammond além de comandar os efeitos em real time; Geoff Dugmore na bateria e Nick Beggs (ex-Kagagoogo) no StickBass e StickMIDI. Interessante composição de palco deste inusitado trio. Quando John está no baixo, Nick faz a harmonia, melodia e solos guitarrísticos com seus Stick stereo MIDI usando patches sintetizados diversos, porém quando JPJ está solando, ou mesmo executando outros instrumentos como Hammond, Lap Pedal Steel Bass e Mandola, Nick assume o papel do groove de contrabaixo com a mão esquerda nas cordas graves, mantendo a direita na harmonia ou solos tudo com a técnica de tapping. No final de 1999 era lançado o Cd instrumental Zooma de John Paul Jones (distribuído no Brasil através da Voiceprint www.voiceprint.com.br), gravado e mixado em seu super estúdio particular “Malthouse”, por ele próprio e seu engenheiro de áudio Richard Evans, fato que pode se tornar um marco na concepção sonora de gravação para contrabaixo na atualidade.

O BASS SETUP DE JPJ
O set up atual de Mr. JPJ, para seus shows solo, é composto basicamente de um par de amplificadores SWR SM-900 dirigindo duas caixas SWR Big Ben 1x18¨, e um par de SWR Goliath 4x10¨, para os graves e médios sendo que o captador de agudo de seus baixos Manson são amplificados (e distorcidos) por um Soldano Decatone guitar amp que também suporta um TC Electronic G-Force para efeitos diversos. Completam o quadro os seguintes instrumentos: Manson doubleneck lap steel bass, Manson tripleneck nylon guitar/baritone nylon guitar/mandola, Manson Mandola Bass (G D A E, do grave ao agudo!), Manson electroacústico (baixolão) 8 cordas (duplas EE AA DD GG), e os baixos Manson 4 cordas, 8 cordas (duplas BB EE AA DD), 10 cordas (EE AA DD GG CC), 12 cordas (BB EE AA DD GG CC), todos com saídas independentes stereo para captadores e circuitos EMG e sistemas de Leds Sims, tudo interligado por cabos MITRipcords e MIT Gas Terminator nas caixas acústicas. Porém o que mais chama a atenção nos palcos por onde o trio de John Paul Jones passa e, principalmente, para quem ouve o Cd é o sistema completo de edição, gravação, síntese, sampling, efeitos e adereços, de um programa de computador chamado Kyma.
Bem, não existem tantos overdubs, assim, como você possa pensar (no Cd Zooma). Eu gravei a maioria das faixas com os baixos Manson, que funcionam em estéreo real. Posso, com isso, enviar o sinal do captador da ponte através de um amp de guitarra e adicionar algum processador, deixando o pickup do braço para um som direto e verdadeiro de contrabaixo. Por exemplo, na faixa título, Zooma, a parte de bridge da canção foi gravada somente com o captador da ponte do contrabaixo processado através de um patch do TC Electronic G Force. Isto tudo pode ser reproduzido ao vivo. Não existe a necessidade de uma guitarra extra. Embora tudo soe como se houvesse uma. (risos). Prefiro não ter guitarras mais no palco, desculpe Jim (Page)! (risos) Além disso, como uso muito um baixo de 10 cordas, na verdade um 5 cordas duplas em agudos, a sonoridade final é mais como se quatro pessoas estivessem tocando juntas. Entretanto fiz uma pequena dobra com o electric mandolin somente para puxar um pouco mais o bit de uma ou de outra canção. Todos os outros sons do disco vieram do sistema Kyma, que eu levei na tour inteira. O Kyma é um programa software que pode manipular qualquer som. Ele recebe o sinal de áudio do baixo (ou qualquer instrumento, voz, sinal MIDI, etc) e reage a isto ou processa o sinal. Por exemplo, você pode acionar uma nota e triggar com algum outro som. Este programa tem uma arquitetura flexível e assim, eu consigo a sonoridade que quiser com ele. Na faixa Goose, aparece um baixo fantasma na segunda exposição do tema e parece que este segundo baixo está tocando uma harmonia, mas não é nada disto! O que aconteceu ali foi que o sistema Kyma ouviu o sinal do meu baixo, fez uma análise de freqüência e depois re-sintetizou-o tocando de volta com certos parâmetros restritos. Isto eu, também posso realizar ao vivo. Eu posso usar o programa para criar sons que eu ouço em minha cabeça, mas algumas vezes, no final podem acontecer felizes acidentes sonoros, se você estiver pronto para captar e gravar este bom material.”

KYMA O SEGREDO DE JPJ

O sistema Kyma combina uma pequena caixa, baseada em um processador DSP, chamada de Capybara.320 Sound Computation Engine com um software de linguagem gráfica de design de som. O Capybara.320 é composto por uma unidade de rack com 3U’s de altura (13,5cm) contendo 4 processadores paralelos Motorola DSP 56309 (expansíveis até 28 DSP’s) dedicados exclusivamente ao processamento e síntese sonora, 96 MB RAM, chips com 24 bits e dois conversores 100HHz A/D/A, expansíveis até oito. Ele suporta um adicional de 2 até 12 cards de expansão ou slots independentes, cada um com mais dois chips Motorola DSP e 48 MB RAM o que proporciona um total de 672MB de sample RAM. O analógico I/O é proporcionado através conectores XLR (inputs clip em +14dBu, output Max em +14,5dBu). Em 48KHz, os inputs analógicos possuem 105110dB SNR e 107 dB de alcance dinâmico. O digital I/O é AES/EBU em conectores XLR, sendo que o pacote básico oferece um par de adaptadores S/PDIF. O dispositivo também contém word clock e house sync inputs, VITC e LTC in e out, além de MIDI in/out/thru. Pode-se adicionar um módulo de áudio de 4 canais I/O no chassis do Capybara.320 completando um total de 8 canais de I/O analógico e digital. Por ser instalado fora do computador ele está completamente isolado de ruídos indesejáveis de rede e fonte. Um cartão PCI conecta o Capybara.320 ao computador. O usuário poderá optar por um cartão PCMCIA para conectar a unidade a um laptop. O Capybara.320 proporciona a energia necessária para gerar os sons e processamento de sinal que você desenha em seu PC ou Mac enquanto corre o Kyma. De fato, o sistema todo é um hardware acelerador de sintesi virtual que emprega dúzias de métodos diferentes para sintetizadores, samples, processamento de sinais, comandos MIDI, etc, tudo em absoluto tempo real!
Como com qualquer sintetizador de software o usuário é quem determina a sonoridade final em qualquer complexidade usando centenas de geradores ou algoritmos de processamento de sinal que o Kyma contém. A diferença entre o Kyma e os outros softwares do ramo, tais como o Propellerhead Reason, está exatamente aí, na enorme gama e alcance de funções que o sistema oferece. Acima de 300 algoritmos editáveis, chamados de protótipos, podem ser combinados em quaisquer formas sem a restrição de quantidade destes algoritmos ou modo como eles podem ser arranjados e intercambiados. Pode-se assinalar program changes para troca de sons, usar qualquer informação para controlar um parâmetro de som e construir uma livraria pessoal de patches, com isto. Para quem preferir, mais de 1000 exemplos de fábrica estão prontos e à disposição em diversas categorias economizando horas de trabalho. Cada som tem seu próprio Virtual Control Surface onde você pode ajustar parâmetros em tempo real. Mudanças de parâmetros tomam efeito imediatamente, o que proporciona alta resposta e controle acurado de tempo sobre cada aspecto do sinal de áudio. Cada algoritmo possui início e fim demarcados, e podem ser modificados, adicionados, deletados parcialmente, re-posicionados, sintetizados e processados indefinidamente. Como exemplo pode-se endereçar cada compasso do sinal do instrumento representando um processamento de efeito diferente, com cada efeito começando em tempos diversos, indo para diferentes outputs e com fade outs aleatórios. Pode-se criar efeitos nunca imaginados além dos conhecidos.
O número de tracks também é ilimitado. Para mixagens usando o próprio programa Kyma pode-se optar em momo, estéreo, quad setup e surround 5.1. ou aspecto a ser notado é a flexibilidade quando se usa este programa em palcos, ao vivo. Inserindo uma marca WaitUntil obtém-se uma liberdade para mover o track à frente, sem ter que clicar o track. O programa permite arrastar os parâmetros de variação de tempo usando o comando Controller Editor, ou gravar movimentos de fades via MIDI, extrair uma freqüência ou amplitude de envelope do sinal de áudio e usar isto como um controlador real time.
Para se ter uma idéia de processamento imagine que com o pacote básico pode-se tocar em tempo real um Vocoder de 66 bandas, executar síntese aditiva com 192 parciais em forma de onda, cada qual com sua própria freqüência e amplitude de envelope e com qualquer número escolhido de breakpoints, ou gerar nuvem de síntese granular de 93 formas de onda, além de 60 vozes independentes de samples. Por outro lado no sistema completo pode-se chegar a 600 bandas de Vocoder em tempo real, 1743 parciais de síntese aditiva, 837 formas de onda independentes de síntese granular e 545 vozes de samples. O software vem em CDRom e inclui o programa Kyma (em versões para ambas as plataformas Mac e PC) 1000 patches de exemplos, 150MB de samples e manual em extenso arquivo formato PDF.
MAS O QUE ISTO TUDO TEM A VER COM O CONTRABAIXO? Tudo! Se analisarmos pelo prisma de que John Paul Jones utiliza este sistema em seu setup e as sonoridades obtidas são fantásticas. Nada! Se, por outro lado, você nunca tiver a chance de experimentar algo como isto em seu baixo. O que podemos traçar aqui é exatamente a evolução dos equipamentos e neste caso específico de um software que pode ser usado para processar sinais de contrabaixo em virtualmente qualquer outro som que se quiser.


Sistema mínimo requerido para rodar o Kyma
MAC: Power Mac/OS; 32/64 MB RAM; OS 7.05; NuBus ou PCI/PCMCIA slot.
PC: Pentium 120; 32/64 MB RAM; Windows 95/98/ME; PCI/PCMCIA slot.
Analógico I/O 4 entradas XLR balanceadas (expansível até 8)
Digital I/O 2 XLR stereo AES/EBU ou (2) RCA stereo S/PDIF
Outras conexões MIDI In/Out/Thru; (1) BNC word-clock input; (1) BNC house sync input; (1 pr.) RCA VITC I/O; (1 pr.) RCA LTC I/O
Nível de Saída +14.5 dBu
Nível de entrada +14 dBu
Resolução 24-bit
Processamento interno 24/48/56 (algoritmos dependentes)
Sample Rates All standard rates from 32 to 100 kHz
Dynamic Range (A/D)/(D/A) 110 dBA/107 dBA
Freqüência de resposta 20 Hz-20 kHz (+0.04/-0.26 dBu @44.1 kHz)
Impedância de entrada 10 k
Crosstalk -110 dB
Nível de ruído (A/D)/(D/A) 110 dB/105 dB
Tuning Resolution 0.0026 Hz
Protótipo de algoritmos >300
Presets de fábrica >1,000
Dimenssões 3U × 16.5" (D)
Peso 6.5 Kg, aproximadamente

e-mail: info-kyma@symbolicsound.com
site: eb http://www.symbolicsound.com/



terça-feira, 2 de agosto de 2016

INSTRUMENTOS ESPECÍFICOS PARA TAPPING parte 2

por Jorge Pescara
Parte 2
WARR GUITARS A principal diferença entre um Warr e o Stick é a presença do corpo nos modelos da Warr. Mark Warr, um capitão do Corpo de Bombeiros de Topanga Canyon (Califórnia, USA) que criou o Warr a partir do Stick desenvolveu o “un-crossed neck”, um instrumento com braço extremamente largo (12, 14 ou mais cordas!) onde as mãos não cruzam a escala para tocar, como no caso do Stick, além de que a disposição das cordas (apesar de ainda serem divididas em dois grupos) segue o padrão normal do grave ao agudo e o outro grupo novamente do grave ao agudo. Assim sendo, a mão direita toca as cordas graves (lado superior do braço) enquanto a mão esquerda toca as cordas agudas (lado inferior). Apesar disto a Warr possui modelos que seguem o padrão de disposição de cordas à la Stick com as graves afinadas em quintas a partir do centro do braço para o lado superior e as agudas em quartas justas, também a partir do centro do braço, para o lado inferior. Das marcantes diferenças existentes entre o Warr e o Stick temos em primeiro plano o pequeno corpo parecido com o de uma guitarra, porém com os cutways mais curtos, construído em 7 partes de madeira nobre, laminada. O braço reto é muito parecido com o do Stick, porém em construção neck-through-body de 25 trastes e com uma espuma ao lado do capotraste para abafar as cordas. Pequenas tarraxas fabricadas pela Sperzel completam o quadro. Há uma total ausência do Belt Hook, pois este já é patenteado pela Stick Enterprise, um circuito eletrônico Bartolini 18v com diversas configurações para os captadores (também Bartolini), que, aliás, são divididos e com uma chave seletora mono/stereo, o que também acaba por diferenciar mais ainda o seu timbre, pois as melodias executadas em overlap (cruzamento de grupos de cordas) são mais interessantes com o instrumento em mono. Existem marcações (dots) como em um contrabaixo ou guitarra normal (nos 3º, 5º, 7º, 9º, 12º, 15º, 17º, 21º e 24º trastes), a ponte (feita pela Wilkinson) é muito próxima as tradicionais pontes de guitarra só que estão munidas de captadores piezo elétrico, além de uma correia atarraxada aos dois lados do corpo para deixar o Warr em uma posição confortável, pois seu shape permite que ele fique posicionado horizontal ou verticalmente no corpo do músico. Como a saída do instrumento é em stereo separado podem ser usados 2 cabos comuns de guitarra com plug mono-P10. O grande destaque fica para quem quer usar outras técnicas já que, ao contrário do Stick, a ação das cordas do Warr TouchStyle Bass permite o slap, pizzicato, rasgueado e palheta, além do tapping. Ao encomendar um modelo da Warr o feliz futuro proprietário recebe um ano de assinatura grátis do jornal TouchStyle Quaterly editado pelo mestre em Warr e Stick Frank Jolliffe. Poderá, também, escolher algum acessório particular como dispositivo MIDI Roland GR33 ou Axon AX-100, escala fretless, quantidade de cordas específicas, diversas configurações diferentes em termos de captadores e outras possibilidades. Os modelos em linha atualmente são: Warr TSBass 5, 6, 7 e 8 cordas, Phalanx Series de 12 e 14 cordas, com o já citado “un-crossed” system, Artisan Series com corpo semi-acústico e cordas de nylon e captadores piezo elétrico na ponte, além dos tradicionais Artist Series e Trey Gunn signature, ambos com 8, 10, 11 e 12 cordas. O timbre do Warr é um pouco mais acentuado nas regiões médias, sendo que o sustain é maior do que no Stick. Os graves são mais suaves e o agudo mais guitarrístico. 
Dos músicos, adeptos do Warr guitars, mais influentes na atualidade temos alguns ex-Stick players: Trey Gunn (artista solo, King Crimson, California Guitar trio), Frank Paul, Paul Edwards, Frank Jolliffe e Randy Strom. No Brasil conhecemos apenas o músico e engenheiro de som (Berklee College) Otávio Brito como Warr guitar player. Acesse www.warrguitars.com e confira as novidades.
MOBIUS MEGATAR BASS A empresa é encabeçada por Traktor Topaz, um aficionado por tapping que durante anos negociava instrumentos usados, através da internet. Sua criação é bastante exótica, por conta do visual futurista. os instrumentos que ele constrói não possuem grandes variações entre os modelos. O design do corpo é sempre o mesmo: uma enorme paleta com uma divisão no meio, um capotraste normal de contrabaixo com um Velcro próximo ao 1º traste, para abafar as corda, captadores Bartolini Quad ou soapbars. Os modelos podem ser de 8, 10 ou 12 cordas. A linha completa inclui o Standard ToneWeaver us$2,395.00 que tem braço em Mahagony, fretboard feito em Rosewood e corpo construído com Sapele, o Fanned-Fret system com Twelve-Tone Bridge que é o mesmo ToneWeaver, mas com sistema diferenciado de trastes em diagonal formando um arco onde as cordas graves localizadas no extremo superior tem 35¨ de extensão e as agudas no lado inferior (do mesmo braço!) possuem 31¨ us$2,795.00, o True Tapper com braço em 4 partes de Maple e corpo em Alder pode ter variações no preço final por conta da escolha dos pickups us$995 a us$1395, o Max Tapper com braço em 4 partes de Mahogany e o fretboard de Rosewood. O corpo é construído em Sapele escuro, madeira melhor conhecido como African Mahogany. o MidiTapper Solo possui um set de 6 cordas normais de contrabaixo (B E A D G C) com um pickup Bartolini e um set agudo para as melodias com um pickup Photon MIDI. Já o MidiTapper Twin vem com dois sets de cordas para melodias e pickups Photon MIDI em ambos os lados. A correia fornecida com o Megatar, chamada MegaStrap (Utility Patent #6,359,203) é completamente diferenciada, pois em anatômico formato de X, presa ao corpo dos Megatar Basses, cruza totalmente as costas do músico e possui um terceiro ponto de apoio presa ao capotraste, desta forma o instrumento fica na posição vertical sem nenhum incomodo. O sistema MIDI que a Mobius Megatar usa em seus instrumentos é o Mobius 'Photon-Midi' Hex pickup em conjunto com Roland GR33 guitar synthesizer ou VG-88 V-Guitar system. A sonoridade do Megatar é bem próxima ao Warr, somente que com a região média nivelada. O timbre não possui a compressão característica da Stick sendo que estando mais próximo ao som do Warr. Por seu braço extremamente largo pode ser ideal para baixistas.
Alguns usuários do Megatar além do próprio Traktor Topaz são: Daniel Schell, Ted Rockwell e Ricky Wade. Traktor Topaz publica o informativo MegaTapper News e é autor do excelente livro “Easy touch-Style Bassics” com diversos exercícios para tapping rhythm bass. Ah! O site da Mobius é www.megatar.com.

BUNKER TOUCHBASS O nome de Dave Bunker já foi mencionado no início da coluna, onde traçamos um apanhado geral sobre a história da técnica de tapping e os instrumentos específicos. O aspecto visual deste instrumento é dos mais esquisitos. Um corpo retangular com dois braços sendo um de contrabaixo normal, 4 ou 5 cordas, e outro sendo mais parecido com uma steel guitar. Os braços possuem trastes angulados, sendo que o braço de guitarra vem com um captador Hex humbucking com 12 pólos individuais e 12 controles de balanço stereo (um par para cada corda) enquanto o braço de baixo é equipado com um captador Quad humbuking. Um processador controlável Electro-Mute system com 12 canais para a guitarra e 8 para o baixo proporcionam o abafamento perfeito para todas as cordas. O circuito eletrônico possui ainda controle de volume e pan para cada captador e duas bandas de freqüência de equalização com potenciômetros deslizantes. Ponte com sistema de duas afinação vertical by Dupont Delrin & Machine Brass, com o adicional de chave micro afinação para cada corda. Uma capa de metal sobre o corpo protege e isola as cordas agudas prevenindo ruídos mecânicos. Chave seletora de 3 posições para mute operation, saída stereo real e compartimento para bateria 9v com saída para adaptador externo. O som do TouchBass não é exatamente o mesmo do baixo elétrico com tapping. Com o timbre mais apagado e sem brilho, mesmo com cordas novas a área aguda assemelha-se a sonoridade do pedal steel. O preço desta beleza? Os modelo TG 2001 e BG 2001 saem pela bagatela de Us$4,295.00 com case, cabo stereo e adaptador 9v. visite www.bunker-guitars.com 
AUSTIN DOUGLAS GUITARS uma subsidiária da Warr a Austin Douglas guitars, sediada em Thousand Oaks (Califórnia, USA), fabrica  dois modelos simples de touch bass & guitar. Pode-se optar por 8 ou 10 cordas com corpo variando de Swamp Ash ou o avermelhado Mahogany enquanto a escala varia entre Pau Ferro ou Wenge. Escala com 24 trastes sem o dumper (Velcro abafador). Acompanha um único pick Bartolini passivo mono, tarraxas Gotoh, ponte em metal fabricada pela Warr com sistema through-the-body string anchoring, circuito ativo com 3 bandas de freqüência e gig bag. Como se pode ver o mais simples instrumento até aqui. Porém os preços... us$1,395.00 para os modelos de 10 cordas e us$1,375.00 para os 8 cordas. Soa como um baixo com alcance de 5 oitavas. Artistas que usam o ADG: Adam Levin e Ray Ashley. Para mais informações tente: www.austindouglasguitars.com e é isso!
BOX GUITAR Feito na Austrália este instrumento é o único headless dos analisados neste artigo. Com uma construção bem característica estes instrumentos são confeccionados em duas séries básicas SR (us$1,995.00 com case) e JC (us$2,095.00 com case). Pode-se escolher entre 8, 10 ou 12 cordas todos com escala de 24 trastes. Outro instrumento que tem a possibilidade de ser usado para tapping, slide e pizzicato, pois o espaçamento entre as cordas é de 10,5mm na ponte. O braço pode ser feito em 5 partes laminadas e neck-through-body ou em uma única peça e aparafusado. Uma opção exótica relacionada à quantidade de captadores 2, 4, 5 ou 6. A ponte chama a atenção por possuir apenas dois knobs que controlam (afinam) todas as cordas e podem vir opcionalmente com uma ou duas alavancas de bend (Whammy Bar) by Steinberger, capotraste com sistema de abafamento independente para cada corda. Há uma interessante opção de extensão de escala para cada modelo: escalas curtas SR630 (24.75¨ polegadas), SR640 (25.20¨), SR648 (25.5¨) e escalas longas JC32 (32¨), JC34 (34¨), JC35 (35¨). Pickups MIDI são oferecidos aos interessados, mas cada opcional aumenta o preço final em us$500.00. o timbre destes instrumentos está amplamente ligado à sonoridade da guitarra.  www.bme.com.au.
 Os preços citados nesta matéria podem sofrer alterações à qualquer momento, pois são válidos para Europa e América. Evidentemente existem, espalhados pelo mundo, diversos outros instrumentos e equipamento desenvolvidos com a finalidade do tapping, como por exemplo o SANTUCCI TREBLEBASS do luthier italiano Sérgio Santucci, que à princípio é uma guitarra de escala  27¨ e possui as 4 cordas do baixo além das 6 de guitarra, no mesmo braço (www.essentialstrings.com/santucci.htm). O SOLENE construído por Rich Eberlen em um tubo acústico de alumínio anodizado de 30¨ com 7 cordas, afinadas em quartas justas, e captadores individuais para cada corda ligados a um circuito ativo. Como os trastes estão colocados sobre o tubo da mesma maneira que em um braço de guitarra o músico poderá executar padrões melódicos mais facilmente. Seu timbre é bem peculiar. Imagine uma guitarra tocada dentro de um tubo! (us$800,00 www.flashnet/~solene/). O STARRBOARD de autoria de John Starrett, que diz criar um guitarra-baixo-piano (!) é realmente uma estranha criação. Composto por uma única prancha com 24 trastes e 24 cordas, sendo que outros modelos podem chegar a 52 cordas no total. O músico toca sentado, apoiando o instrumento no colo ou em uma mesa e executa tappings nas cordas. Como não possui corpo nem paleta a característica timbrística mais interessante do Starrboard é a ressonância dos graves.
 O TRAVELGUITAR de Charles Soupios de Denver (Colorado-USA), que criou este pequeno instrumento através da junção do corpo da guitarra com o do contrabaixo formando um único instrumento para ser usado com o tapping. Somente uma guitarra comum tocada com técnica de two-hands. ZTARR BASS, Harvey Starr criou este instrumento que possui o formato de uma guitarra ou baixo futurista onde em lugar de cordas existem pequenas teclas, chaves e botões para o músico tocar como tapping extraindo sons sintetizados e MIDIados. Não existem sons internos, apenas comandos MIDI. Músicos como Allan Holdsworth e Stanley Jordan usam o Ztarr 
(www.catalog.com/starrlab). Existem, também: SLEETHMOTAR, MOBIUS, ZETRICH, THE BIAXE, NOVAX FANNED-FRET, WITKOWSKI-GUITARS, HAMMATAR, SYNTHAXE MIDI e outros, que por Samples de músicas executadas com os instrumentos citados podem ser conferidas em inúmeros sites. Cds podem ser encomendados nestes sites ou em “excelentes" casas do ramo (excelentes sim, pois boas todas dizem que são...). Portanto, se está curioso em saber como é o timbre destes estranhos contrabaixos, vá pra NET surfar! 




 Music & Peace .:.













segunda-feira, 24 de junho de 2013

INSTRUMENTOS ESPECÍFICOS PARA TAPPING parte1

por Jorge Pescara
The Chapman Stick


A primeira vez que vi e ouvi um desses estranhos instrumentos foi quando eu era garoto, por volta de 1978, em um programa de clipes musicais da TV Cultura SP chamado Som Pop. O final dos anos 70 era uma época de ouro. Fervilhavam vídeo clipes e trechos de shows dos mais diversos: Kate Bush com seu Wuthering Heights, Cat Stevens com Moonshadow, Dire Straits e Sultans of Swing, Genesis com o clipe de I Know What I Like ao vivo, Kiss com Detroit Rock City e um obscuro show de Peter Gabriel com um, então, emergente baixista no cenário mundial: Tony Levin. Dos vários trechos deste show lembro-me claramente de duas pérolas do contrabaixo: A música Family Snapshot apresentava Mr. Levin com um fretless quatro cordas e escala de alumínio, além de um esquisito instrumento com várias cordas e uma sonoridade de contrabaixo na música Biko.
Após esta primeira exposição ao Stick (do qual eu não sabia nem o nome na época), vieram os anos 80 e, com eles, o BRock das mais variadas bandas. Uma das que me chamou a atenção foi a banda do tecladista performático Akira S & as Garotas que Erraram. Akira, um baixista nissei, aparecia em um show empunhando um Stick, foi o máximo!
Estava escrito: No futuro tocarei este baixo...
Bom! O Stick não é bem um contrabaixo, ele é mais do que isto. Diz-se por aí que o baixo é um triplo instrumento, que proporciona a base rítmica (junto com a bateria), a contra-melodia e a base ou fundamento harmônico. Somente devemos acrescentar que isto tudo está inserido implicitamente nas conduções (ou grooves) do instrumento. Por outro lado o Stick é harmônico, melódico e rítmico no sentido lato da expressão. Na verdade pode ser considerado como um instrumento realmente stereo com dois jogos de cordas distintos (podendo ser amplificado independentemente cada lado) onde acordes, linhas de contrabaixo, melodia, solos e ritmos podem ser explorados através da técnica de tapping. Vejamos onde isto nos levará:


O CRIADOR

Nossa história começa em um quente final de tarde sul-californiano de 26 de Agosto de 1969, onde um guitarrista, na época amador, de nome Emmett H. Chapman encerrava mais um dia de estudos jazzísticos. Emmett, que na época idolatrava nomes como Oscar Peterson, McCoy Tyner e Jimi Hendrix pesquisava formas de expressão diferenciada das convencionais, unindo o conhecimento jazzístico com a liberdade elétrica do rock. Nesta tarde, porém, exatamente as 18:30hs (hora local) suas mãos começaram a bater nas cordas com as pontas dos dedos extraindo sonoridades incomuns. Logo em seguida ele resolveu inclinar o braço da guitarra para uma posição mais vertical, facilitando assim a digitação. A história começava a ser escrita. Note que, apesar de estarmos falando do ano de 1969, não era a primeira vez que alguém executava o two hands no braço de uma guitarra. Nos anos 40 Jimmie Webster desenvolveu a técnica e lançou um obscuro livro com suas descobertas, porém contaremos esta história na próxima edição para extirpar as dúvidas e confusões que reinam sobre o tapping... Após esta primeira experiência Emmett partiu para adaptações em sua guitarra. Tais modificações consistiam em aumento de número de cordas (logo de início a inclusão da sétima corda, SI grave, abaixo do MI), ajustes no designe do corpo do instrumento, construção e modificação de outro braço mais largo e reto, enfim tudo o que pudesse proporcionar maior conforto, tocabilidade e expressividade. As conclusões iam se alternando e os avanços técnicos da parte de construção levaram Chapman a iniciar o projeto de um protótipo de nove cordas com um enorme captador localizado sobre as cordas, ao invés de embaixo delas. Seguiram-se outros protótipos, até a confecção do primeiro modelo industrializado, batizado de nº101 em 1974.  Tony Levin contou em entrevista recente como descobriu o Stick: “Nos anos 70 comecei a ouvir rumores sobre este novo instrumento que servia exclusivamente ao tapping. Nesta época eu costumava tocar muito com esta técnica no contrabaixo, assim muitas pessoas começaram a falar que o tal Stick era um bom instrumento para eu tentar. Após testa-lo, encontrei um mundo de oportunidades bem ali, ao lado do estilo tapping.“ Enquanto isso, Alphonso Jonhson, na época baixista do grupo Weather Report ao lado de Joseff Zawinul, Wayne Shorter e o brasileiro Dom Um Romão, iniciou suas  pesquisas sonoras com o Stick: “Certa vez eu estava descendo uma rua em Santa Monica – Califórnia – e ouvi uma sonoridade diferente vindo de um pequeno restaurante com música ao vivo. Quando entrei vi Emmett Chapman tocando o recém criado Stick somente com um baterista e fiquei hipnotizado. Após me apresentar a Emmett e conversarmos amenidades sobre música em geral resolvi encomendar um Stick. A possibilidade de tocar linhas de baixo e melodia ao mesmo tempo, me interessava enormemente.

No começo tudo o que fiz, por seis semanas seguidas, foi somente observar o instrumento no canto do quarto e tentar imaginar o que eu poderia fazer com ele, como ele poderia soar. É claro que quando finalmente, peguei no Stick comecei a tocar escalas, arpejos e progressões de acordes para adquirir um vocabulário para poder me expressar. Passei então um bocado de tempo tocando e praticando muito em casa, compondo temas e canções. Minhas habilidades técnicas nele não são tão fluentes quanto de outros Stick players, porque eu uso-o com propostas composicionais, ao contrário de usa-lo como instrumento solista. Além disso, muitas das bandas das quais participei já tinham guitarristas e tecladistas juntos, que preenchiam todo o espectro harm
ônico.” Com estes dois ícones do contrabaixo mundial fazendo o papel inconsciente de garotos propaganda o Stick ganhou fama rapidamente, levando Emmett para vários programas de televisão e entrevistas em revistas famosas. Até mesmo uma foto do, então garoto, Stanley Jordan pode ser vista no escritório da Stick, mostrando Jordan tendo aulas de tapping com o instrumento nos fins dos anos 70.  Hoje em dia pode-se encontrar um Stick exposto no famoso Smithsonian Institute ou como verbete do famoso dicionário musical Hal Leonard onde se lê: “Stick (Chapman), Instrumento elétrico de dez cordas (cinco de baixo e cinco de guitarra), com uma extensão de cinco oitavas, que utiliza uma técnica de pequenas batidas nas cordas.”

A CRIATURA
 
 THE STICK (www.stick.com) O instrumento de Emmett Chapman, que teve seu primeiro protótipo em 1969 e o primeiro a ser construído e comercializado em série em 1974, é assim constituído: Madeiras sul-americanas e africanas (tais como: Pau-Ferro, Teak, Oak, etc) são usadas para esculpir o Stick em uma única peça sem parafusos ou colagens, escala de 34¨ contendo 25 trastes e, no modelo tradicional, 10 cordas dispostas em dois grupos distintos, cobrindo 5¼ oitavas, onde o grupo de cordas agudas (de melodia) estão em quartas justas com a mais grave delas no centro do braço indo para o extremo inferior, sendo que a mão direita cruza o braço para toca-las e o grupo das cordas de contrabaixo dispostas com a mais grave (e espessa) também no centro, seguida das outras para o extremo superior, afinadas em quintas justas. Estas, executadas através da mão esquerda. O fabricante trás como opção de encordoamentos próprios fabricados pela D’Addario ou GHS com as seguintes especificações: .007¨, .008¨, .010¨, .014¨ e .022¨ para o grupo de cordas agudas, sendo .092¨, .065¨, .040¨, .022¨ e .013¨ para as cordas graves. Como se pode perceber, uma disposição (patenteada pelo fabricante) pouco usual, com as cordas graves no centro do braço e as agudas nos extremos, em dois grupos de quartas e quintas, mas que permite uma possibilidade infindável de padrões melódicos e harmônicos. Emmett Chapman diz que os proprietários de Stick podem optar por qualquer afinação que desejarem (dois grupo de cordas de guitarra, um de guitarra com o outro de contrabaixo, um de guitarra e outra com afinação de violino, etc…) desde que usem bitolas (espessuras) corretas de cordas e façam os necessários ajustes de tensor, ponte e capotraste.  Emmett adota como padrão a seguinte  afinação:

D A E B F# C G D A E. Enormes marcações (dots) estão distribuídas nos 2º, 7º 12º, 17º e 22º trastes. O instrumento vem com 10 mini tarraxas Gotoh, porém com abertura para as grossas cordas de contrabaixo. Também, o patenteado Fret-Rod™ design, que são trastes enormes e redondos feito de uma liga muito forte de metal, incrustados no braço; uma tira de velcro colada ao primeiro traste para abafar as cordas e prevenir ruídos não intencionais (ex: cordas esbarradas pelos dedos); uma ponte totalmente ajustável (altura, posição e extensão de cada corda) e um captador stereo double-coil humbucking (também totalmente ajustável com relação à angulação e altura dos pólos magnéticos) encapsulado em case de plástico moldado e metalizado com fibra de carbono/grafite condutivo, para prevenir a perda de agudos, fazem parte do hardware. Este último aspecto trás como único inconveniente um pouco de crosstalking (vazamento de sinal) entre os dois captadores. Apenas dois simples controles de volume!

É tudo que o instrumento tem de eletrônica, para, segundo seu inventor, privilegiar o sinal sem interferências O tensor possui ação dupla, funcionando nos dois sentidos, além de um gancho (Belt Hook) para prender o instrumento ao cinto e uma correia presa ao capotraste que é usada por trás do pescoço e do braço esquerdo do executante.  Desta forma o Stick é posicionado 75º em relação ao eixo do corpo do instrumentista e facilita a digitação em tapping por permitir que ambos os pulsos permaneçam retos enquanto os dedos estão perpendiculares em relação às cordas, ao contrário da guitarra e contrabaixo que ficam quase horizontais em relação ao corpo do músico. No lugar do tradicional capotraste o Stick vem com vários parafusos para ajuste de altura, sendo um de cada corda. O hard case fornecido com o Stick vem com um exemplar do método Free Hands escrito e editado pelo próprio Emmett Chapman, além de um cabo Y stereo, chaves para manutenção do instrumento e uma estreita correia de couro usada entre o braço e o pescoço do Stick player. São construídos, uma média de 80 instrumentos por mês.

            Além do The Stick us$1,341.00 outros modelos de Stick são construídos e comercializados, tais como o Grand Stick de 12 cordas us$1,641.00, o Stick Bass de 7 ou SB8 de 8 cordas, onde as cordas estão dispostas normalmente como no contrabaixo elétrico (a mais grave no extremo superior seguida das outras afinadas em quartas justas: B E A D G C F Bb), o NS8 Stick construído em conjunto com o luthier Ned Steinberg com fibra de carbono/grafite, além do AcouStick que é um Stick com cordas de nylon e caixa de ressonância acústica, como um violão. Outras possibilidades podem ser encomendadas para customizar o instrumento, como: metade do braço fretless, metade com traste, um lado fretless outro não, captadores MIDI baseado na IVL's guitar-to-MIDI technology (essencialmente um conversor Pitchrider 7000 Touch Board MIDI, com algumas mudanças no software para acomodar melhor às características do The Stick) com as 5  cordas agudas via MIDI. Isto adiciona us$900 ao custo final do instrumento. Dos usuários mais famosos do Stick podemos citar: Tony Levin (artista solo, Peter Gabriel, King Crimson e gravou usando o Stick em discos do Pink Floyd e Yes), Alphonso Johnson (artista solo, Weather Report), Nick Beggs (John Paul Jones Band, Kaajagoogo), John Myung (Dream Theater) e outros. No Brasil é raro encontrar profissionais que gravem e/ou toquem este instrumento, com exceção do baixista Akira S que gravou alguns bons pop-rocks nos anos 80 usando o Stick (inclusive em um vídeo clipe da banda “Akira S e as Garotas que Erraram”), do violonista André Geraissati que possui um modelo de 10 cordas, de mais uns dois ou três donos de Stick incógnitos pelo país.
Com isto, atualmente somente este que humildemente vos escreve, trabalha profissionalmente em gravações com o StickBass atualmente no Brasil (Cds “Lake of Perseverance” de Dom Um Romão, “Love Dance” de Ithamara Koorax, ZERØ “ElectroAcústico”, “Street Angels” com Luís Bonfá e “Brazil All Stars-Rio Strut” com Eumir Deodato). A sonoridade do Stick varia, é claro, conforme o modelo, mas o timbre em geral possui uma compressão natural, onde os graves possuem muita profundidade com decay curto, enquanto os agudos são claros e cristalinos (dependendo do desenvolvimento técnico de cada executante). Uma verdadeira percussão com notas!

O Stick acaba por se tornar um sinônimo de Tapping, pois além de ter sido projetado e construído com esta finalidade permite ao músico executar duas partes musicais independentes entre si, onde cada mão permanece atuante em um grupo específico de cordas, como por exemplo: condução de baixo na mão esquerda e melodia com a direita, ou condução de baixo na mão esquerda e harmonia com a direita, ou ainda condução de baixo junto com acordes (harmonia) na mão esquerda e melodia com acordes na direita… é claro que, como em qualquer outro amplo aspecto musical, pode-se quebrar estas regras a qualquer momento! O fato dos captadores serem em stereo faz com que se possa enviar o sinal das cordas agudas para processadores de efeito tais como reverb, distortion, delay e flanger enquanto as cordas graves podem ir para um compressor, envelope follower e tremolo, por exemplo.


QUEM É QUEM...

Diversos caminhos foram, ou, estão sendo trilhados pelos stickistas nestes anos todos. Podemos citar os principais como os bateras que usam o Stick para aplicações atonais poliritmicas com rudimentos e padrões, tecladistas que usam seu conhecimento harmônico-melódico para explorar todas as possibilidades de textura do 12 cordas, guitarristas que aplicam seus licks de rock e jazz nas cordas agudas enquanto fazem o auto-acompanhamento com a mão esquerda em acordes e linhas de baixo, violonistas clássicos que transpõe para o Stick peças de Bach e Segovia, além é claro, dos baixistas, que com fácil adaptação, extraem belíssimas linhas funk com as cordas graves. Estima-se que no início do ano 2000 seriam cinco mil usuários espalhados pelo mundo do jazz ao rock, passando pela fusion, funk e r&b chegando ao pop, clássico e latin music com ritmos africanos e brasileiros como o próprio Emmett Chapman, seguido de Trey Gunn, Greg Howard, Bob Culbertson (América), Virginia Esplendore (Itália) in memorian, Guillermo Cides (Espanha) e Diego Souto (Argentina) dentre outros. Dos baixistas usuários mais famosos do Stick podemos citar:

Tony Levin (artista solo, Peter Gabriel, King Crimson e gravou usando o Stick em discos do Pink Floyd e Yes), Alphonso Johnson (artista solo, Weather Report), Nick Beggs (John Paul Jones Band, Kajagoogoo), John Myung (Dream Theater) e outros. No Brasil é raro encontrar profissionais que gravem e/ou toquem este instrumento, com exceção do baixista Akira S que gravou alguns bons pop-rocks nos anos 80 usando o Stick, do violonista André Geraissati que possui um modelo de 10 cordas, do músico e engenheiro de som (Berklee College) Otávio Brito, empresário da AMI importadora de instrumentos musicais, que também toca um Warr guitars (instrumento similar ao Stick) e mais uns dois ou três donos de Stick incógnitos pelo país, não se tem notícias confirmadas sobre Stickistas  brasileiros. Com isto, somente este que humildemente vos escreve, trabalhou profissionalmente em gravações com o StickBass no Brasil (Cds “Lake of Perseverance/Irma records Italy-2001” de Dom Um Romão, “Love Dance/Fantasy records-2003” de Ithamara Koorax, ZERØ “ElectroAcústico/Sony-2000”, “Street Angels” de 1999 com Luís Bonfá e “Brazil All Stars-Rio Strut/Milestone-2003” com Eumir Deodato). O Stick acaba por se tornar um sinônimo de Tapping/TwoHands/Touchstyle


, pois além de ter sido projetado e construído com esta finalidade permite ao músico executar duas partes musicais independentes entre si, onde cada mão permanece atuante em um grupo específico de cordas, como por exemplo: condução de baixo na mão esquerda e melodia com a direita, ou condução de baixo na mão esquerda e harmonia com a direita, ou ainda condução de baixo junto com acordes (harmonia) na mão esquerda e melodia com acordes na direita… é claro que, como em qualquer outro amplo aspecto musical, pode-se quebrar estas regras a qualquer momento! O fato dos captadores serem em stereo faz com que se possa enviar o sinal das cordas agudas para processadores de efeito tais como reverb, distortion, delay e flanger enquanto as cordas graves podem ir para um compressor, envelope follower e tremolo, por exemplo. Enfim, o instrumento está aí aguardando mentes abertas para a experimentação e, quem sabe, um novo caminho alternativo para a música, que teima em ter instrumentistas que se contentam em, simplesmente, reafirmar o mesmo de sempre: Aquilo que já foi dito!

Ah! Ali havia um Stick?..

Muitos de vocês, caros amigos, já ouviram o som do Stick em um disco famoso e nem se deram conta disto. Somente para se ter uma idéia, segue uma pequenina lista com os artistas, discos e o nome do Stickista na gravação:
·         Peter Gabriel: II, III, IV, Plays Live, Us, Secret World Live (todos com Tony Levin no Stick de 10 e 12 cordas)
·         Pink Floyd: A Momentary Lapse of Reason (Tony Levin novamente)
·         Yes: Union, ABWH (no Stick… Tony Levin! alguma dúvida?
·         King Crimson: Discipline, Beat, Three of Perfect Pair, Vroom, Thrak, B’Boom (quem poderia ser, senão… Tony Levin)
·         Tangerine Dream: Lily on the Beach (Paul Haslinger Stick 10 cordas)
·         Aerosmith: Nine Lives (Tom Hamilton Stick 10 cordas)
·         Dream Theater: Falling into Infinity (John Myung Stick MIDI 10 cordas)
·         Kajagoogoo: Islands (Nick Beggs Stick MIDI 10 cordas)
·         Paul Young: No Parlez (Pino Paladino! Sim, até o mestre do fretless pop rendeu-se ao StickBass)

 Music & Peace .:.



terça-feira, 9 de abril de 2013

LUIZÃO MAIA, UM MESTRE, UMA LIÇÃO DE VIDA

por Jorge Pescara

Decidi reproduzir duas das várias entrevsitas que fiz com Luizão Maia para revistas especializadas como forma de homenagear este mestre...

Luiz Oliveira da Costa Maia, este é o nome do grande mestre do contrabaixo elétrico no Brasil. Considerado pela comunidade das quatro cordas como o pai do samba-jazz brasileiro por suas contribuições técnicas nos grooves deste estilo, Luizão começou com a guitarra aos 13 anos, mudando em seguida para o contrabaixo acústico onde se firmou acompanhando Tânia Maria em 1964. A partir de 1968 começa sua longa jornada como principal sideman de Elis Regina. Ele mudou o rumo e a forma de se tocar samba; acompanhou os maiores nomes da música mundial, como Elis Regina, Bebel Gilberto, Milton Banana, Lisa Ono, Creed Taylor, Toots Thielemans, Claus Ogerman, Stan Getz, Lee Ritenour, George Benson, George Duvivier, Oscar Castro Neves, João Gilberto, João Bosco, Roberto Carlos, Astrud Gilberto, César Camargo Mariano, Helio Delmiro, Raphael Rabello, João Donato, Danilo Caymmi e Luiz Bonfá; dirigiu a OMB do Rio de Janeiro, cidade onde nasceu em 1949, e enfim, foi um visionário que um dia sonhou tornou-se músico e criou história. Luizão Maia, como foi carinhosamente chamado em mais de 30 anos de carreira, foi uma lição de vida, em vida! Acometido de um derrame cerebral que paralisou seu lado direito do corpo no início dos anos 90, Luizão passou a morar no Japão ao lado da esposa Yoko Bekku para tratamentos alternativos e continuar com trabalhando. Conseguiu. Venceu por 10 anos a barreira da enfermidade. Vendeu caro sua incapacidade motora, pois desenvolveu um jeito próprio de driblar a doença e continuar seguindo em frente. Em um dia 28 de Janeiro alguns anos atrás, Luizão foi vencido pelo terceiro derrame, “mas o quê” se ele já havia vencido a própria vida!


Em 1997 Luizão cedeu-nos esta descontraída entrevista que reapresentamos, de forma condensada, nesta ocasião. Uma singela maneira de homenageá-lo.

Como é que foi o começo de sua carreira?

Meu pai acreditou em mim. Ou seja, eu disse para o meu pai: “Pai, eu quero um baixo”. Meu pai não era uma pessoa rica. Trabalhava numa indústria alemã de remédios chamada Schering. Eu arrumei o baixo, ele foi lá comigo para comprarmos.

Isso foi aqui no Rio?

Sou de Vila Isabel. É difícil encontrar músico nascido no Rio não é (risos). É porque o Rio é lugar pra nego vir, não é pra sair... Bom! Aí comprei o instrumento. Era muito ruim. Mas foi até que consegui tirar som com ele. Era um baixo acústico Tcheco ruim pra caramba. Com corda de tripa e uma lateral pintada de preto. Terrível. Comprei do Armando Cotó, que tinha esse apelido por não ter 3 dedos da mão... Agora veja meu caso, eu sou um baixista que não tem uma mão (Luizão brinca descontraidamente com seu próprio problema de saúde). Mas de qualquer maneira, quanto maior o problema, maior o desafio e melhor será a vitória.  Eu sou um cara protegido do céu. Sou músico, faço o que gosto. Meu pai me ajudou, me deu apoio. Continuei estudando e consegui levar minha vida.

Como é que veio aquela idéia de criar aquela condução de samba o baixo?

Não é idéia. Aquilo aconteceu comigo e era eu que estava na vitrine. Se você estiver na vitrine e tiver que fazer alguma coisa boa, você faz. Se você for bom, se tiver consistência, a coisa emplaca. O contrabaixo que eu faço no samba vem do surdo. Há uma música que diz que samba não se aprende na escola. É mentira! É na “Escola de Samba” que está os samba. Eu afinava com o surdo nas gravações, pra não embolar o som. Eu fazia exatamente a linha do surdo, só que com notas. Porque o surdo é burro, um swing desgraçado, mas é burro porque é tem uma nota só. Aí o baixista dá as notas certa e resolve o problema. A mídia falava que eu não embolava com o surdo e por isso era um grande mestre. Foi legal pra mim.

A linguagem antes do Luizão era completamente diferente. Não tinha tantas notas mortas no meio... aquela coisa que dá o swing. Não é verdade?

Exatamente. O importante no baixo é a nota que você não toca. Você interfere, mas não toca. Eu continuei as coisas, porque ninguém cria, apenas aperfeiçoa. Chamo isto de sambaixo!

Quais são suas influências musicais?

Todos os baixistas. Eu gosto mesmo é do Bebeto do Tamba Trio, ficava emocionado com ele. Do Tião neto do Bossa Três, do Sergio Barroso, Ron Carter... eu pensava até que ele era mais velho, mas é mais ou menos a minha praia. O que eu mais gosto é o Neils Pedersen. Fiz um chorinho uma vez, chamado “Chorinho Com Xis”, para contrabaixo, aí o Neils Pedersen gravou. Cara, este foi o maior premio que eu recebi, o cara que eu mais gosto gravou minha música.

Como foi a transição do acústico para o elétrico?

Eu não fiquei muito chocado não porque eu tocava o baixo acústico, mas ninguém escutava o que eu estava tocando. Acontecia o mesmo com os outros. Em São Paulo tinha o Chú Viana. O Chú tocava pra caramba, mas não dava pra ouvir. Aí veio o baixo elétrico e todo mundo podia ouvir. Eu tocava jazz com o Victor Assis Brasil, então resolvi montar o Formula 7 com o guitarrista Hélio Delmiro. Vieram o Marcio Montarroyos no trompete, Cláudio Caribe na batera, João Luis na outra guitarra e o Hélio Celso no piano.

Vocês misturavam influencias brasileiras com...

Não. Jazzísticas mesmo. E... bom! A influencia brasileira é natural, porque éramos todos brasileiros. É aquele negócio de ter um americano e um cubano tocando. Você reconhece (pelo som) quem é o cubano e quem é o americano.

Como criador deste sambaixo como é que você vê a MPB atual (1997), na visão do baixista?

O que acontece é o seguinte. A música está um problema muito grande. Não vou pixar ninguém, mas você viu quem foi representar o Brasil no Festival de Jazz de Montreaux este ano (1997)?.. (Luizão referia-se a mais um grupo de axé music...) eu posso dizer (com orgulho) que quando eu fui representar o Brasil, pra público estrangeiro, estava tocando com Elis Regina e com Hermeto Pascoal, e isto não foi nenhuma vergonha como a deste ano. De lá fomos para o Japão. Eu acho que (por causa disto) os músicos estão tendo uma crise de identidade, de trabalho, crise financeira, no seguinte: o camarada não pode mais ser músico, tem que fazer outra coisa pra viver. Só vai tocar por dinheiro. O Hermeto falou uma coisa: “o músico acaba quando ele vira um profissional. Enquanto ele ta querendo tocar, quer só tocar. Na hora que ele passa a ganhar do trabalho dele, e se conscientiza disto acabou o músico.” O Hermeto tem 60 anos e diz que a cada dia toca melhor que no anterior. Quem é que pode falar isto? Ele estuda até 5 horas por dia e pode dizer estas coisas. A crise é esta, não há mais músicos só mídia... o músico tem que ser artístico... o Japão ta cheio de baixistas bons, mas são todos muito técnicos e muita técnica não fala nada à alma. Não se pode ser só técnico. Se o cara é técnico muito bem, pode “ganhar a corrida”, mas eu quero ver gravar o disco. E a intenção é essa, não é?

Das formações que você tocou, qual a que você chamaria ideal?

Aquela de Montreux: Elis Regina, Hélio Delmiro, Paulo Braga e eu. Tinha também o Chico Batera, muito meu amigo. Comecei a tocar com ele e a Tânia Maria no piano.

O que o baixista deve estudar para ser profissional hoje?

A condição de trabalho agora para o baixista eu não sei se continua a igual. Eu sou da época que se gravava com Clara Nunes, Bete Carvalho, com todo mundo, e o baixista ficava no cantinho dele. Vinha uma partitura, ele lia e tocava... então é o seguinte: o músico tem de estudar teoria e partitura, conhecer a clave de FA... não to querendo dizer que sou o rei da leitura, mas todos têm que estudar e pesquisar muitas coisas. Principalmente conseguir sua voz própria que é a coisa mais preciosa.




ESTE BATE-BOLA COM LUIZÃO MAIA OCORREU EM TÓQUIO, JAPÃO - 2001

Poderia nos descrever o assim chamado “sambaixo” (maneira peculiar de condução de samba que Luizão criou nos anos 70)?

Fica difícil (analisar), porque para mim é apenas a maneira que eu gosto de tocar, e as pessoas curtem, mas um professor da Berklee analisou a levada e disse que tinha uma ghost note fazendo a percussão, junto com o surdo marcando forte o segundo tempo.

Quem você poderia citar, hoje em dia no Brasil, como seguidor ou discípulo mais próximo da sua maneira de tocar?

Meu filho Zé Luiz e o meu sobrinho Arthurzinho (Maia). O meu caçula, Lupa, de 17 anos, também está tocando baixo e é muito musical.

Seu famoso timbre vem do uso das unhas no pizzicato das cordas. Isto se deve a uma opção timbrística própria, uma facilidade técnica ou o quê? Que influência tem seus instrumentos ou amplificadores no timbre final?

É uma facilidade técnica natural. Agora, o instrumento e o amp não significam quase nada, a voz do baixista está na pegada, com um baixo bem regulado e um som bom, o resto tem que ser na mão mesmo.

Hoje em dia você utiliza a técnica de “tapping” com a mão esquerda, para tocar. Você desenvolveu algum sistema específico para este fim? E mais. Você usava o StickBass...

É um instrumento muito bem bolado, o som é interessante, mas teria que ser um cara que toque especificamente o Stick ou violão clássico, por exemplo. Quanto à pergunta anterior, eu procurei um equipamento nos Estados Unidos que já haviam me falado a respeito, mas não encontrei. Uso apenas um elástico nas cordas para abafar.

Quem você poderia creditar como sendo sua influência no passado?

Qualquer baixista que eu gostasse de ouvir já me influenciava, mas quem tocava muito naquela época eram o Tião Marinho, o Bebeto do Tamba trio e o Sérgio Barroso.



DISCOGRAFIA SELECIONADA
Regina Elis: Ao Vivo
Oscar Castro-Neves: Brazilian Scandals
Gal Costa Itada: De Domingo 1967 a Minha Voz
Toninho Horta: Moonstone
Antonio Carlos Jobim: &... Elis & Tom
Antonio Carlos Jobim: Verve Jazz Masters 13
Antonio Carlos Jobim: Antonio Carlos Jobim's Finest Hour
Quarteto Em Cy: Sing Vinicius De Moraes
Raphael Rabello: Todos Os Tons
Raphael Rabello: Mestre Capiba
Lee Ritenour: Rio

Uma visão musical atual e sincera... Mais um mestre a colorir a tela celeste com sons de um 4 cordas...
Obrigado Luizão, por nos mostrar o caminho!

Music & Peace .:.