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terça-feira, 2 de agosto de 2016

INSTRUMENTOS ESPECÍFICOS PARA TAPPING parte 2

por Jorge Pescara
Parte 2
WARR GUITARS A principal diferença entre um Warr e o Stick é a presença do corpo nos modelos da Warr. Mark Warr, um capitão do Corpo de Bombeiros de Topanga Canyon (Califórnia, USA) que criou o Warr a partir do Stick desenvolveu o “un-crossed neck”, um instrumento com braço extremamente largo (12, 14 ou mais cordas!) onde as mãos não cruzam a escala para tocar, como no caso do Stick, além de que a disposição das cordas (apesar de ainda serem divididas em dois grupos) segue o padrão normal do grave ao agudo e o outro grupo novamente do grave ao agudo. Assim sendo, a mão direita toca as cordas graves (lado superior do braço) enquanto a mão esquerda toca as cordas agudas (lado inferior). Apesar disto a Warr possui modelos que seguem o padrão de disposição de cordas à la Stick com as graves afinadas em quintas a partir do centro do braço para o lado superior e as agudas em quartas justas, também a partir do centro do braço, para o lado inferior. Das marcantes diferenças existentes entre o Warr e o Stick temos em primeiro plano o pequeno corpo parecido com o de uma guitarra, porém com os cutways mais curtos, construído em 7 partes de madeira nobre, laminada. O braço reto é muito parecido com o do Stick, porém em construção neck-through-body de 25 trastes e com uma espuma ao lado do capotraste para abafar as cordas. Pequenas tarraxas fabricadas pela Sperzel completam o quadro. Há uma total ausência do Belt Hook, pois este já é patenteado pela Stick Enterprise, um circuito eletrônico Bartolini 18v com diversas configurações para os captadores (também Bartolini), que, aliás, são divididos e com uma chave seletora mono/stereo, o que também acaba por diferenciar mais ainda o seu timbre, pois as melodias executadas em overlap (cruzamento de grupos de cordas) são mais interessantes com o instrumento em mono. Existem marcações (dots) como em um contrabaixo ou guitarra normal (nos 3º, 5º, 7º, 9º, 12º, 15º, 17º, 21º e 24º trastes), a ponte (feita pela Wilkinson) é muito próxima as tradicionais pontes de guitarra só que estão munidas de captadores piezo elétrico, além de uma correia atarraxada aos dois lados do corpo para deixar o Warr em uma posição confortável, pois seu shape permite que ele fique posicionado horizontal ou verticalmente no corpo do músico. Como a saída do instrumento é em stereo separado podem ser usados 2 cabos comuns de guitarra com plug mono-P10. O grande destaque fica para quem quer usar outras técnicas já que, ao contrário do Stick, a ação das cordas do Warr TouchStyle Bass permite o slap, pizzicato, rasgueado e palheta, além do tapping. Ao encomendar um modelo da Warr o feliz futuro proprietário recebe um ano de assinatura grátis do jornal TouchStyle Quaterly editado pelo mestre em Warr e Stick Frank Jolliffe. Poderá, também, escolher algum acessório particular como dispositivo MIDI Roland GR33 ou Axon AX-100, escala fretless, quantidade de cordas específicas, diversas configurações diferentes em termos de captadores e outras possibilidades. Os modelos em linha atualmente são: Warr TSBass 5, 6, 7 e 8 cordas, Phalanx Series de 12 e 14 cordas, com o já citado “un-crossed” system, Artisan Series com corpo semi-acústico e cordas de nylon e captadores piezo elétrico na ponte, além dos tradicionais Artist Series e Trey Gunn signature, ambos com 8, 10, 11 e 12 cordas. O timbre do Warr é um pouco mais acentuado nas regiões médias, sendo que o sustain é maior do que no Stick. Os graves são mais suaves e o agudo mais guitarrístico. 
Dos músicos, adeptos do Warr guitars, mais influentes na atualidade temos alguns ex-Stick players: Trey Gunn (artista solo, King Crimson, California Guitar trio), Frank Paul, Paul Edwards, Frank Jolliffe e Randy Strom. No Brasil conhecemos apenas o músico e engenheiro de som (Berklee College) Otávio Brito como Warr guitar player. Acesse www.warrguitars.com e confira as novidades.
MOBIUS MEGATAR BASS A empresa é encabeçada por Traktor Topaz, um aficionado por tapping que durante anos negociava instrumentos usados, através da internet. Sua criação é bastante exótica, por conta do visual futurista. os instrumentos que ele constrói não possuem grandes variações entre os modelos. O design do corpo é sempre o mesmo: uma enorme paleta com uma divisão no meio, um capotraste normal de contrabaixo com um Velcro próximo ao 1º traste, para abafar as corda, captadores Bartolini Quad ou soapbars. Os modelos podem ser de 8, 10 ou 12 cordas. A linha completa inclui o Standard ToneWeaver us$2,395.00 que tem braço em Mahagony, fretboard feito em Rosewood e corpo construído com Sapele, o Fanned-Fret system com Twelve-Tone Bridge que é o mesmo ToneWeaver, mas com sistema diferenciado de trastes em diagonal formando um arco onde as cordas graves localizadas no extremo superior tem 35¨ de extensão e as agudas no lado inferior (do mesmo braço!) possuem 31¨ us$2,795.00, o True Tapper com braço em 4 partes de Maple e corpo em Alder pode ter variações no preço final por conta da escolha dos pickups us$995 a us$1395, o Max Tapper com braço em 4 partes de Mahogany e o fretboard de Rosewood. O corpo é construído em Sapele escuro, madeira melhor conhecido como African Mahogany. o MidiTapper Solo possui um set de 6 cordas normais de contrabaixo (B E A D G C) com um pickup Bartolini e um set agudo para as melodias com um pickup Photon MIDI. Já o MidiTapper Twin vem com dois sets de cordas para melodias e pickups Photon MIDI em ambos os lados. A correia fornecida com o Megatar, chamada MegaStrap (Utility Patent #6,359,203) é completamente diferenciada, pois em anatômico formato de X, presa ao corpo dos Megatar Basses, cruza totalmente as costas do músico e possui um terceiro ponto de apoio presa ao capotraste, desta forma o instrumento fica na posição vertical sem nenhum incomodo. O sistema MIDI que a Mobius Megatar usa em seus instrumentos é o Mobius 'Photon-Midi' Hex pickup em conjunto com Roland GR33 guitar synthesizer ou VG-88 V-Guitar system. A sonoridade do Megatar é bem próxima ao Warr, somente que com a região média nivelada. O timbre não possui a compressão característica da Stick sendo que estando mais próximo ao som do Warr. Por seu braço extremamente largo pode ser ideal para baixistas.
Alguns usuários do Megatar além do próprio Traktor Topaz são: Daniel Schell, Ted Rockwell e Ricky Wade. Traktor Topaz publica o informativo MegaTapper News e é autor do excelente livro “Easy touch-Style Bassics” com diversos exercícios para tapping rhythm bass. Ah! O site da Mobius é www.megatar.com.

BUNKER TOUCHBASS O nome de Dave Bunker já foi mencionado no início da coluna, onde traçamos um apanhado geral sobre a história da técnica de tapping e os instrumentos específicos. O aspecto visual deste instrumento é dos mais esquisitos. Um corpo retangular com dois braços sendo um de contrabaixo normal, 4 ou 5 cordas, e outro sendo mais parecido com uma steel guitar. Os braços possuem trastes angulados, sendo que o braço de guitarra vem com um captador Hex humbucking com 12 pólos individuais e 12 controles de balanço stereo (um par para cada corda) enquanto o braço de baixo é equipado com um captador Quad humbuking. Um processador controlável Electro-Mute system com 12 canais para a guitarra e 8 para o baixo proporcionam o abafamento perfeito para todas as cordas. O circuito eletrônico possui ainda controle de volume e pan para cada captador e duas bandas de freqüência de equalização com potenciômetros deslizantes. Ponte com sistema de duas afinação vertical by Dupont Delrin & Machine Brass, com o adicional de chave micro afinação para cada corda. Uma capa de metal sobre o corpo protege e isola as cordas agudas prevenindo ruídos mecânicos. Chave seletora de 3 posições para mute operation, saída stereo real e compartimento para bateria 9v com saída para adaptador externo. O som do TouchBass não é exatamente o mesmo do baixo elétrico com tapping. Com o timbre mais apagado e sem brilho, mesmo com cordas novas a área aguda assemelha-se a sonoridade do pedal steel. O preço desta beleza? Os modelo TG 2001 e BG 2001 saem pela bagatela de Us$4,295.00 com case, cabo stereo e adaptador 9v. visite www.bunker-guitars.com 
AUSTIN DOUGLAS GUITARS uma subsidiária da Warr a Austin Douglas guitars, sediada em Thousand Oaks (Califórnia, USA), fabrica  dois modelos simples de touch bass & guitar. Pode-se optar por 8 ou 10 cordas com corpo variando de Swamp Ash ou o avermelhado Mahogany enquanto a escala varia entre Pau Ferro ou Wenge. Escala com 24 trastes sem o dumper (Velcro abafador). Acompanha um único pick Bartolini passivo mono, tarraxas Gotoh, ponte em metal fabricada pela Warr com sistema through-the-body string anchoring, circuito ativo com 3 bandas de freqüência e gig bag. Como se pode ver o mais simples instrumento até aqui. Porém os preços... us$1,395.00 para os modelos de 10 cordas e us$1,375.00 para os 8 cordas. Soa como um baixo com alcance de 5 oitavas. Artistas que usam o ADG: Adam Levin e Ray Ashley. Para mais informações tente: www.austindouglasguitars.com e é isso!
BOX GUITAR Feito na Austrália este instrumento é o único headless dos analisados neste artigo. Com uma construção bem característica estes instrumentos são confeccionados em duas séries básicas SR (us$1,995.00 com case) e JC (us$2,095.00 com case). Pode-se escolher entre 8, 10 ou 12 cordas todos com escala de 24 trastes. Outro instrumento que tem a possibilidade de ser usado para tapping, slide e pizzicato, pois o espaçamento entre as cordas é de 10,5mm na ponte. O braço pode ser feito em 5 partes laminadas e neck-through-body ou em uma única peça e aparafusado. Uma opção exótica relacionada à quantidade de captadores 2, 4, 5 ou 6. A ponte chama a atenção por possuir apenas dois knobs que controlam (afinam) todas as cordas e podem vir opcionalmente com uma ou duas alavancas de bend (Whammy Bar) by Steinberger, capotraste com sistema de abafamento independente para cada corda. Há uma interessante opção de extensão de escala para cada modelo: escalas curtas SR630 (24.75¨ polegadas), SR640 (25.20¨), SR648 (25.5¨) e escalas longas JC32 (32¨), JC34 (34¨), JC35 (35¨). Pickups MIDI são oferecidos aos interessados, mas cada opcional aumenta o preço final em us$500.00. o timbre destes instrumentos está amplamente ligado à sonoridade da guitarra.  www.bme.com.au.
 Os preços citados nesta matéria podem sofrer alterações à qualquer momento, pois são válidos para Europa e América. Evidentemente existem, espalhados pelo mundo, diversos outros instrumentos e equipamento desenvolvidos com a finalidade do tapping, como por exemplo o SANTUCCI TREBLEBASS do luthier italiano Sérgio Santucci, que à princípio é uma guitarra de escala  27¨ e possui as 4 cordas do baixo além das 6 de guitarra, no mesmo braço (www.essentialstrings.com/santucci.htm). O SOLENE construído por Rich Eberlen em um tubo acústico de alumínio anodizado de 30¨ com 7 cordas, afinadas em quartas justas, e captadores individuais para cada corda ligados a um circuito ativo. Como os trastes estão colocados sobre o tubo da mesma maneira que em um braço de guitarra o músico poderá executar padrões melódicos mais facilmente. Seu timbre é bem peculiar. Imagine uma guitarra tocada dentro de um tubo! (us$800,00 www.flashnet/~solene/). O STARRBOARD de autoria de John Starrett, que diz criar um guitarra-baixo-piano (!) é realmente uma estranha criação. Composto por uma única prancha com 24 trastes e 24 cordas, sendo que outros modelos podem chegar a 52 cordas no total. O músico toca sentado, apoiando o instrumento no colo ou em uma mesa e executa tappings nas cordas. Como não possui corpo nem paleta a característica timbrística mais interessante do Starrboard é a ressonância dos graves.
 O TRAVELGUITAR de Charles Soupios de Denver (Colorado-USA), que criou este pequeno instrumento através da junção do corpo da guitarra com o do contrabaixo formando um único instrumento para ser usado com o tapping. Somente uma guitarra comum tocada com técnica de two-hands. ZTARR BASS, Harvey Starr criou este instrumento que possui o formato de uma guitarra ou baixo futurista onde em lugar de cordas existem pequenas teclas, chaves e botões para o músico tocar como tapping extraindo sons sintetizados e MIDIados. Não existem sons internos, apenas comandos MIDI. Músicos como Allan Holdsworth e Stanley Jordan usam o Ztarr 
(www.catalog.com/starrlab). Existem, também: SLEETHMOTAR, MOBIUS, ZETRICH, THE BIAXE, NOVAX FANNED-FRET, WITKOWSKI-GUITARS, HAMMATAR, SYNTHAXE MIDI e outros, que por Samples de músicas executadas com os instrumentos citados podem ser conferidas em inúmeros sites. Cds podem ser encomendados nestes sites ou em “excelentes" casas do ramo (excelentes sim, pois boas todas dizem que são...). Portanto, se está curioso em saber como é o timbre destes estranhos contrabaixos, vá pra NET surfar! 




 Music & Peace .:.













segunda-feira, 24 de junho de 2013

INSTRUMENTOS ESPECÍFICOS PARA TAPPING parte1

por Jorge Pescara
The Chapman Stick


A primeira vez que vi e ouvi um desses estranhos instrumentos foi quando eu era garoto, por volta de 1978, em um programa de clipes musicais da TV Cultura SP chamado Som Pop. O final dos anos 70 era uma época de ouro. Fervilhavam vídeo clipes e trechos de shows dos mais diversos: Kate Bush com seu Wuthering Heights, Cat Stevens com Moonshadow, Dire Straits e Sultans of Swing, Genesis com o clipe de I Know What I Like ao vivo, Kiss com Detroit Rock City e um obscuro show de Peter Gabriel com um, então, emergente baixista no cenário mundial: Tony Levin. Dos vários trechos deste show lembro-me claramente de duas pérolas do contrabaixo: A música Family Snapshot apresentava Mr. Levin com um fretless quatro cordas e escala de alumínio, além de um esquisito instrumento com várias cordas e uma sonoridade de contrabaixo na música Biko.
Após esta primeira exposição ao Stick (do qual eu não sabia nem o nome na época), vieram os anos 80 e, com eles, o BRock das mais variadas bandas. Uma das que me chamou a atenção foi a banda do tecladista performático Akira S & as Garotas que Erraram. Akira, um baixista nissei, aparecia em um show empunhando um Stick, foi o máximo!
Estava escrito: No futuro tocarei este baixo...
Bom! O Stick não é bem um contrabaixo, ele é mais do que isto. Diz-se por aí que o baixo é um triplo instrumento, que proporciona a base rítmica (junto com a bateria), a contra-melodia e a base ou fundamento harmônico. Somente devemos acrescentar que isto tudo está inserido implicitamente nas conduções (ou grooves) do instrumento. Por outro lado o Stick é harmônico, melódico e rítmico no sentido lato da expressão. Na verdade pode ser considerado como um instrumento realmente stereo com dois jogos de cordas distintos (podendo ser amplificado independentemente cada lado) onde acordes, linhas de contrabaixo, melodia, solos e ritmos podem ser explorados através da técnica de tapping. Vejamos onde isto nos levará:


O CRIADOR

Nossa história começa em um quente final de tarde sul-californiano de 26 de Agosto de 1969, onde um guitarrista, na época amador, de nome Emmett H. Chapman encerrava mais um dia de estudos jazzísticos. Emmett, que na época idolatrava nomes como Oscar Peterson, McCoy Tyner e Jimi Hendrix pesquisava formas de expressão diferenciada das convencionais, unindo o conhecimento jazzístico com a liberdade elétrica do rock. Nesta tarde, porém, exatamente as 18:30hs (hora local) suas mãos começaram a bater nas cordas com as pontas dos dedos extraindo sonoridades incomuns. Logo em seguida ele resolveu inclinar o braço da guitarra para uma posição mais vertical, facilitando assim a digitação. A história começava a ser escrita. Note que, apesar de estarmos falando do ano de 1969, não era a primeira vez que alguém executava o two hands no braço de uma guitarra. Nos anos 40 Jimmie Webster desenvolveu a técnica e lançou um obscuro livro com suas descobertas, porém contaremos esta história na próxima edição para extirpar as dúvidas e confusões que reinam sobre o tapping... Após esta primeira experiência Emmett partiu para adaptações em sua guitarra. Tais modificações consistiam em aumento de número de cordas (logo de início a inclusão da sétima corda, SI grave, abaixo do MI), ajustes no designe do corpo do instrumento, construção e modificação de outro braço mais largo e reto, enfim tudo o que pudesse proporcionar maior conforto, tocabilidade e expressividade. As conclusões iam se alternando e os avanços técnicos da parte de construção levaram Chapman a iniciar o projeto de um protótipo de nove cordas com um enorme captador localizado sobre as cordas, ao invés de embaixo delas. Seguiram-se outros protótipos, até a confecção do primeiro modelo industrializado, batizado de nº101 em 1974.  Tony Levin contou em entrevista recente como descobriu o Stick: “Nos anos 70 comecei a ouvir rumores sobre este novo instrumento que servia exclusivamente ao tapping. Nesta época eu costumava tocar muito com esta técnica no contrabaixo, assim muitas pessoas começaram a falar que o tal Stick era um bom instrumento para eu tentar. Após testa-lo, encontrei um mundo de oportunidades bem ali, ao lado do estilo tapping.“ Enquanto isso, Alphonso Jonhson, na época baixista do grupo Weather Report ao lado de Joseff Zawinul, Wayne Shorter e o brasileiro Dom Um Romão, iniciou suas  pesquisas sonoras com o Stick: “Certa vez eu estava descendo uma rua em Santa Monica – Califórnia – e ouvi uma sonoridade diferente vindo de um pequeno restaurante com música ao vivo. Quando entrei vi Emmett Chapman tocando o recém criado Stick somente com um baterista e fiquei hipnotizado. Após me apresentar a Emmett e conversarmos amenidades sobre música em geral resolvi encomendar um Stick. A possibilidade de tocar linhas de baixo e melodia ao mesmo tempo, me interessava enormemente.

No começo tudo o que fiz, por seis semanas seguidas, foi somente observar o instrumento no canto do quarto e tentar imaginar o que eu poderia fazer com ele, como ele poderia soar. É claro que quando finalmente, peguei no Stick comecei a tocar escalas, arpejos e progressões de acordes para adquirir um vocabulário para poder me expressar. Passei então um bocado de tempo tocando e praticando muito em casa, compondo temas e canções. Minhas habilidades técnicas nele não são tão fluentes quanto de outros Stick players, porque eu uso-o com propostas composicionais, ao contrário de usa-lo como instrumento solista. Além disso, muitas das bandas das quais participei já tinham guitarristas e tecladistas juntos, que preenchiam todo o espectro harm
ônico.” Com estes dois ícones do contrabaixo mundial fazendo o papel inconsciente de garotos propaganda o Stick ganhou fama rapidamente, levando Emmett para vários programas de televisão e entrevistas em revistas famosas. Até mesmo uma foto do, então garoto, Stanley Jordan pode ser vista no escritório da Stick, mostrando Jordan tendo aulas de tapping com o instrumento nos fins dos anos 70.  Hoje em dia pode-se encontrar um Stick exposto no famoso Smithsonian Institute ou como verbete do famoso dicionário musical Hal Leonard onde se lê: “Stick (Chapman), Instrumento elétrico de dez cordas (cinco de baixo e cinco de guitarra), com uma extensão de cinco oitavas, que utiliza uma técnica de pequenas batidas nas cordas.”

A CRIATURA
 
 THE STICK (www.stick.com) O instrumento de Emmett Chapman, que teve seu primeiro protótipo em 1969 e o primeiro a ser construído e comercializado em série em 1974, é assim constituído: Madeiras sul-americanas e africanas (tais como: Pau-Ferro, Teak, Oak, etc) são usadas para esculpir o Stick em uma única peça sem parafusos ou colagens, escala de 34¨ contendo 25 trastes e, no modelo tradicional, 10 cordas dispostas em dois grupos distintos, cobrindo 5¼ oitavas, onde o grupo de cordas agudas (de melodia) estão em quartas justas com a mais grave delas no centro do braço indo para o extremo inferior, sendo que a mão direita cruza o braço para toca-las e o grupo das cordas de contrabaixo dispostas com a mais grave (e espessa) também no centro, seguida das outras para o extremo superior, afinadas em quintas justas. Estas, executadas através da mão esquerda. O fabricante trás como opção de encordoamentos próprios fabricados pela D’Addario ou GHS com as seguintes especificações: .007¨, .008¨, .010¨, .014¨ e .022¨ para o grupo de cordas agudas, sendo .092¨, .065¨, .040¨, .022¨ e .013¨ para as cordas graves. Como se pode perceber, uma disposição (patenteada pelo fabricante) pouco usual, com as cordas graves no centro do braço e as agudas nos extremos, em dois grupos de quartas e quintas, mas que permite uma possibilidade infindável de padrões melódicos e harmônicos. Emmett Chapman diz que os proprietários de Stick podem optar por qualquer afinação que desejarem (dois grupo de cordas de guitarra, um de guitarra com o outro de contrabaixo, um de guitarra e outra com afinação de violino, etc…) desde que usem bitolas (espessuras) corretas de cordas e façam os necessários ajustes de tensor, ponte e capotraste.  Emmett adota como padrão a seguinte  afinação:

D A E B F# C G D A E. Enormes marcações (dots) estão distribuídas nos 2º, 7º 12º, 17º e 22º trastes. O instrumento vem com 10 mini tarraxas Gotoh, porém com abertura para as grossas cordas de contrabaixo. Também, o patenteado Fret-Rod™ design, que são trastes enormes e redondos feito de uma liga muito forte de metal, incrustados no braço; uma tira de velcro colada ao primeiro traste para abafar as cordas e prevenir ruídos não intencionais (ex: cordas esbarradas pelos dedos); uma ponte totalmente ajustável (altura, posição e extensão de cada corda) e um captador stereo double-coil humbucking (também totalmente ajustável com relação à angulação e altura dos pólos magnéticos) encapsulado em case de plástico moldado e metalizado com fibra de carbono/grafite condutivo, para prevenir a perda de agudos, fazem parte do hardware. Este último aspecto trás como único inconveniente um pouco de crosstalking (vazamento de sinal) entre os dois captadores. Apenas dois simples controles de volume!

É tudo que o instrumento tem de eletrônica, para, segundo seu inventor, privilegiar o sinal sem interferências O tensor possui ação dupla, funcionando nos dois sentidos, além de um gancho (Belt Hook) para prender o instrumento ao cinto e uma correia presa ao capotraste que é usada por trás do pescoço e do braço esquerdo do executante.  Desta forma o Stick é posicionado 75º em relação ao eixo do corpo do instrumentista e facilita a digitação em tapping por permitir que ambos os pulsos permaneçam retos enquanto os dedos estão perpendiculares em relação às cordas, ao contrário da guitarra e contrabaixo que ficam quase horizontais em relação ao corpo do músico. No lugar do tradicional capotraste o Stick vem com vários parafusos para ajuste de altura, sendo um de cada corda. O hard case fornecido com o Stick vem com um exemplar do método Free Hands escrito e editado pelo próprio Emmett Chapman, além de um cabo Y stereo, chaves para manutenção do instrumento e uma estreita correia de couro usada entre o braço e o pescoço do Stick player. São construídos, uma média de 80 instrumentos por mês.

            Além do The Stick us$1,341.00 outros modelos de Stick são construídos e comercializados, tais como o Grand Stick de 12 cordas us$1,641.00, o Stick Bass de 7 ou SB8 de 8 cordas, onde as cordas estão dispostas normalmente como no contrabaixo elétrico (a mais grave no extremo superior seguida das outras afinadas em quartas justas: B E A D G C F Bb), o NS8 Stick construído em conjunto com o luthier Ned Steinberg com fibra de carbono/grafite, além do AcouStick que é um Stick com cordas de nylon e caixa de ressonância acústica, como um violão. Outras possibilidades podem ser encomendadas para customizar o instrumento, como: metade do braço fretless, metade com traste, um lado fretless outro não, captadores MIDI baseado na IVL's guitar-to-MIDI technology (essencialmente um conversor Pitchrider 7000 Touch Board MIDI, com algumas mudanças no software para acomodar melhor às características do The Stick) com as 5  cordas agudas via MIDI. Isto adiciona us$900 ao custo final do instrumento. Dos usuários mais famosos do Stick podemos citar: Tony Levin (artista solo, Peter Gabriel, King Crimson e gravou usando o Stick em discos do Pink Floyd e Yes), Alphonso Johnson (artista solo, Weather Report), Nick Beggs (John Paul Jones Band, Kaajagoogo), John Myung (Dream Theater) e outros. No Brasil é raro encontrar profissionais que gravem e/ou toquem este instrumento, com exceção do baixista Akira S que gravou alguns bons pop-rocks nos anos 80 usando o Stick (inclusive em um vídeo clipe da banda “Akira S e as Garotas que Erraram”), do violonista André Geraissati que possui um modelo de 10 cordas, de mais uns dois ou três donos de Stick incógnitos pelo país.
Com isto, atualmente somente este que humildemente vos escreve, trabalha profissionalmente em gravações com o StickBass atualmente no Brasil (Cds “Lake of Perseverance” de Dom Um Romão, “Love Dance” de Ithamara Koorax, ZERØ “ElectroAcústico”, “Street Angels” com Luís Bonfá e “Brazil All Stars-Rio Strut” com Eumir Deodato). A sonoridade do Stick varia, é claro, conforme o modelo, mas o timbre em geral possui uma compressão natural, onde os graves possuem muita profundidade com decay curto, enquanto os agudos são claros e cristalinos (dependendo do desenvolvimento técnico de cada executante). Uma verdadeira percussão com notas!

O Stick acaba por se tornar um sinônimo de Tapping, pois além de ter sido projetado e construído com esta finalidade permite ao músico executar duas partes musicais independentes entre si, onde cada mão permanece atuante em um grupo específico de cordas, como por exemplo: condução de baixo na mão esquerda e melodia com a direita, ou condução de baixo na mão esquerda e harmonia com a direita, ou ainda condução de baixo junto com acordes (harmonia) na mão esquerda e melodia com acordes na direita… é claro que, como em qualquer outro amplo aspecto musical, pode-se quebrar estas regras a qualquer momento! O fato dos captadores serem em stereo faz com que se possa enviar o sinal das cordas agudas para processadores de efeito tais como reverb, distortion, delay e flanger enquanto as cordas graves podem ir para um compressor, envelope follower e tremolo, por exemplo.


QUEM É QUEM...

Diversos caminhos foram, ou, estão sendo trilhados pelos stickistas nestes anos todos. Podemos citar os principais como os bateras que usam o Stick para aplicações atonais poliritmicas com rudimentos e padrões, tecladistas que usam seu conhecimento harmônico-melódico para explorar todas as possibilidades de textura do 12 cordas, guitarristas que aplicam seus licks de rock e jazz nas cordas agudas enquanto fazem o auto-acompanhamento com a mão esquerda em acordes e linhas de baixo, violonistas clássicos que transpõe para o Stick peças de Bach e Segovia, além é claro, dos baixistas, que com fácil adaptação, extraem belíssimas linhas funk com as cordas graves. Estima-se que no início do ano 2000 seriam cinco mil usuários espalhados pelo mundo do jazz ao rock, passando pela fusion, funk e r&b chegando ao pop, clássico e latin music com ritmos africanos e brasileiros como o próprio Emmett Chapman, seguido de Trey Gunn, Greg Howard, Bob Culbertson (América), Virginia Esplendore (Itália) in memorian, Guillermo Cides (Espanha) e Diego Souto (Argentina) dentre outros. Dos baixistas usuários mais famosos do Stick podemos citar:

Tony Levin (artista solo, Peter Gabriel, King Crimson e gravou usando o Stick em discos do Pink Floyd e Yes), Alphonso Johnson (artista solo, Weather Report), Nick Beggs (John Paul Jones Band, Kajagoogoo), John Myung (Dream Theater) e outros. No Brasil é raro encontrar profissionais que gravem e/ou toquem este instrumento, com exceção do baixista Akira S que gravou alguns bons pop-rocks nos anos 80 usando o Stick, do violonista André Geraissati que possui um modelo de 10 cordas, do músico e engenheiro de som (Berklee College) Otávio Brito, empresário da AMI importadora de instrumentos musicais, que também toca um Warr guitars (instrumento similar ao Stick) e mais uns dois ou três donos de Stick incógnitos pelo país, não se tem notícias confirmadas sobre Stickistas  brasileiros. Com isto, somente este que humildemente vos escreve, trabalhou profissionalmente em gravações com o StickBass no Brasil (Cds “Lake of Perseverance/Irma records Italy-2001” de Dom Um Romão, “Love Dance/Fantasy records-2003” de Ithamara Koorax, ZERØ “ElectroAcústico/Sony-2000”, “Street Angels” de 1999 com Luís Bonfá e “Brazil All Stars-Rio Strut/Milestone-2003” com Eumir Deodato). O Stick acaba por se tornar um sinônimo de Tapping/TwoHands/Touchstyle


, pois além de ter sido projetado e construído com esta finalidade permite ao músico executar duas partes musicais independentes entre si, onde cada mão permanece atuante em um grupo específico de cordas, como por exemplo: condução de baixo na mão esquerda e melodia com a direita, ou condução de baixo na mão esquerda e harmonia com a direita, ou ainda condução de baixo junto com acordes (harmonia) na mão esquerda e melodia com acordes na direita… é claro que, como em qualquer outro amplo aspecto musical, pode-se quebrar estas regras a qualquer momento! O fato dos captadores serem em stereo faz com que se possa enviar o sinal das cordas agudas para processadores de efeito tais como reverb, distortion, delay e flanger enquanto as cordas graves podem ir para um compressor, envelope follower e tremolo, por exemplo. Enfim, o instrumento está aí aguardando mentes abertas para a experimentação e, quem sabe, um novo caminho alternativo para a música, que teima em ter instrumentistas que se contentam em, simplesmente, reafirmar o mesmo de sempre: Aquilo que já foi dito!

Ah! Ali havia um Stick?..

Muitos de vocês, caros amigos, já ouviram o som do Stick em um disco famoso e nem se deram conta disto. Somente para se ter uma idéia, segue uma pequenina lista com os artistas, discos e o nome do Stickista na gravação:
·         Peter Gabriel: II, III, IV, Plays Live, Us, Secret World Live (todos com Tony Levin no Stick de 10 e 12 cordas)
·         Pink Floyd: A Momentary Lapse of Reason (Tony Levin novamente)
·         Yes: Union, ABWH (no Stick… Tony Levin! alguma dúvida?
·         King Crimson: Discipline, Beat, Three of Perfect Pair, Vroom, Thrak, B’Boom (quem poderia ser, senão… Tony Levin)
·         Tangerine Dream: Lily on the Beach (Paul Haslinger Stick 10 cordas)
·         Aerosmith: Nine Lives (Tom Hamilton Stick 10 cordas)
·         Dream Theater: Falling into Infinity (John Myung Stick MIDI 10 cordas)
·         Kajagoogoo: Islands (Nick Beggs Stick MIDI 10 cordas)
·         Paul Young: No Parlez (Pino Paladino! Sim, até o mestre do fretless pop rendeu-se ao StickBass)

 Music & Peace .:.



terça-feira, 9 de abril de 2013

LUIZÃO MAIA, UM MESTRE, UMA LIÇÃO DE VIDA

por Jorge Pescara

Decidi reproduzir duas das várias entrevsitas que fiz com Luizão Maia para revistas especializadas como forma de homenagear este mestre...

Luiz Oliveira da Costa Maia, este é o nome do grande mestre do contrabaixo elétrico no Brasil. Considerado pela comunidade das quatro cordas como o pai do samba-jazz brasileiro por suas contribuições técnicas nos grooves deste estilo, Luizão começou com a guitarra aos 13 anos, mudando em seguida para o contrabaixo acústico onde se firmou acompanhando Tânia Maria em 1964. A partir de 1968 começa sua longa jornada como principal sideman de Elis Regina. Ele mudou o rumo e a forma de se tocar samba; acompanhou os maiores nomes da música mundial, como Elis Regina, Bebel Gilberto, Milton Banana, Lisa Ono, Creed Taylor, Toots Thielemans, Claus Ogerman, Stan Getz, Lee Ritenour, George Benson, George Duvivier, Oscar Castro Neves, João Gilberto, João Bosco, Roberto Carlos, Astrud Gilberto, César Camargo Mariano, Helio Delmiro, Raphael Rabello, João Donato, Danilo Caymmi e Luiz Bonfá; dirigiu a OMB do Rio de Janeiro, cidade onde nasceu em 1949, e enfim, foi um visionário que um dia sonhou tornou-se músico e criou história. Luizão Maia, como foi carinhosamente chamado em mais de 30 anos de carreira, foi uma lição de vida, em vida! Acometido de um derrame cerebral que paralisou seu lado direito do corpo no início dos anos 90, Luizão passou a morar no Japão ao lado da esposa Yoko Bekku para tratamentos alternativos e continuar com trabalhando. Conseguiu. Venceu por 10 anos a barreira da enfermidade. Vendeu caro sua incapacidade motora, pois desenvolveu um jeito próprio de driblar a doença e continuar seguindo em frente. Em um dia 28 de Janeiro alguns anos atrás, Luizão foi vencido pelo terceiro derrame, “mas o quê” se ele já havia vencido a própria vida!


Em 1997 Luizão cedeu-nos esta descontraída entrevista que reapresentamos, de forma condensada, nesta ocasião. Uma singela maneira de homenageá-lo.

Como é que foi o começo de sua carreira?

Meu pai acreditou em mim. Ou seja, eu disse para o meu pai: “Pai, eu quero um baixo”. Meu pai não era uma pessoa rica. Trabalhava numa indústria alemã de remédios chamada Schering. Eu arrumei o baixo, ele foi lá comigo para comprarmos.

Isso foi aqui no Rio?

Sou de Vila Isabel. É difícil encontrar músico nascido no Rio não é (risos). É porque o Rio é lugar pra nego vir, não é pra sair... Bom! Aí comprei o instrumento. Era muito ruim. Mas foi até que consegui tirar som com ele. Era um baixo acústico Tcheco ruim pra caramba. Com corda de tripa e uma lateral pintada de preto. Terrível. Comprei do Armando Cotó, que tinha esse apelido por não ter 3 dedos da mão... Agora veja meu caso, eu sou um baixista que não tem uma mão (Luizão brinca descontraidamente com seu próprio problema de saúde). Mas de qualquer maneira, quanto maior o problema, maior o desafio e melhor será a vitória.  Eu sou um cara protegido do céu. Sou músico, faço o que gosto. Meu pai me ajudou, me deu apoio. Continuei estudando e consegui levar minha vida.

Como é que veio aquela idéia de criar aquela condução de samba o baixo?

Não é idéia. Aquilo aconteceu comigo e era eu que estava na vitrine. Se você estiver na vitrine e tiver que fazer alguma coisa boa, você faz. Se você for bom, se tiver consistência, a coisa emplaca. O contrabaixo que eu faço no samba vem do surdo. Há uma música que diz que samba não se aprende na escola. É mentira! É na “Escola de Samba” que está os samba. Eu afinava com o surdo nas gravações, pra não embolar o som. Eu fazia exatamente a linha do surdo, só que com notas. Porque o surdo é burro, um swing desgraçado, mas é burro porque é tem uma nota só. Aí o baixista dá as notas certa e resolve o problema. A mídia falava que eu não embolava com o surdo e por isso era um grande mestre. Foi legal pra mim.

A linguagem antes do Luizão era completamente diferente. Não tinha tantas notas mortas no meio... aquela coisa que dá o swing. Não é verdade?

Exatamente. O importante no baixo é a nota que você não toca. Você interfere, mas não toca. Eu continuei as coisas, porque ninguém cria, apenas aperfeiçoa. Chamo isto de sambaixo!

Quais são suas influências musicais?

Todos os baixistas. Eu gosto mesmo é do Bebeto do Tamba Trio, ficava emocionado com ele. Do Tião neto do Bossa Três, do Sergio Barroso, Ron Carter... eu pensava até que ele era mais velho, mas é mais ou menos a minha praia. O que eu mais gosto é o Neils Pedersen. Fiz um chorinho uma vez, chamado “Chorinho Com Xis”, para contrabaixo, aí o Neils Pedersen gravou. Cara, este foi o maior premio que eu recebi, o cara que eu mais gosto gravou minha música.

Como foi a transição do acústico para o elétrico?

Eu não fiquei muito chocado não porque eu tocava o baixo acústico, mas ninguém escutava o que eu estava tocando. Acontecia o mesmo com os outros. Em São Paulo tinha o Chú Viana. O Chú tocava pra caramba, mas não dava pra ouvir. Aí veio o baixo elétrico e todo mundo podia ouvir. Eu tocava jazz com o Victor Assis Brasil, então resolvi montar o Formula 7 com o guitarrista Hélio Delmiro. Vieram o Marcio Montarroyos no trompete, Cláudio Caribe na batera, João Luis na outra guitarra e o Hélio Celso no piano.

Vocês misturavam influencias brasileiras com...

Não. Jazzísticas mesmo. E... bom! A influencia brasileira é natural, porque éramos todos brasileiros. É aquele negócio de ter um americano e um cubano tocando. Você reconhece (pelo som) quem é o cubano e quem é o americano.

Como criador deste sambaixo como é que você vê a MPB atual (1997), na visão do baixista?

O que acontece é o seguinte. A música está um problema muito grande. Não vou pixar ninguém, mas você viu quem foi representar o Brasil no Festival de Jazz de Montreaux este ano (1997)?.. (Luizão referia-se a mais um grupo de axé music...) eu posso dizer (com orgulho) que quando eu fui representar o Brasil, pra público estrangeiro, estava tocando com Elis Regina e com Hermeto Pascoal, e isto não foi nenhuma vergonha como a deste ano. De lá fomos para o Japão. Eu acho que (por causa disto) os músicos estão tendo uma crise de identidade, de trabalho, crise financeira, no seguinte: o camarada não pode mais ser músico, tem que fazer outra coisa pra viver. Só vai tocar por dinheiro. O Hermeto falou uma coisa: “o músico acaba quando ele vira um profissional. Enquanto ele ta querendo tocar, quer só tocar. Na hora que ele passa a ganhar do trabalho dele, e se conscientiza disto acabou o músico.” O Hermeto tem 60 anos e diz que a cada dia toca melhor que no anterior. Quem é que pode falar isto? Ele estuda até 5 horas por dia e pode dizer estas coisas. A crise é esta, não há mais músicos só mídia... o músico tem que ser artístico... o Japão ta cheio de baixistas bons, mas são todos muito técnicos e muita técnica não fala nada à alma. Não se pode ser só técnico. Se o cara é técnico muito bem, pode “ganhar a corrida”, mas eu quero ver gravar o disco. E a intenção é essa, não é?

Das formações que você tocou, qual a que você chamaria ideal?

Aquela de Montreux: Elis Regina, Hélio Delmiro, Paulo Braga e eu. Tinha também o Chico Batera, muito meu amigo. Comecei a tocar com ele e a Tânia Maria no piano.

O que o baixista deve estudar para ser profissional hoje?

A condição de trabalho agora para o baixista eu não sei se continua a igual. Eu sou da época que se gravava com Clara Nunes, Bete Carvalho, com todo mundo, e o baixista ficava no cantinho dele. Vinha uma partitura, ele lia e tocava... então é o seguinte: o músico tem de estudar teoria e partitura, conhecer a clave de FA... não to querendo dizer que sou o rei da leitura, mas todos têm que estudar e pesquisar muitas coisas. Principalmente conseguir sua voz própria que é a coisa mais preciosa.




ESTE BATE-BOLA COM LUIZÃO MAIA OCORREU EM TÓQUIO, JAPÃO - 2001

Poderia nos descrever o assim chamado “sambaixo” (maneira peculiar de condução de samba que Luizão criou nos anos 70)?

Fica difícil (analisar), porque para mim é apenas a maneira que eu gosto de tocar, e as pessoas curtem, mas um professor da Berklee analisou a levada e disse que tinha uma ghost note fazendo a percussão, junto com o surdo marcando forte o segundo tempo.

Quem você poderia citar, hoje em dia no Brasil, como seguidor ou discípulo mais próximo da sua maneira de tocar?

Meu filho Zé Luiz e o meu sobrinho Arthurzinho (Maia). O meu caçula, Lupa, de 17 anos, também está tocando baixo e é muito musical.

Seu famoso timbre vem do uso das unhas no pizzicato das cordas. Isto se deve a uma opção timbrística própria, uma facilidade técnica ou o quê? Que influência tem seus instrumentos ou amplificadores no timbre final?

É uma facilidade técnica natural. Agora, o instrumento e o amp não significam quase nada, a voz do baixista está na pegada, com um baixo bem regulado e um som bom, o resto tem que ser na mão mesmo.

Hoje em dia você utiliza a técnica de “tapping” com a mão esquerda, para tocar. Você desenvolveu algum sistema específico para este fim? E mais. Você usava o StickBass...

É um instrumento muito bem bolado, o som é interessante, mas teria que ser um cara que toque especificamente o Stick ou violão clássico, por exemplo. Quanto à pergunta anterior, eu procurei um equipamento nos Estados Unidos que já haviam me falado a respeito, mas não encontrei. Uso apenas um elástico nas cordas para abafar.

Quem você poderia creditar como sendo sua influência no passado?

Qualquer baixista que eu gostasse de ouvir já me influenciava, mas quem tocava muito naquela época eram o Tião Marinho, o Bebeto do Tamba trio e o Sérgio Barroso.



DISCOGRAFIA SELECIONADA
Regina Elis: Ao Vivo
Oscar Castro-Neves: Brazilian Scandals
Gal Costa Itada: De Domingo 1967 a Minha Voz
Toninho Horta: Moonstone
Antonio Carlos Jobim: &... Elis & Tom
Antonio Carlos Jobim: Verve Jazz Masters 13
Antonio Carlos Jobim: Antonio Carlos Jobim's Finest Hour
Quarteto Em Cy: Sing Vinicius De Moraes
Raphael Rabello: Todos Os Tons
Raphael Rabello: Mestre Capiba
Lee Ritenour: Rio

Uma visão musical atual e sincera... Mais um mestre a colorir a tela celeste com sons de um 4 cordas...
Obrigado Luizão, por nos mostrar o caminho!

Music & Peace .:.


quinta-feira, 7 de março de 2013

O CONTRABAIXO NO BRASIL

por Jorge Pescara
Copa 5 (Meireles, Vinhas, Manoel Gusmao, Dom Um  e Pedro Paulo)

Chu Viana
            Tudo começa com o contrabaixo acústico entrando nas gravações substituindo a tuba (instrumento de sopro com pistões/chaves de grandes proporções, enorme campana que produz uma sonoridade grave próxima à do contrabaixo, porém de difícil entonação e execução). A primeira gravação musical profissional, de que se tem notícia no Brasil, foi o samba “Pelo Telefone”, de Donga, onde não foi usado o contrabaixo. No Brasil o baixo elétrico foi introduzido na década de 60 substituindo gradativamente o baixo acústico, muito comum em bandas de baile, orquestras e trios de Jazz-Bossa Nova. Nesta época os baixistas mais atuantes eram Chú Viana, Sabá, Capacete, Boneca, Bandeira, Luis Chaves, Sérgio Barroso, Tião Neto, Bebeto, Azeitona, Théo de Barros, Tião Marinho, Fernando Marinho e Manuel Gusmão, todos baixistas acústicos. Houve certa resistência por parte dos músicos, porém com o passar do tempo a aceitação foi cada vez maior e o contrabaixo elétrico passou a figurar nos movimentos musicais mais importantes da época, ou seja, grandes festivais de música da TV Record, Tropicália (conceituada pela intelectualização e pelo despontar das cabeças pensantes na cultura musical brasileira), Jovem Guarda (e a junção da MPB com o Rock'n Roll), Bossa Nova (e mútua troca de influências com o Jazz norte-americano), etc. 
Tenório, Tião neto e Edson Machado
A partir daí surgem: o argentino radicado brasileiro, Willy Verdaguer de Caetano Veloso e dos “Secos & Molhados”, com sua linguagem exótica e palhetada à la Chris Squire do YES, além de Arnaldo Dias Baptista dos “Mutantes”, om o baixista Nenê do grupo Os Incríveis (também com Elis Regina e Raul Seixas), seguidos dos grupos “Tutti Frutti” do excelente baixista e compositor Lee Marcucci, “A Bolha” do baixista Arnaldo Brandão, “Casa das Máquinas”, “Joelho de Porco”, “Motto Perpetuo” com Gerso Tartini no baixo, “Made in Brasil” com o líder e contrabaixista Oswaldo Vecchiono, “A Cor do Som” com multi-instrumentista Dadi, misturando ritmos brasileiros (como o chorinho) com o rock, o grupo vocal/instrumental “Boca Livre” com o discípulo de Pastorius Maurício Maestro no baixo e Luís Fernando que acompanhou “Guilherme Arantes”, dentre muitos outros. Por outro lado, na parte da criação e idealização de instrumentos Luizão Maia, baixista acústico que migrou para uma das primeiras gerações do elétrico nacional, atesta em entrevista (revista Backstage edição nº 33, 1997, pág 57) que foi o idealisador do baixolão (baixo eletroacústico em formato de violão) quando encomendou na década de 70 um instrumento com o bojo do violão folk, mas com braço e cordas de baixo elétrico na extinta fábrica de instrumentos musicais brasileiros, Del Vecchio.
OS CONTRABAIXISTAS BRASILEIROS



Luis Chaves




Sabá
    Tão importante quanto à chegada do instrumento elétrico ao Brasil são os músicos que fizeram o nome deste instrumento na nossa música, deixando suas características marcantes na execução do baixo, seja em gravações ou apresentações ao vivo. No contrabaixo acústico podemos dizer que Manoel Luiz Lameira Viana, conhecido como Chú Viana, foi o primeiro instrumentista a tocar num estilo jazzístico e sem a preocupação de ler partitura, isto conforme descrito por Sabá (contrabaixista acústico irmão de Luis Chaves). Sabá conheceu Chú Viana em 1952. Chú Viana é apontado como influência direta ou indireta por oito em cada dez baixistas daquela época. 

Os principais grupos de samba jazz dos anos 60 eram Jongo Trio, Edson Machado Trio (Ricardo Santos), Tamba Trio (Tião Neto), Bossa Três (Bebeto), Zimbo Trio (Luis Chaves), Sambalanço Trio, Anjos do Inferno, Bando da Lua, Os Cariocas, Fórmula 7 (Luizão Maia), além de muito outros. Alberto Gordo, Newton Campos, Mathias Matos, Nilson Matta... Analisando de forma isenta, todos estes podem ser sintetizados em Sérgio Barroso, cuja técnica no acústico é impressionante. 
Luizão Maia
Na transição para o baixo elétrico os instrumentistas utilizaram uma adaptação da técnica do acústico, apresentando, até então, pouca inovação realmente representativa, porém isto veio a mudar quando o contrabaixista carioca Luizão Maia faz seu debut. Luizão colocou swing e molho nos grooves de MPB com inclusão de ghost notes nas levadas de Samba e fragmentos de condução de Jazz na música brasileira. Seu extenso trabalho em shows e gravações, principalmente os discos com Elis Regina são prova fiel deste fato. Como exemplo citamos o álbum: Elis Regina Montreux Jazz Festival, ao lado de César Camargo Mariano no piano e sintetizadores, Hélio Delmiro na guitarra, Paulo Braga na bateria e Chico Batera na percussão. O trabalho de Luizão na música “Cobra Criada”, deste mesmo disco, é um marco histórico no avanço técnico do instrumento no Brasil. Luizão trabalhou com praticamente todas as estrelas da MPB até inicio da década de 90, quando infelizmente sofreu um derrame que paralisou seu lado direito do corpo. Hoje, vivendo no Japão, Luizão faz tratamentos alternativos, sempre acompanhado de sua esposa Yoko Bekku, atuando, paralelamente, em shows de música brasileira tocando apenas com a mão esquerda batendo os dedos nas notas (algo como a técnica de tapping). Durante a transição dos anos 60 para os 70 os baixistas acústicos continuaram sua trajetória, enquanto outros migravam para o elétrico. A esta altura uma nova geração de baixistas elétricos estava nascendo no país. Seguindo os passos de Luizão surge Sizão Machado. 
Sizão Machado
Este paulistano convicto, que já atuou ao lado de Milton Nascimento, Chico Buarque de Holanda, Ivan Lins, Joyce, Batacotô, Djavan e Elis Regina, desenvolveu um verdadeiro dicionário de levadas e grooves afro-brasileiros em seus dez discos com Djavan e a banda Sururu de Capote. Todo este trabalho está sutilmente sintetizado no disco de estréia do grupo Batacotô. Merece ser citado também, Arnaldo Dias Baptista dos “Mutantes” que foi um dos primeiros na área de elétrico no Pop nacional, ao lado do irmão Cláudio César Dias Baptista ícone no desenvolvimento tecnológico de instrumentos, amplificadores, efeitos e caixas acústicas artesanais nacionais. Aliás, neste quesito, equipamentos nacionais, nos primórdios dos tempos da eletrônica tupiniquins, tiveram também os srs. artesãos Del Vecchio, Di Giorgio e Giannini, além de marcas como Begher, Phelpa, Snake, Ookpik, Finch e os artesãos de baixos acústicos e elétricos como Victorio, Benvenuti e Lucchesi. Devemos muito à eles. Paulo César Barros, conhecido como PC, baixista e cantor da banda pop “Renato e Seus Blue Caps”, admite ter sido o primeiro a trazer a técnica de Slap para o país, no início dos anos 70. Aliás, sua técnica é muito peculiar. Em suas viagens ao exterior trazia métodos e idéias novas que logo eram passadas aos colegas. Outro ilustre que pode muito bem ocupar a cadeira nº5 na “Academia Brasileira do Contrabaixo” é Alex Malheiros do grupo Azimuth. Nos anos 70 fez muito sucesso no exterior com grooves e solos com uma linguagem particular e interessante misturando o Samba-funk com o Pop e o Jazz. Sua linguagem é bem definida com muitas semicolcheias e timbre médio-agudo. A esta altura o cenário já estava tomado por dezenas de feras do contrabaixo: Moacyr Albuquerque, Rubão Sabino, Milton Botelho, Jorge Degas, Jacaré, Novelli, Dininho, Toinho, muitos dos quais podem ser conferidos em centenas de gravações espalhadas por aí. 
Cláudio Bertrami
O paulista Cláudio Bertrami é considerado um dos pioneiros no baixo fretless (sem trastes) e picolo (escala curta com cordas finas afinadas uma oitava acima do normal) no Brasil. Cláudio possuía um estilo próprio de executar música brasileira com swing e precisão no baixo sem trastes. Acometido por um derrame que paralisou seu lado esquerdo integralmente em 1986, Cláudio dedicou-se ao desenvolvimento de métodos de ensino e lecionou até falecer em 2002 na cidade de Tatuí onde residia com a família. Ficam como legado seus discos, principalmente os raríssimos discos com o grupo Medusa “Medusa” e “Ferrovias”. Finalmente outro músico que marcou época no contrabaixo brasileiro foi o saudoso Nico Assumpção que levou ao extremo a arte de grooves e solos nas 4 cordas. Nico aprimorou-se nos Estados Unidos e com seu inseparável baixo Wood de 6 cordas (instrumento artesanal brasileiro) espantou o mundo acompanhando João Bosco. 
Jamil Joanes


No final dos anos 70 veio uma safra de excelentes músicos que brilharam na década seguinte, explorando o legado deixado pelos mestres que os precederam. Citando alguns mais conhecidos: Bororó, Jamil Joanes, ambos seguindo a escola Luizão Maia, sendo que Jamil despontou para a comunidade dos contrabaixistas ao participar do super grupo Black Rio no final dos anos 70, causando verdadeiro furor com suas linhas samba-funk-soul; Luis Alves, Gabriel Balis, Bruce Henry, Zeca Assumpção, Jorge Oscar e Jorge Helder, alguns dobrando entre o elétrico e o acústico, Arthur Maia, com uma atitude mais pop no palco atraindo jovens de todas as idades com sua sonoridade Jaco Pastorius/Marcus Miller, mesclando lirismo e melodias cheias de melismas e inflexões; Celso Pixinga e seu slap mortal, com um dos melhores timbres de contrabaixo de que nosso país tem notícia, além, é claro, de multi-instrumentista Arismar do Espírito Santo e seu estilo debochado e sonoridade rascante, usando diversas técnicas inusitadas para extrair sonoridades diversas, além de Pedro Ivo, Paulo Soveral, Itamar Colaço, Itiberê Zwarg, Fernando Souza, Dárcio Ract e o mago do pizzicato André Gomes. Nos anos 80 o Brasil foi literalmente envolvido por vários grupos instrumentais, cujo principal foco principal era a fusão de estilos. Podemos exemplificar este fato citando o “Cama de Gato”, com Arthur Maia, “Medusa” de Cláudio Bertrami, “Pau Brasil”, com Rodolfo Stroeter, “Kali” da bela Ge Cortez, “High Life” de Nico Assumpção, “Zona Sul” com Celso Pixinga e “ZonaZul” de Silvio Mazzuca Jr. A década de 80 ainda apresentou outras novidades na área do pop-rock como Liminha , Dé “Barão”, Renato Roquete “Marina”, Nilo Romero “Cazuza”, Bi Ribeiro “Paralamas”, Nando Reis “Titãs”, Ricky Villas-Boas “ZERØ”, Didi Gomes “Gilberto Gil”, Scowa “Máfia” e Tavinho Fialho “Caetano Veloso”. Hoje, preferimos aguardar para que o tempo se encarregue de demonstrar, com sua linguagem imparcial e justa, aonde desaguará este brasileiro rio das cordas graves!

Gostaria de citar alguns outros baixistas que também fazem parte desta história: Adriano Giffoni, Pedro Ivo, Zeca Assumpção, Chico Gomes, Jorjão Carvalho,  Paulo Lepetit, Paulo Russo, Yuri Popoff, Zuzo Moussawer, Itamar Collaço, Itiberê Zwarg, Marcelo Mariano, Fernando Souza, Rubens Sabino, Moacir Albuquerque, Milton Botelho, Jorge Helder, Jorge Degas, Nenê, Jacaré, Décio Rocha,  Gérson Frutuoso, Alberto Gordo, Paulo César Barros PC, Maurício Maestro, Novelli, A.C., Bruce Henry, Bira Sexteto, Dunga, Prateado, Papito, Tião Marinho, Fernando Marinho, Ricardo Santos, Dininho, Toinho, Paulo Brandão, Edú Martins, Luís Fernando, Nenê de Campinas, André Neiva, André Gomes, André Rodrigues, Liminha, Lee Marcucci, Andria Busic, Didi Gomes, Rodrigo Barão Vermelho, Gilberto Pinto, Geraldo Vieira, André Vasconcelos, Ronaldo  Diamante, Paulo Brioshi, Geisan Varne, Glauco Sölter, Gilberto de Syllos, Ézio Filho, Tuca Alcântara, Max Robert, Ximba Uchiama, Scowa, Paulo Soveral, Rogério Botter Maio, Paulo Padilha, Zéli, Fernando Savaglia e... é claro,Tavinho Fialho (in memorian).
Enfim todos que contribuem pela evolução do contrabaixo nacional!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

TIPOLOGIA DO INSTRUMENTO



TIPOLOGIA DO INSTRUMENTO
por Jorge Pescara




O termo baixo elétrico nasceu do americano Electric Bass Guitar, com a invenção do primeiro Fender Precision (1951), ou seja, da família da guitarra elétrica. Isto tem o mesmo significado que contrabaixo elétrico (por vezes os americanos usam o termo Electric Contrabass Guitar para designar baixos de mais de cordas). Devemos perceber, por outro lado, que contrabaixo acústico (criado no século XVIII na Itália e pertencente à família do violino) refere-se ao enorme instrumento acústico usado em orquestras de música clássica e conjuntos de jazz com o arco ou em pizzicato. O Baixo acústico possui uma escala medindo por volta das 41 polegadas. O baixo acústico também é conhecido como Upright Bass, String Bass, Acoustic Bass, Orchestral Contrabass, Dog House, Grande Contrabass, Rabecão, portanto este termo não pode ser usado para o contrabaixo eletro-acústico em formato de violão (acoustic bass guitar, muito similar ao Guitarrón dos grupos Mariachi mexicanos) que foi a febre do Unplugged  na MTV americana. Para este instrumento pode-se usar o termo Baixolão ou até mesmo o simpático Violaxo. Os amantes do grupo The Police devem-se lembrar quando o Baixista-vocalista Sting usou um estranho contrabaixo de quatro cordas na música Walking on the Moon por volta de 1982. O baixo a que me refiro é um instrumento totalmente elétrico, mas com as proporções do baixo acústico. Melhor dizendo, pense em um baixo acústico e retirem dele seu enorme corpo, instalando no lugar um corpo pequeno e maciço. Permanece a extensão da escala, as cravelhas o cavalete e as cordas do acústico. A esta estranha configuração os americanos batizaram de Electric Upright Bass, algo como Baixo elétrico em pé, ou sei lá! Eu os chamo de baixos verticais (Vertical Bass).  Portanto, lembre-se:


Contrabaixo Elétrico (ou baixo elétrico) = Baixo da família da Guitarra (4, 5, 6, 7, 8, 9, 10... cordas)

Contrabaixo Acústico (ou baixo acústico) = Baixo da família do Violino
Baixolão (ou violaxo) = Baixo da família do Violão elétrico 
Baixo Vertical = Baixo elétrico com as proporções do acústico. 

FAMÍLIA DO CONTRABAIXO
CONTRABAIXO ACÚSTICO


“Os Ancestrais ou parentes mais próximos de vários dos instrumentos musicais de hoje podem ser traçados com certa precisão. Já para os instrumentos de arco, como o violino ou o violoncelo, são muitas as dificuldades em se estabelecer quando eles apareceram. O Contrabaixo e outros instrumentos com este tipo de função também se encontram neste caso.

As origens do contrabaixo remontam a cinzenta idade média. Descendente de uma família chamada “Violas”, que se dividia em dois grupos: violas de braço e violas de pernas. O Contrabaixo é hoje o herdeiro maior e de som mais grave deste segundo grupo. Porém, o caminho que foi percorrido para se chegar até ele nem sempre é fácil e seguro de ser traçado. Por volta do ano 1200, o nome Gige era usado para denominar tanto a Rabeca (instrumento de origem árabe com formato parecido com o Alaúde) como o Guitar-Fiddle (espécie de violão com formato parecido com o do violino). Na Alemanha, naquela época, quase todos os instrumentos tocados com arco eram chamados pelo nome de Gige (havia o pequeno e o grande Gige).




A música que era executada nesta época era bastante simples, com as composições situando-se dentro de um registro bastante limitado e a harmonia restringiam-se a partes de duas ou três vozes. Era muito comum na época instrumentos e vozes dobrarem as partes em uníssono. Com o desenvolvimento de novos estudos harmônicos, o número de partes foi expandido para quatro. Em 1450, aproximadamente, começou-se a usar o registro de baixo, que até então não era considerado. Com esta nova tendência para os graves, os músicos precisavam de instrumentos especiais capazes de reproduzir ou fazer soar as partes graves. A solução encontrada pelos construtores na época (luthiers) foi simplesmente reconstruir os instrumentos existentes, só que em escala maior, aumentando-lhe o tamanho, mas sem trocar a forma ou o modo de construção desses novos instrumentos. Verificamos aí que a evolução técnica e artística de um instrumento qualquer estão imprescindivelmente ligados a história da música. Assim, a evolução no número de partes da harmonia trouxe a necessidade de se criar outros instrumentos que desempenhassem satisfatoriamente aquela nova função.





Historiadores narram que no ano de 1493 alguns músicos espanhóis, ao visitarem a Itália, ficaram maravilhados ao verem violas tão grandes. Na Itália, as violas tinham três tamanhos: a viola da Gamba aguda, a tenor e a viola baixa. No fim do século XVI, a família chegou ao número de seis membros com a adição do pequeno baixo da Gamba, grande baixo da Gamba e sub-baixo da Gamba.  Houve uma considerável experimentação com relação às violas, algumas chegando a ter corpos de enormes proporções, outras, com vários formatos e tamanhos. O ancestral mais próximo do Contrabaixo foi o Violone. Esse nome que é freqüentemente encontrado referindo-se ao contrabaixo, originalmente aplicava-se a qualquer dos instrumentos da família das violas, fosse ele grande ou pequeno. No início do século XVII, o Violone tornou-se o nome que designava o maior de todos: a Viola Contrabaixo. Durante muito tempo, assim ele foi chamado e somente após a segunda metade do século XVIII o nome do contrabaixo separou-se do Violone. O famoso compositor J.S. Bach sofreu muito na época por causa da insuficiência técnica dos contrabaixistas do seu tempo. De acordo com registros históricos, até o ano de 1730 não foi encontrada nenhuma referência do instrumento atuando em orquestras. A partir da segunda metade do século XVIII, com sua estrutura praticamente definida, o contrabaixo passou a integrar as mais diferentes formações musicais, como orquestras, Big Bands e pequenos grupos de jazz (Ragtime, Dixieland, Swing, Blues, etc.). O contrabaixo é o único instrumento da família das cordas que está em visível evolução.”

Violone, na moderna terminologia, o double bass viol, é o ancestral direto do contrabaixo acústico. Historicamente, o termo abraçou uma grande variedade de termos: qualquer viola, uma viola de grandes proporções (em particular a viola da gamba baixo), e mesmo (em algumas fontes italianas) o violoncelo. este termo é conhecido desde 1520. O instrumento é classificado como um lute (ou fiddle) tocado com arco. Perto de 1600 violone tornou-se o termo padrão para as violas baixo: o violone da gamba, afinado G’ C F A d g (uma 5ª do padrão normal de afinação das 6 cordas da viola baixo), o maior de todos os instrumentos graves, violone del contrabasso, afinado D’ G’ C E A d, o great dooble base, o 5 cordas Gross Contra-Bas-Geig, o Gross Violon de-Gamba Basz de 6 cordas, (ambos com trastes e afinados em quartas e com extensão entre 31 1/2¨ a 45¨), também refere-se a Bas-Geig de bracio, (F’ A’ D F# B; ou G’ C F A d g; ou ainda G’ C E A d g) para o Basse Violon e para o maior violone, uma quarta abaixo disto; também o violone grosso de 4 cordas afinado em quintas C’ G’ D A; ou G A d g. Sendo o mais grave da família do violino, este instrumento possui uma caixa de ressonância acústica de grandes proporções. 








Sua escala mede geralmente entre 39” e 42”. Sua afinação padrão (do grave ao agudo) consiste em saltos de quartas-justas E A D G, mas os primeiros, no século XVIII, chegaram a possuir apenas três cordas de tripa de carneiro (A D G, G D G, G D A ou C G C). Nos tempos modernos adicionou-se uma quinta corda grave afinada em C para se igualar à corda mais grave do violoncelo. O baixo acústico utilizado geralmente na música erudita, que é um instrumento transpositor de oitavas soando uma oitava abaixo do que está escrito na partitura, foi introduzido na música popular em meados dos anos 30. Sua origem remonta ao século XVII sendo mais cobiçados aqueles construídos pelas famílias A. Stradivari e N. Amati. Hoje em dia pode-se encontrar contrabaixos acústicos com afinações alternativas e de até seis cordas (B E A D G C). Tais encordoamentos podem ser encontrados em liga metálica, cobertura de nylon ou de tripa. Dentre os expoentes deste instrumento podemos citar:


Domênico Dragonetti, Giovanni Botesini, Gary Karr, Scott LaFaro, Ron  Carter, Edgar Meyer, Jorge Oscar


*Parte do texto acima foi adaptado da revista Tok Pra Quem Toca ano II, nº7
 (professor, pesquisador e contrabaixista Jorge Oscar)



ELÉTRICO VERTICAL (Baixo Vertical 4, 5 e 6 cordas)



O primeiro contrabaixo elétrico vertical foi desenvolvido na metade dos anos 20. Entretanto foram necessários mais alguns anos para o desenvolvimento de transdutores de alta qualidade e amplificação apropriada para os EUB (electric upright bass), ou mesmo o baixo elétrico comum, tornar-se mais popular. Em comparação aos outros instrumentos de corda amplificados (violino, viola ou cello elétrico) o EUB é mais popular em alguns meios do que sua contraparte acústica (contrabaixo acústico tradicional). Isto é devido ao tamanho, preço, fragilidade, baixo volume e dificuldades de amplificação do acústico, problemas estes não encontrados no EUB.

A GÊNESE

O contrabaixo acústico está no mercado há muitos séculos nas grandes orquestras, evoluindo das três cordas de tripa para as modernas cordas de aço em modelos de 4 e 5 cordas. A extensão total do instrumento foi expandida para objetivar a demanda de compositores e arranjadores. Porém o preço para se conseguir uma preciosidade como esta gira em torno de 8.000 a 35.000 u$! some-se a este fato a problemática da dificuldade de amplificação, transporte, fragilidade na construção, proporções e peso enorme, etc. Foi criado, então, o contrabaixo elétrico para suprir estas armadilhas, na música popular. Os dois convivem durante décadas juntos. Porém, um outro contrabaixo, que pode ser considerado um híbrido mutante entre os dois mundos reina com destaque e nobreza. Estamos falando sobre os electric upright bass, ou somente EUB. Uma mistura de contrabaixo elétrico (por causa do corpo estreito podendo ser maciço ou escavado em formato semi-acústico) e contrabaixo acústico (por causa da proporção, extensão e formato da escala, cordas, cavalete, espigão e outros detalhes). Não é necessariamente um instrumento novo já que consta uma foto de um EUB criado pelo luthier Lloyd Loar datada de 1924, no livro “The Gibson History”. A Gibson entretanto não colocou o instrumento em produção, pois este contava com alguns problemas de construção e sonoridade. Na década seguinte Rickenbacker, Regal e Vega, construíram electric uprights que não chegaram a vingar no mercado. Já nos anos 50 Rudy e Ed Dopera introduziram o Zorko Bass. Feito em fiberglass com uma paleta pequena e cordas de nylon, graças ao sistema de captadores da ponte.

Posteriormente, o corpo aparafusado, semiacústico e construído em fiberglass, do Zorko foi, modificado para tornar-se o Ampeg Baby Bass, que ficou famoso na América com a febre da Latin Jazz dos anos 60. Surgiram outras marcas como Azola, Framus, Grazioso, Arco, Futurama e Jennings electric upright,. Nos anos 70 Mini Bass, Guyatone, Shergold Mini Double Bass e Blitz Bass, durante os 80, diversas companhias independentes e individuais produziram electric upright basses. Junto com as mais notáveis estavam Clevinger basses, Bill Merchant’s Vertical Bass, Oregon Bass, Gunn Bass do Canada, Dobro, Hofner JB-59, Nobby Meidel re-edição do Framus, Amazing Bass, e edições limitadas tais como Di Sola laminated bass, um bass do luthier Will Boulet (construído para o virtuoso Bertram Turetzky), e muitos outros. Atualmente encontram-se A Basses, Alembic, Aria, Bassline, Brubaker, BSX, Carruthers, Clifton, Conklin, D.C. Hilder, Fichter, Fleishman, JP guitars, Knutson, Kydd, Larkin, Linc, Merchant, Moses, Ramirez, Vector, Vektor (com “K”) e Zeta, além dos brasileiros Cheruti, D’Alegria, Di Carmo, D’Lara e Germano.  A escala (ou espelho) do braço de um EUB varia em torno dos 42” como no baixo acústico, enquanto alguns modelos possuem somente 35”, muito similar ao baixo elétrico (fretless). Estes últimos facilitam o trabalho de um baixista elétrico converter-se ao EUB. Os mais tradicionais acompanham o acústico  em termos de afinação EADG e contorno do braço sendo consideravelmente mais estreito da metade superior para o capotraste. No contrabaixo acústico os músicos usam este ponto como referência tátil para a mão esquerda. É neste exato ponto de transição no baixo acústico, onde o braço penetra no bojo do corpo, que se usa a técnica de polegar (capotrasto) para digitar as notas. Todo e qualquer instrumento de cordas produz um pequeno som próprio e particular, mesmo possuindo corpo denso e maciço, sendo opção principal para os EUB a captação da vibração das cordas através de pickups piezelétricos localizados sob o cavalete da ponte, embora também haja a opção de captadores magnéticos comuns. A grande vantagem sonora é devido ao corpo maciço, com formatos variando entre o tradicional violino até exóticos estilos futuristas aos moldes das guitarras do clássico desenho animado “os impossíveis”. Por ser uma questão crucial para a utilização do arco, o raio da curvatura da escala deverá ser igual ao do contrabaixo acústico. Os modelos com pouco raio de ação são usados somente para o pizzicato. As cordas são pinçadas com a lateral dos dedos indicador e médio, raspando a falangeta destes dedos contra as mesmas, e o polegar da mão direita permanece apoiado na lateral do braço do EUB. Os dedos da mão esquerda são usados para digitar as notas na escala, com a fôrma da mão em 1, 2, ¾ ou 1, 2/3, 4 tendo o polegar apoiado atrás do braço para proporcionar um gancho pivô dos movimentos do pulso, podendo optar-se pela escola alemã (mão em forma de gancho segurando e pressionando o arco por trás) ou francesa (mão plana segurando o arco por cima) de arco. Nos EUB com escala curta as técnicas de digitação mais apropriadas são as do baixo elétrico fretless. Em ambos os instrumentos (EUB e baixo acústico) as técnicas são semelhantes em pizzicato ou arco, com a vantagem do EUB não necessitar do apoio no corpo do músico como é o caso do acústico. Muitos EUB já vêem equipados com uma estante tripé que os mantém eretos. Pode-se optar tocar em pé ou sentado em um banco alto, desde que a primeira nota digitada (digamos, um FÁ na primeira ½ posição da corda E) esteja na mesma altura dos olhos do instrumentista. Com os corretos controles de equalização e ajustes na captação a sonoridade da maioria dos EUB chega a ser bem próxima ao dos acústicos, mantendo porém, suas características timbrísticas peculiares. Com a facilidade de transporte, por suas reduzidas proporções, menor peso, maior durabilidade e estabilidade os EUB são acondicionados em bags e cases mais práticos. Um dos mais famosos usuários de EUB é, sem dúvida, Sting (The Police, solo), que tocou um modelo do Z Bass do luthier sueco, Henk Van Zelinge, em muitos clássicos da banda “The Police” como Walking on the Moon. Mas, a primeira personalidade a tomar o instrumento e encontrar uma única e importante voz para ele é Eberhard Weber (Colours, Kate Bush, solo). Weber tocou em 1975 o álbum Yellow Fields inteiro usando seu EUB e apresentando uma combinação de riffs modais e ragas além de um peculiar sustain com efeitos percussivos. Outros famosos no EUB são Stanley Clarke (Return to Forever, New Barbarians, Stanley Clarke & George Duke, Animal Logic, Vertú, Solo), Rob Wasserman (Lou Reed, solo) e Bunny Brunel (Chick Corea, solo), dentre incontáveis outros.
Cachao Lopes (Cuban Jam Session), Carlos DelPuerto (Irakere), Andy Gonzalés (Fort Apache Band), Stanley Clarke (Retourn to Forever), Rob Wasserman (Lou Reed), Eberhard Weber (Colours), Sting (The Police)



CONTRABAIXO ELÉTRICO (4, 5, 6, 7, 8, 9 e 10 cordas)


O baixo elétrico é um instrumento derivado da guitarra elétrica, e surgiu devido à dificuldade de se transportar, amplificar e tocar o contrabaixo de acústico. A história deste instrumento está intimamente ligada ao nome de um homem. Em 1949 Leo Fender (um técnico em eletrônica que consertava rádios), observou que o contrabaixo acústico apresentava alguns inconvenientes para pequenas formações musicais, como seu tamanho e a sua baixa sonoridade. Com seus sonhos revolucionários emprestou sua arte ao mundo musical dando vida aos primeiros contrabaixos elétricos que poderiam facilitar a vida dos músicos que naquela época carregavam seus enormes baixos acústicos, os quais mal podiam ser amplificados. Sua primeira tentativa de eletrificar um baixo foi em meados de 45, depois que várias empresas já haviam feito experiências na construção de electric uprights: Gibson, Rickenbacker, Regal, Vega e Ampeg; além de alguns pioneiros na construção de protótipos de contrabaixos elétricos: James Thompson e Bud Tutmarc. Estes instrumentos não chegaram a emplacar, pois necessitavam de melhorias. Em 1946 sob a marca K&F foram construídos e distribuídos diversos amplificadores e guitarras elétricas. Logo em seguida sua patente muda para Fenders Instruments e as tentativas continuam. Cinco anos mais tarde nasciam Stanley Clarke, Jaco Pastorius, Francis Rocco Prestia e o Precision Bass - o nome foi escolhido porque o contrabaixo possuía trastes na escala, ao contrário do instrumento acústico, permitindo, assim, que as notas fossem obtidas com “alguma precisão” - que em pouco tempo mudaria o rumo da história musical no mundo.  Durante vinte anos vários modelos de contrabaixos elétricos foram desenhados e construídos por Leo Fender, até que os fabricantes de guitarras elétricas iniciaram a produção de contrabaixos criando seu próprio mercado. Ainda insatisfeito com seus inventos, Leo, desenvolveu durante os anos 70, a Music Man Factory vendendo suas antigas criações para a empresa CBS e depois para a Sony japonesa. Nesta época os circuitos e captadores ativos já se tornavam uma realidade graças a Rick Turner da Alembic factory. Os fabricantes japoneses que, até então, satisfaziam-se em copiar os modelos de instrumentos americanos firmavam no mundo marcas hoje consagradas tais como Ibanez, Yamaha, Fernandes, Aria e Samick. As semelhanças entre o baixo elétrico original e o contrabaixo acústico são a extensão, ou seja, as notas que podem ser tocadas e a afinação das cordas. A partir daí, são instrumentos distintos, onde se varia do número de cordas (4, 5, 6, 7, 8, e excepcionalmente 9 e 10, além de modelos com 8, 10, 12 e 18 cordas duplas/triplas, que usam encordoamento piccolo em oitavas ao lado das tradicionais) até a técnica de tocar (dedilhado, pizzicato, slap, tapping, strumming, palheta, etc.). De lá para cá, o contrabaixo elétrico vem adquirindo personalidade e características cada vez mais próprias e marcantes. A partir de 1956, o captador de bobina simples (single coil) foi dividido em duas metades desalinhadas, tendo como finalidade minimizar a perda de sinal das cordas, bem como evitar, conforme a região onde o contrabaixista executa as notas, que o “ataque” em excesso prejudique a sonoridade final do instrumento. O baixo elétrico é um instrumento derivado da guitarra elétrica, e surgiu devido à dificuldade de se transportar e tocar o contrabaixo de acústico. Foi inventado por Leo Fender em 1951. Clarence Leo Fender, perito em eletrônica de rádios e criador da guitarra elétrica que levava seu nome, observou que o contrabaixo acústico apresentava alguns inconvenientes para pequenas formações musicais, como seu tamanho e a sua baixa sonoridade (em comparação com a guitarra elétrica), o que obrigava aos contrabaixistas da época a colocarem microfones para maior amplificação do instrumento. Sob este prisma, Leo Fender, em 1951, construiu o primeiro contrabaixo elétrico da história, (usado pela primeira vez na banda de Bob Guildemann Blues/Rock) sob a designação de “Precision Bass”.  Até então, bandas de Rock’n Roll dos anos 50, como Bill Haley e Jerry Lee Lewis usavam os contrabaixos acústicos. Sua afinação obedece aos seguintes padrões do grave ao agudo: Music Man de três cordas E A D (específico para “Funk Fingers”, técnica de tocar contrabaixo batendo com baquetas de percussão nas cordas; criada pelo contrabaixista Tony Levin); incontáveis fabricantes de baixos de quatro cordas E A D G; vários fabricantes de baixos de cinco cordas B E A D G (alguns preferem a primeira corda C aguda ao invés da quinta B grave); os pioneiros Ken Parker e Ken Smith além de vários fabricantes de baixos  seis cordas B E A D G C; Conklin, Ken Smith, Guitar Factory, Surine, Acacia, Curbow, Overwater, Jerzy, David King, Tigues e Ladessa sete cordas B E A D G C F; Conklin, Tigues e Ladessa de oito cordas B E A D G C F Bb; Conklin de nove cordas F# B E A D G C F Bb e finalmente, mas não menos estranho o contrabaixo elétrico Schack Alemão de dez cordas com a afinação Mi uma oitava abaixo do padrão (aproximando-se do piano) E A D G C E B E F# B. Indo de 27” (escala curta) à 37” (escala extra-longa). Além dos já citados devemos levar em conta as afinações alternativas que nos levariam a números e variantes diversos. O fato do contrabaixo ser usado amplamente tanto na música popular como na música erudita, aliado à sua fundamental importância em qualquer tipo de música, faz com que ele seja o instrumento que mais evolui, técnica e expressivamente, nos últimos anos. Nunca na história da música um instrumento teve tão grande aplicação em gêneros e estilos tão diversos, e igualmente enorme desenvolvimento em período tão curto da história. Ouça:

James Jamerson (Motown), Paul McCartney (Beatles), Jaco Pastorius (Weather Report),  Stanley Clarke (Retourn to Forever), Rick Laird (Mahavishnu Orchestra), Ralphe Armstrong (Jean-Luc Ponty), Andy West (Dixie Dregs), Jeff Berlin (Bruford), Alain Caron (Uzeb), Paul Jackson (Headhunters), Jack Bruce (Cream), Geddy Lee (Rush)

Usar muitas cordas em um instrumento não é novidade no mundo da música já que dentro do piano existem mais de 100, sendo uma para cada tecla, uma harpa tem lá suas tantas e o alaúde possuía 19, isto sem contar a cítara e o koto japonês com 24 cordas e ninguém nunca falou nada sobre isto! O mundo acostumou-se ao arquétipo de que as guitarras possuem apenas 6 cordas e pronto. Se partirmos da premissa de existem famílias de instrumentos e que, o contrabaixo elétrico pertence à família da guitarra (assim como o contrabaixo acústico pertence à família do violino, junto com a viola e o violoncelo), concluiremos que um baixo elétrico deveria possuir  cordas. E por quê não é assim? Porque os primeiros construtores determinaram que o baixo elétrico teria apenas 4 cordas como substituto do acústico na música popular. Percebe como tudo parte de um ponto de vista? É cada vez mais natural observar instrumentos com muitas cordas na atualidade. Na área do tapping já falamos a respeito de instrumentos específicos para esta técnica como o Chapman Stick, Warr Touchboard e o Megatar TouchBass, cada um deles com modelos variando entre 7, 8, 10, 12 ou mesmo 14 cordas. Isto para proporcionar um maior campo de atuação para as mãos. Afinal temos 10 dedos em ambas e seria muito prático poder usa-los em uma extensão com varias oitavas. Exatamente por isso os primeiros baixos de 8 e 9 cordas foram construídos na metade da última década. Vamos dar uma olhada na história do 6 cordas para entender melhor, por que alguém necessitaria de mais e mais cordas...

O SONHO DE JACKSON 

A Idéia do “Big Six” nasceu com o baixista Anthony Jackson, cujos créditos incluem: Chaka Khan, Al DiMeola, Eyewitness, Roberta Flack, Chick Corea, Billy Paul, Simon & Garfunkel, Lee Ritenour, Dave Grusin e Michel Camilo, dentre muitos outros. Jackson nasceu em 23 de Junho de 1952 sempre foi um pesquisador de timbres e instrumentos. Cedo percebeu que para criar sua própria identidade teria que lutar muito. Foi o pioneiro no uso de efeitos tipo phase shifter no baixo elétrico, quando adquiriu um pedal de guitarra em 1972 na loja Manny’s Music de New York City. Como o pedal fora construído primeiramente para a guitarra Anthony  fez ajustes no controle de intensidade e logo no ano seguinte usou-o na gravação do hit “For the Love of Money” do grupo O’Jays. Jackson também é um craque no uso do pedal de volume para retirar o ataque da nota dando a impressão de tocar com um arco. Outra grande contribuição vem de seu constante uso de palheta, além de sua técnica de abafar as cordas com a palma da mão direita usando o polegar ou a palheta para tocar as cordas. Porém ao estudar algumas transcrições que constantemente fazia começou a deparar-se com notas mais graves ou mesmo mais agudas do que seu Fender Jazz bass poderia oferecer. Jackson experimentou abaixar o tom da quarta corda para Mi bemol ou mesmo RE, mas não estava contente com os resultados pois a cordas perdia peso e brilho em relação às demais. Tentou usar cordas bem espessas (grossas e pesadas) afinando BEAD, eliminando, assim, a corda SOL, porém isto só piorou a situação, com a falta das notas agudas. A necessidade de um baixo com uma corda mais grave e uma mais aguda tomava corpo (BEADGC). Em 1975 Anthony juntou dinheiro e procurou o luthier Carl Thompson encomendando um baixo de 6 cordas. O experimento de Carl não chegou a vingar apesar de Anthony tê-lo usado em algumas poucas gravações. Problemas de digitação no braço estreito, além do torque forte das cordas não permitiam seguir adiante. O baixista procurou outros luthiers que horrorizados ridicularizavam suas teorias sobre um “Big Six”. Ken Parker e Ken Smith foram os que mais se aproximaram de resultados reais, sendo que Smith mantém uma vasta linha de contrabaixos de 6 cordas que no final da década de 80, fora extensamente conhecida através de John Patitucci com a Elektric Band de Chick Corea. Anthony Jackson já usava seus protótipos de 6 cordas constantemente a partir de 1982 em shows e gravações. Eis que surge Vinnie Fodera, um ex-empregado de Ken Smith, que iniciava seu próprio negócio em NY com o sócio Joe Lauricella. Em 1988 ficou pronto o primeiro protótipo Fodera/Jackson de 6 cordas com dois pickups Bartolini, ferragens douradas e madeira de primeiríssima qualidade. Nove instrumentos depois, cada qual com uma melhoria distinta, e o baixo Fodera Anthony Jackson signature model consta como um dos mais vendidos da marca, apesar do preço salgado, algo em torno de U$ 6,000! No site da empresa temos a seguinte apresentação: “The Anthony Jackson Presentation 6-String Contrabass Guitar representa a mais fina expressão de nossa longa e feliz colaboração com nosso querido amigo e extraordinário baixista, Mr. Anthony Jackson. Tem sido um privilégio especial trabalhar lado a lado com Anthony Jackson através destes anos. Nosso relacionamento rendeu muitas inovações e novas tendências, incluindo o primeiro baixo single cutaway que foi desenhado por ele em 1988 e causou uma revolução, influenciando muitos designers e construtores contemporâneos. A idéia por traz do modelo Presentation é um instrumento superlativo que produz ricos e complexos tons e soberba reposta sem o auxilio de circuitos eletrônicos. Cada Presentation Bass vem munido com um simples pickup humbucking fabricado à mão que é ligado diretamente ao Jack de saída...” 
Especificações técnicas: 

36” escala, 28 trastes 
braço em três partes de maple 
Brazilian Rosewood Fretboard 
Corpo em Chambered Western Red Alder 
Cobertura em Quilted Mahogany 
handmade humbucking pickup especialmente desenhado 
ponte em Titanium by Fodera 

Anthony Jackson 6 (Eyewitness, Michel Camilo, Al DiMeola, Chaka Khan, Billy Paul, Simmon & Garfunkel) 1988 FODERA JACKSON B-E-A-D-G-C 
NESTE EXATO MOMENTO...


Como existe sincronicidade em tudo na vida devemos atentar ao fato das guitarras barítono de 6 cordas que falamos em uma edição passada. Além disso, por volta de 1978 na Inglaterra a extinta empresa Shergold fabricou um contrabaixo com 6 cordas e escala curta de 30” chamado Marathon. Este baixo foi extensamente usado por Michael Rutherford (Genesis, Michael & the Mechanics) entre 1978 e 1982, ou seja, antes mesmo de Anthony Jackson! Haviam duas versões do Marathom, conhecidas como Mark I e Mark Ia. O Mark I possui um largo pickup plástico com dois mini humbuckings de 16 pólos no mesmo case, enquanto o outro era municiado com dois pickups padrão da Shergold. Como um instrumento stereo o Marathon Mark I usa um simples soquete de saída, requerendo um cabo “Y” com plug stereo splitter (dividindo o sinal entre as cordas graves e agudas), ao contrário do Mark Ia com duas saídas mono separadas (enviando o sinal de cada captador uma saída independente). Uma pequena chave é proporcionada entre os controles de volume e tonalidade para opção entre humbucking, single coil ou phased sinal. O braço, com 24 trastes e capotraste de metal, é apenas 5 mm mais largo do que o de um Fender Precision. O próprio Rutherford estabelece suas impressões sobre o instrumento em um artigo para a revista Sound International de 1979: “Eu descobri a Shergold através de suas guitarras de 12 cordas. Nunca tive um baixo de seis cordas antes, assim qual a vantagem de um baixo como esses? A primeira vantagem é para guitarristas que decidem partir para o contrabaixo. Neste caso o guitarrista pode fazer uso das seis cordas requerendo menos esforço de adaptação. É claro que o instrumento trabalha de outras maneiras, também. Este não é um baixo indicado como primeiro instrumento, pois você precisa ser um músico experiente para ser hábil em usar todas as suas capacidades. Pra começar pode-se tocar acordes, embora seja melhor mantê-los nas quatro cordas agudas , pois de outra forma isto soaria embolado. Este baixo soa muito bem, com agudos macios e claros. O braço de 30” em maple possui uma escala de duas oitavas e é fornecido em modelos com ou sem trastes. O meu Marathon 6 tem trastes. É bom ter espaço no braço mais largo, já que tenho um Fender Bass VI e o braço é muito estreito para ser totalmente útil... ” 

Michael Rutherford (Genesis, Michael & The Mechanics) 1978 Shergold Marathon Bass 6 30” E-A-D-G-B-E stereo 
MAIS, MAIS... CADA VEZ MAIS CORDAS! 
Mas, contrabaixos de 6 cordas hoje são muito comuns. Não podem ser considerados Multi String Basses. Vejamos 7, 8, 9... 
Multi string basses 7; Melvin Davis é um baixista de Los Angeles com créditos entre os famosos como Chaka Khan, Lee Ritenour, Larry Carlton e Brian Ferry. Conhecido por ser um groove master que passa mais tempo entre as cordas B e E do que tocando material rápido nas cordas agudas Melvin, seguindo os passos de seu mentor Anthony Jackson, sonhou, certa ocasião, com um baixo de 7 cordas onde a corda F aguda seria incorporada às 6 já existentes. Na manhã seguinte telefonou para Ken Smith e encomendou o que hoje se tornou o modelo MD7. “Primeiro as pessoas reagiam ao tamanho do instrumento, especialmente a largura do braço. Depois elas viam o número de cordas e assumiam que eu deveria ser um daqueles solistas rápidos e furiosos.” Conta, sorrindo, Davis em entrevista à revista Bass Player. “existem linhas de 6 cordas de Anthony Jackson totalmente desafiadoras para se tocar. Algumas vão além do 28º traste da corda C! Ter um baixo 7 cordas, definitivamente, ajudou-me tanto técnica como musicalmente a crescer e desenvolver meu estilo.” 
Melvin Davis 7 (Lee Ritenour, Eric Marienthal, Chaka Khan, Larry Carlton, Brian Ferry, solo) KEN SMITH MD7 B-E-A-D-G-C-F 
8; Trey Gunn, conhecido por seus grooves com timbres reptílicos, solos inusitados e escolhas harmônicas herdadas de sua passagem de cinco anos com o King Crimson do gênio Robert Fripp, usa um modelo de 8 cordas da Warr guitars em seus projetos solo. Trey usa o instrumento especificamente para o tapping. 
Trey Gunn 8 (King Crimson, John Paul Jones, solo) WARR SIGNATURE B-E-A-D-G-C-F-Bb 
9; Bill Dickens, baixista de Chicago, rapidamente tem se tornado famoso por seus solos rápidos e fluídicos no baixo de 9 cordas! Neste caso a opção por mais cordas está calcada na velocidade e nos solos. 
Bill Dickens 9 (Ramsey Lewis, Janet Jackson, solo) CONKLIN F#-B-E-A-D-G-C-F-Bb 
10; Jonas Hellborg, assume seu lado fusion setentista, discípulo de John Mclaughlin para justificar um baixo com 10 cordas. “A vantagem deste baixo é que ele vai de um grave profundo de um Bösendorfer grand piano, sendo muito claro nos registros graves, até um agudo de guitarra. É muito difícil ouvir um grave destes, mas quando você toca oitavas o som fica incrivelmente cheio. A corda mais grave é um E, uma oitava abaixo do contrabaixo tradicional. Seguindo o padrão em quartas (ADGC). Depois cai dentro de uma afinação aberta nas últimas cinco cordas (EBEF#B). isto causa um belo efeito de drone nos agudos (ressonância por simpatia de freqüências). Sua afinação é tão híbrida que posso tocar qualquer tonalidade com ele. Também, desde que o intervalo entre E e F# é de uma segunda maior, posso tocar linhas em uníssono em duas cordas.”

Jonas Hellborg 10 (John McLaughlin, Mahavishnu Orchestra, Public Image, Ginger Baker, solo) SCHACK E-A-D-G-C-E-B-E-F#-Bb 11; Al Caldwell estudou com Anthony Jackson (já vimos isto antes…) quando decidiu tocar com multi stringed basses. Al toca cinco dias por semana no Vanessa Willians show, um programa de Tv de New York, além de compor arranjar e gravar temas para filmes, acompanhar outros artistas e produzir a própria carreira solo. 
Al Caldwell 11 (Vanessa Willians, Luther Vandross, Chuck Mangione, Stanley Turrentine, Chris Botti, Earth Wind & Fire, solo) BENAVENTE C#-F#-B-E-A-D-G-C-F-Bb-Eb 
12; Por ultimo exemplo temos o baixista Jean Baldin que munido de um baixo de 12 cordas executa seus tapping/slap/strum com perfeição. 
Jean Baldin 12 (solo) KENNETH LAWRENCE C#-F#-B-E-A-D-G-C-F-Bb-Eb-Ab 
Pra sintetizar vamos rever quais as finalidades e vantagens de um baixo multi string:
1. facilidade na montagem de acordes, por causa da maior quantidade de cordas agudas. 
2. maior expansão melódica pelas mesmas razões acima. 
3. maior campo de atuação para a técnica de tapping two-hands. 
4. expansão das oitavas para solos e improvisos. 
5. facilidade de instalação de captadores MIDI para as cordas agudas. 
6. dupla função contrabaixo/guitarra. 
No Brasil temos o santista Chico Gomes que usa dois baixos Tiguez de 8 cordas e um de 7 cordas para seu trabalho de triplo domínio e o baiano Joel Moncorvo com seu 8 cordas MLaghus. Desculpe se desconheço outros baixistas brasileiros que usem multi string basses, ok?


   CONTRABAIXO ELÉTRICO escala curta

Podemos começar citando os principais nomes que usam ou usaram durante muito tempo contrabaixos com escala curta. Paul McCartney (Beatles, The Wings, Solo), Bill Wyman (Rolling Stones), Jack Bruce (Cream, Solo), Jack Casady (Jefferson Starship-Airplane, Hot Tuna), Stanley Clarke (Return to Forever, New Barbarians, Clarke & Duke, Animal Logic, Vertú, Solo), Phil Lesh (Grateful Dead), John Taylor (Duran Duran, Power Station, solo) e Stuart Hamm (Joe Satriane, Steve Vai, Solo). É uma boa lista não acha? Pois é este e muitos outros importantes nomes da música mundial gravaram as mais conhecidas canções de todas as gerações da música popular com instrumentos que, pelo seu reduzido tamanho, mais pareciam ter sido construídos para crianças. Agora podemos conhecer as origens e definições destes importantes instrumentos. Defini-se como escala a extensão total, do capotraste até a ponte, de um instrumento de cordas. No caso do contrabaixo elétrico os padrões são: 
De 25 a 30¨ = escala curta 
De 31 a 32¨ = escala média-curta 
De 33 a 34¨ = escala normal / padrão 
De 35¨         = escala longa 
De 36 a 37¨ = escala extra-longa

Portanto para o assunto de interesse desta coluna, os contrabaixos que tiverem escalas com medidas variando entre 25 até 32 polegadas serão considerados como sendo escala curta. Lembre-se de que as guitarras possuem escalas que não superam muito as 25¨! É claro que quanto maior o comprimento de uma escala, mais se favorecem as cordas espessas e graves, em especial as Mi e Si em torno de .100¨ até .130¨. Por isso diversos fabricantes andam adotando escalas de 35, 36 e alguns até com 37 polegadas (gulp!). Leo Fender e seu sócio na Fender, George Fullerton, durante as pesquisas e testes dos primeiros contrabaixos elétricos no início dos anos 50, optaram pelo compromisso das 34¨ como uma média razoável de extensão para escala. A explicação era a de que, apesar da conclusão obvia sobre 36¨ser melhor para entonação, manutenção da afinação e clareza sonora, o braço ficaria comprido demais para um instrumento que, além de ser recém lançado, tinha como premissa básica o fato de, tendo a sonoridade próxima do acústico, facilidade de amplificação e praticidade de uso e afinação através dos trastes, seria compacto o suficiente para ser carregado facilmente, ou seja, tudo o que o acústico não era! Porém foi a própria Fender a lançar o primeiro baixo escala curta do mercado.

Surpresa? Nem tanto, se levarmos em conta que este instrumento “bastardo” era o Fender Bass VI, uma mistura de guitarra com escala de 30¨ e cordas barítono, grossas o suficiente para ser uma oitava mais grave que uma guitarra convencional, mas ao mesmo tempo, ser mais agudo que um baixo elétrico (mais sobre este instrumento em futura coluna sobre Baritone Bassguitar)! Pouco tempo depois a Fender lançou o Mustang Bass, um contrabaixo elétrico quatro cordas com escala curta, um pequeno captador oval, dividido em duas partes (uma bobina para cada par de cordas). Em 1956 o designer de instrumentos Walter Hofner lançou o modelo Hofner 500/1, escala curta, na famosa Frankfurt Music Fair. Paul McCarney logo que testou adquiriu um exemplar. Com o “boca a boca” espalhando-se rapidamente, o novo instrumento da Hofner foi popularmente batizado de Beatle Bass. Em 1966 Jack Bruce já usava o Fender Bass VI, trocando em seguida para o também escala curta, Gibson EB3, enquanto o grupo surf music The Ventures tornava o baixo Mosrite Ventures Bass famoso. Nos anos 60 Jack Casady, do grupo Jefferson Airplane (Starship), adotou o Guild Starfire como seu instrumento. Já anos 70 Phil Lesh do grupo de rock experimental Grateful Deads e o fusion man Stanley Clarke durante os anos de Return to Forever já iniciavam suas pesquisas com os instrumentos Alembic de escala curta e circuito ativo.

Durante os 80 houve um revival dos escala curta com a Kubicki e sua novidade: o Ex Factor, baixos exóticos com uma inovadora extensão para corda Mi passar para 36¨ e descer um tom na afinação. John Taylor do Duran Duran e Stuart Hamm, que já despontava com Joe Satriane e Steve Vai foram os principais usuários da máquina. A Fender lançou o modelo The Urge Bass nos anos 90, instrumento que leva a assinatura de Stu Hamm. O Brasil teve seus representantes como o Snake semiacústico, o Gianninis AEO4B, além de alguns outros. Atualmente em linha de produção temos o Bend Bass da Cheruti no Rio Grande do Sul, como uma opção. Em relação ás cordas, qualquer encordoamento serve para instrumentos de escala curta, porém alguns compromissos devem ser assumidos. Primeiro deve-se levar em conta que, obviamente com exceção dos mais recentes, estes baixos foram desenvolvidos na época em que existiam somente as cordas lisas tipo flatwound. Isto faz muita diferença, pois estas cordas são mais flexíveis e quanto mais curta a extensão da mesma, maior a tensão final. O mesmo se aplica a bitola (espessura) das cordas graves, ou seja, quanto mais espessa (grossa) for à corda, mais tensão o músico sentirá na hora de tocar o contrabaixo. Outro comprometimento vem em relação à entonação, como citado no início da matéria. Muitos destes baixos não afinam perfeitamente acima do sétimo traste, portanto cuidado com os puristas de plantão, aqueles que estão doidos pra metralhar qualquer crítica a todo o momento. Estes dirão que o contrabaixo em questão é ruim. De resto é sentar, plugar em um antigo e valvulado amp e curtir o que há de melhor em escala curta, na vida!

CONTRABAIXO ELÉTRICO Baritone

Nos anos 50 a fabricante Americana Danelectro construiu alguns exemplares do baritone guitars que consistia de uma guitarra elétrica semi-acústica, braço estreito de 6 cordas, 24 trastes, porém com escala de 30” (para comparar veja que uma guitarra padrão não passa das 25½ polegadas!) e cordas de contrabaixo elétrico com afinação aberta: B E A D F# B, e um capotraste de metal. A grande novidade foi à inclusão dos captadores lipstick, literalmente batons, ou seja, o fundador da Danelectro, Nate Daniels, procurava por materiais econômicos e funcionais para seus instrumentos e acabou por adquirir um lote de tampas para batons de uma empresa de cosméticos femininos, que foi usado como capa para seus pickups. Uma bela e romântica história para um dos captadores mais charmosos dos instrumentos de cordas. A finalidade da criação das baritones era produzir instrumentos para uma crescente demanda na country western music. Com isto, nesta mesma década,  os guitarristas Hadold Bradley (irmão do produtor country Owen Bradley) e Duane Eddy começaram sua jornada de dobrar, nota-por-nota, as linhas de condução do contrabaixo acústico nos temas que gravavam originando o termo tic-tac-bass ouvido em numerosos clássicos da country music americana. Note que a “Veillette company” construiu baritones instruments por alguns anos também na virada das décadas de 40 e 50. em 1961 Leo Fender resolveu trazer sua contribuição nesta área e criou a Fender Bass VI, que alguns historiadores erroneamente apontam como sendo o primeiro baixo de 6 cordas criado, mas como vimos acima não é a pura verdade! O Bass VI é uma guitarra bem aproximada ao modelo Jaguar, com o braço esticado para 30”, três pickups single coils, circuito passivo, afinação padrão  E A D G B E, ponte fixa com alavanca e tarraxas Klutson. Com a difusão do pop e do country muitos artistas aderiram ao baritone para perspectivas estilísticas, culminando com a entrada em cena do modelo EB6 da Gibson, com formato SG muito parecido com os baixos da linha EB.  Porém, por volta de 1975 este tipo de instrumento caiu no esquecimento, com a Fender parando a produção do Bass VI. Isto durou até a metade dos anos 80 quando houve nova safra de músicos fazendo revival dos ritmos e estilos raízes. A partir daí diversas empresas entraram nos negócios, inclusive com o retorno da Fender construindo o Bass VI, e também, posteriormente através de seu custom shop, um modelo chamado Bajo Sexto, que consiste de uma Telecaster com braço de 30” e afinação em La: A D G C E A. O mega produtor e contrabaixista (de diversos estilos, tais pop, jazz, fusion, dub, techno e ambient music), Bill Laswell usou durante muito tempo a Fender Bass VI em seus grooves infectados de mantras e ostinatos subgraves. A Danelectro retorna em formato vintage, e surgem a Music Man Silhoutte, a Jerry Jones Neptune (imitando as Danelectros), as Alembics Orion e Spectrum e mais recentemente, no início deste novo século, as Yamahas Bajosexto de 12 cordas usadas por ninguém menos do que o mago do rock Billy Sheehan.

  
Alguns nomes famosos que usaram os instrumentos barítonos: 
John Lennon & George Harrison / Beatles (Fender Bass VI), isto quando Paul McCartney ia para o piano. 
Ry Cooder / solo (Fender Bass VI) 
Robert Smith / The Cure (Fender Bass VI) 
Jack Bruce / Cream (Gibson EB6), 
Bill Laswell / Brian Eno, Bootsy Collins, George Clinton, Herbie Hancock (Fender Bass VI) 
Billy Sheehan / Talas, Mr Big, David LeRoth, Niacin (Yamaha bajosexto) 
Harold Bradley e Duane Eddy country music session players (Danelectro) 
O quadro atual dos modelos é o seguinte:
Alembic Orion Baritone AAA, instrumento construído nos USA apresentando corpo com centro em Mahogany e um topo em vistoso Quilted Maple AAA. Escala de 28” possui 24 trastes (2 oitavas) em Ébano com incrustações ovais. Os captadores são da própria Alembic. Baixa impedância tipo humbucking, correndo através de um preamp ativo com equalizador de duas bandas e chave seletora de pickups. Afinação padrão da guitarra E A D G B E, porem uma oitava mais grave. 

Alembic Spectrum Baritone, instrumento construído nos USA em construção neck-thru-body (braço e corpo inteiriço) com centro do corpo em Mahogany e tampo em Rosewood. Braço composto de três partes de Maple com tiras de Walnut e escala em Ébano ou Rosewood de 28” e afinação B E A D F# B. Circuito ativo de duas bandas e três captadores, sendo dois humbuckings e um STRG Alembic.

Danelectro 6str Bass Baritone vintage fabricada na Korea, corpo em Plywood com tampos em Masonite. Braço aparafusado e escala de 30”, 24 trastes em Rosewood e afinação B E A D F# B. Capotraste de metal, dois pickups de metal modelo lipstick, controles de volume e tonalidade concêntricos e chave de três posições. Vem equipado com um tensor interno que necessita desparafusar e destacar o braço do corpo para total acesso de regulagens. Ponte fixa com ajustes apenas de altura das cordas.  
Fender Bass VI vintage re-edition fabricada no Japão, corpo em três partes de Alder com acabamento em polyester sunburst,  braço aparafusado em Maple, escala em Rosewood, 30”, 21 trastes capotraste de plástico. Eletrônica passiva, três pickups single coils com pintura condutiva para aterramento na cavidade de controle. Tarraxas estilo Klutson e ponte com tremolo Floating estilo vintage.
Music Man Silhuette, corpo em Alder com acabamento em polyester. Braço aparafusado em Maple e escala em Maple ou Rosewood com acabamento em Gunstock oil e wax blend, 24 trastes, tarraxas Schaller M6-IND, tensor ajustável, ponte cromada standard Music Man strings-thru-the-body bridge com tremolo vintage Music Man e piezo nos saddles de metal. Escudo nas cores preto ou branco, além de opções em imitação de madrepérola, abalone ou casco de tartaruga. Controles de volume e tonalidade (250Kohm com capacitor de tom em .047µF), chave seletora de cinco posições, três pickups DiMarzio (um single coil custom wound e dois humbuckings PAF PRO) e total isolamento e aterramento contra ruídos na cavidade de controle através de resina acrílica de grafite e aluminização do escudo.
Jerry Jones Neptune SH Baritone, escala de 28” afinação em A D G C E A ou B E A D F# B. 23 trastes sobre indian Rosewood, tensor único com acesso através do corpo, tarraxas Gotoh, chave seletora de 5 posições pickups hum canceling em modelo lipstick tube. Ponte Gotoh e tremolo Bigsby.

No quesito encordoamentos, encontramos as seguintes opções (lembrando que as cordas para estes instrumentos devem ser necessariamente para escala curta):
ELIXIR 
Nanoweb Baritone               .012”, .016”, .022”, .038”, .052”, .068” 
ERNIE BALL 
Slinky 6string BassGuitar    .020”, .030”, .042”, .054”, .074”, .090” 
D’ADDARIO 
XL155 6str/Gtr Bass            .024”, .034”, .044”, .056”, .074”, .084” 
FENDER 
BajoSexto 1090 A Tune       .016”, .025”, .035”, .045”, .055”, .066” 
BajoSexto 1091 E Tune       .022”, .032”, .040”, .054”, .060”, .072”
Bass VI 5350                         .025”, .035”, .045”, .060”, .075”, .095”

CONTRABAIXO ELÉTRICO Double Neck


Músicos do quilate do contrabaixista e vocalista Chris Squire do YES, com sua combinação de baixo de três braços fretless, fretted, dobro; do contrabaixista/vocalista e tecladista Geddy Lee do RUSH, do contrabaixista, guitarrista e vocalista Michael Rutherford do GENESIS e seus respectivos guitar 12 strings + bass; do contrabaixista Mark Egan (ELEMENTS, CHROMA, SOLO) com o inesperado baixo fretted 4 + fretless dobro 8; do contrabaixista Jonas Hellborg (MAHAVISHNU ORCHESTRA, SOLO) com seu fretless + fretted; ou até o brasileiro Zuzo Moussawer (SOLO) com seu fretted, fretless são alguns destes cientistas “loucos”, armados até os dentes com engenhocas poderosas, ferramentas que servem como veículos para uma música sem fronteiras. Realmente nomes como do contrabaixista Michael Manring (MONTREUX, SOLO) e o brasileiro Chico Gomes (SOLO) usam dois baixos ao mesmo tempo, Manring às vezes com três ou quatro baixos... Tais experimentos tomam forma nos laboratórios de empresas anciãs inglesas como Shergold, Rickenbaker, Gibson, Wal chegando as mais modernas Zon, Pedulla e Warwick. Michael Rutherford diz no próprio site da Shergold: “Certa ocasião experimentei uma guitarra Shergold doze cordas em uma loja e gostei muito. Daí perguntei se eles fabricavam contrabaixos. Responderam que sim, então experimentei este que uso até hoje. Um belo som! Ele tem uma espécie de ataque agudo que aprecio, além de um grave quente. Em seguida perguntei: podem me construir um instrumento de dois braços? Eu sempre tive esta idéia de um instrumento intercambiável para me dar espaço durante um show ao vivo para trocar rapidamente. A Shergold apareceu com este modelo batizado de Shergold/Rutherford”. O modelo que Rutherford descreve é na verdade um instrumento destacável onde as partes podem ser montadas e desmontadas à vontade transformando-os em simples guitarras ou baixos de um braço apenas. Os sistemas elétricos são conectados através de parafusos e um plug Cannon. Tais partes elétricas são chamadas de módulos pela empresa. Cinco modelos diferentes estão disponíveis para o cliente escolher. Rutherford optou pelo modulo 4 contendo um controle de volume e tone independente para cada pickup e mais uma saída stereo. “Para mim a melhor coisa de tudo isso não é o fato de ser modular, mas a ótima sonoridade. Claro que todas as peças são fáceis de substituir. Eles possuem um modulo de phasing onde você pode optar por uma saída em fase ou fora de fase”.Michael continua: “eu envio o sinal todo em stereo para mixer Yamaha de oito canais. Tudo vai pra ele, os baixos, o Moog Taurus, as guitarras e violões. Daí para um par de potencias Crown. Depois envio para um sistema de caixas Martin Audio com uma caixa separada para o baixo e o BassPedals que contém dois falantes de 12¨, um horn e um driver. Veja que meu som vai desde um sub grave profundo do Moog Taurus até os agudos do violão doze cordas. As únicas adições são os efeitos como o Roland Space Echo, um Roland Chorus, um pedal fuzz, um flanger MXR, e um equalisador gráfico da MXR”.Realmente um sistema muito simples (!?!). Apenas a Shergold possui este sistema destacável de partes, as demais Gibson, Rickenbaker e outras, os instrumentos de dois braços seguem a estética padrão. Para se ter uma idéia de um Rickenbaker com dois braços basta pensarmos em um baixo tradicional, digamos o modelo 4001 stereo de quatro cordas com uma guitarra de doze cordas da Rick. Junte os dois em um corpo extremamente largo e pesado. Insira dois jacks de saída e pronto! A sonoridade não muda, apenas o designe e a facilidade de dois instrumentos aptos para tocar sem demora durante a troca. Geddy Lee, que o diga! Como principais vantagens neste tipo de instrumento podemos citar a facilidade de trocar os braços quando isto se torna necessário. Geralmente em bandas de rock os baixistas podem optar por tocar uma balada em uma guitarra, ou mesmo um guitarrista que quer trocar constantemente entre a guitarra tradicional e a de doze cordas. Tem-se também a possibilidade de tocar dois instrumentos ao mesmo tempo com a técnica de tapping-two hands como Michael Manring, Stanley Jordan com duas guitarras e Chico Gomes e seus dois baixos de oito cordas. Apesar disto estes instrumentos originais dos anos 70 são raros de se encontrar fora do mundo rock. Algumas empresas atuais estão revivendo estes bons momentos com re-edições ou mesmo com modelos totalmente diferenciados. Pode-se encomendar sem grandes dificuldades, instrumentos de braços duplos (ou mesmo triplos e quádruplos!) com tais empresas e/ou luthiers, porém os modelos tradicionais raros e muito caros apenas são encontrados em lojas de usados no exterior ou na internet. Aqui no Brasil... Bem, vamos mudar de assunto!


CONTRABAIXO FRETLESS (4, 5 , 6, 7 e 8 cordas)


Apesar do fato de que os trastes foram adicionados aos alaúdes e cítaras séculos atrás, o contrabaixo acústico sempre permaneceu fretless. E se não fosse por Leo Fender, o baixo elétrico padrão talvez seria fretless também. O instrumento necessita ser ouvido atentamente para manter-se afinado, e isto em parte explica porque não existiram tantos baixistas de rock (ou mesmo de outros estilos) que seguissem os passos de algumas bandas fusion (especialmente Weather Report, Mahavishnu Orchestra, Brand X e outras) onde o instrumento era tão presente. Fretless é todo instrumento de cordas sem trastes de metal dividindo (ou temperando) a escala nos 12 tons iguais da música ocidental. Portanto, o violino é fretless, a viola é fretless, o violoncelo é fretless e o contrabaixo acústico é fretless (embora a família da Viola da Gamba, um dos ramos diretos da descendência da família do Violino, possui-se trastes. Mas, isto fica pra outra conversa!). além disso podemos ter violão fretless, guitarra fretless, banjo fretless, o que quisermos... bom, quase tudo!  Assumir um contrabaixo (ou instrumento) fretless é assegurar do compromisso com a entonação. Isto porque antes de termos os trastes dividindo a escala no temperamento habitual, são antes os dedos a fazer contato da corda com a escala demarcando, assim, a entonação das notas musicais. O temperamento dos intervalos proposto por J.S.Bach deixou uma brecha neste ponto, pois a série harmônica presente nas cordas dos instrumentos musicais não é 100% apurada, justamente por conta da equação insolúvel “massa x flexibilidade x rigidez x espessura + matéria prima” das próprias cordas! Todos estes fatores interferem no rendimento (sustentação), entonação (afinação), qualidade (timbre) das notas tocadas. Some-se a isto, o fato de que, cada nota digitada multiplica os fatores de desafinação entre os harmônicos reais (presentes na série harmônica da corda solta) contra os novos harmônicos obtidos com a fundamental digitada. Adquirir um fretless é, então, estar pronto para noites e mais noites de desafinação. Pense em um aluno que recém adquiriu um violino... Pronto! O exercício de visualização proposto atingiu seu objetivo, você entendeu o recado. Por outro lado, como o fator de entonação de cada nota digitada está diretamente relacionado com o contato dos dedos contra a corda na escala, basta ajustarmos o dedo para que isto se resolva, correto? Sim e não! Acontece que se a ponte (bridge) do instrumento não estiver totalmente regulada e ajustada em suas oitavas, a altura  (ação) das cordas e angulação em relação ao espelho do braço, não teremos sucesso em tentar tocar de forma afinada. A questão dos harmônicos descrita anteriormente faz com que estas mesmas freqüências agudas que tanto nos auxiliam no timbre final, acabem por estragar nossa festa. Qual  solução? Muito estudo diário condicionando nosso cérebro a trabalhar com  o pacote de memórias: muscular, visual, auditiva e analítica.

Retornando ao histórico básico tem em 1965, o primeiro fretless Bass Aubi da Ampeg é lançado no Mercado tendo poucos adeptos. Já o primeiro baixo fretless da Fender surgiu em 1970, somente no modelo Precison Bass, porém ainda em 1961 Bill Wyman, o baixista que mais tarde faria parte da banda de maior projeção mundial do rock’n roll, Rolling Stones, adquiria seu primeiro contrabaixo real, um instrumento usado fabricado no Japão, e descrito pelo próprio Wyman como desproporcional, desconfortavelmente pesado e de difícil afinação por causa dos trastes mal ajustados e desgastados pelo tempo de uso. Bill, que até então, contentava-se em tocar as linhas de contrabaixo de sua banda de R&B com uma guitarra tendo as duas cordas graves com a afinação alterada para baixo, resolveu dar uma de luthier. Reduziu o tamanho do corpo do baixo, retirou a pintura com lixas, instalou um novo pickup “Baldwin” e: retirou os trastes! Mas esta estratégia era para apenas retrastar o instrumento em seguida contratando um profissional. Até que pudesse providenciar novos trastes Bill Wyman acostumou-se a tocar o baixo desligado, em seu quarto e rapidamente percebeu, em suas palavras: “Even without na amp, it sounds wonderful-it’s got the sound” Bill Wyman tornou-se o primeiro a ter e concretizar a idéia do fretless, usando-o inclusive na gravação de alguns sucessos dos Stones, como Paint It Back do álbum Aftermath/ABKCO de 1966. Outro figuraço importante na história do fretless é Kenny Passarelli que em 1973 gravou o LP Player You Get de Joe Wash usando um Fender fretless em faixas como “The Smoker Your Drink”.   Neste período propoplásmico do contrabaixo fretless apenas o contrabaixo acústico, então usado em orquestras de música erudita, além de bandas de blues, jazz e rockabilly servia com referência auditiva na pesquisa por aquisição de timbres e assinaturas musicais próprias. O som do fretless era muito mais grave, gordo, cheio e sem os melísmas cromáticos assumidos na era pós-Pastorius. Em parte, também, por causa das cordas flatwound (lisas) que abundavam no mercado, e que refletem esta sonoridade mais encorpada e apagada, sem tantos harmônicos proeminentes. Hoje em dia não há problemas em encontrar os melhores baixos fabricados também em versões fretless, tais como Wal, Pedulla, Zon, Ibanez, Yamaha, G&L, Music Man, Tobias, Ken Smith, Condor, Tagima, Giannini, D’Alegria, N.Zagganin, etc, etc, etc
Mas, eis que surge Jaco Pastorius, o mago, o rei, o divisor de águas da história do contrabaixo elétrico mundial. Encurtando a história deste mito (que pode ser conferida em qualquer publicação especializada no instrumento, livros biográficos, transcrições, entrevistas e na internet) Jaco resolveu tirar, ele mesmo, os trastes de seu Fender Jazz Bass 1962, e após preencher os filetes e vãos da escala com resina epoxy nascia o primeiro baixo fretless da era moderna na música popular. Como visto anteriormente,os baixos fretless até aí se resumiam ao Ampeg com sonoridade obscura e os Fenders Precision com um captador no meio do corpo. O timbre destes instrumentos é interessante, mas a pesquisa de Pastorius elevou a temperatura da sonoridade fretless a um extremo. Usando apenas o captador da ponte para um som mais médio-anasalado, favorecendo as freqüências em torno de 1Khz, Pastorius municiou os sonhos de muitos aspirantes a baixista. Fato de nota que neste mesmo período, movido pela sincronicidade da vida, do outro lado do continente existia um sujeito que também estava inquieto com a busca de novas possibilidades timbrísticas. Seu nome é Percy Jones. Um fretlessman por opção que resolveu montar uma das mais fenomenais bandas de fusion de todos os tempos: Brand X. ao lado do baterista Phil Collins (sim, ele mesmo do Genesis e carreira solo), do guitarrista John Goodsall e do sintesista Robin Lumley Jones inseriu gasolina na fusion com timbres e técnicas inusitadas (como o domínio completo de harmônicos e melodias inusitadas), diretamente influenciadas por Charles Mingus, o uso constante de pedais de efeito (principalmente os envelope filters) e um baixo fretless Fender Precision recém adquirido. Juntos eles fundamentaram um novo padrão. De um lado o lirismo de Jaco calcado no R&B e no Jazz e do outro Jones com seu som Prog-Rock europeu.e claro que existiam muitos outros baixistas que adotavam o fretless buscando um espaço, mas estes dois caminhos são os mais seguidos. Como sonoridade opcional às duas anteriores temos Alphonso Johnson e John Giblin com um timbre de fretless extremamente agudo e afiado. Desde então temos incontáveis exemplos de instrumentistas que pesquisam as fontes atingindo objetivos mais distantes. Mark egan é conhecido por usar um fretless com cordas duplas em oitavas, Steve Bailey por sua afinação precisa e montagem de acordes com harmônicos no fretless de 6 cordas, Michael Manring por sua habilidade em mesclar todas as técnicas modernas em um Hyperbass fretless piccolo com afinações alteradas, dispositivos que trocam a afinação do baixo instantaneamente, sustain ifinito e outros apetrechos, Mick Karn por sua sonoridade mutante por conta dos múltiplos e exóticos efeitos analógicos em um fretless feito com raríssimas madeiras de flor de Tulipa... 
Década de  60 até 1975 ERA PRE-PASTORIUS

Baixistas que precederam Pastorius no uso do baixo fretless (nesta época a grande maioria apresentava traços timbrísticos influenciados apenas pelo contrabaixo acústico, ou seja, timbre grave e potente, porém sem o lirismo cantabile da era Pastorius): 
Bill Wyman (Rolling Stones, Buddy Guy& Junior Wells, Howlin Wolf, solo) 
Kenny Passarelli (Elton John, Hall & Oates, Crosby Stills & Nash, Joe Walsh) 
Rick Danko (Bob Dylan, The Band) 
Boz Burrell (Bad Company) com uma sonoridade cheia e redonda influenciado pelo acústico de Ron Carter e Charles Mingus 
Miroslav Vitous (Miles Davis, Stan Getz, Chick Corea, Weather Report, solo) 
1975 até 1985 ERA PASTORIUS
Baixistas que atuaram com fretless na mesma época que Pastorius (alguns partiram para o timbre extremo agudo e com efeitos como Alphonso, Giblin e Jones. Outros buscavam a sonoridade do cello como Jack Bruce e Saunders): 
Jaco Pastorius (Weather Report, Joni Mitchell, Pat Metheny, Flora Purim, Solo) Percy Jones (Brand X, Suzane Vega, Brian Eno, solo) 
John Giblin (Simple Minds, Kate Bush, Peter Gabriel, Phil Collins, Brand X, Jon Anderson) 
Jack Bruce (Cream, solo) 
Fernando Saunders (Jeff Beck, John McLaughlin, Lou Reed, Jan Hammer, solo), Bill Laswell (Material, solo) 
Alphonso Johnson (Weather Report, George Duke, Billy Cobham, Jazz is Dead, Unity, solo)
80/90 

ERA PÓS-PASTORIUS

Baixistas que, mesmo tocando fretless desde a transição entre as décadas de 70 e 80, se influenciaram pela sonoridade e técnica de fretless de Pastorius (timbre anasalado nas freqüências médias, técnica apurada de pizzicato, utilização de diversos dispositivos técnicos): 
Mark Egan (Elements, Chroma, Pat Metheny Group, Gil Evans Orchestra, Sting, Arcadia, solo) 
Patrick O’Hearn (Frank Zappa, Mark Isham, Missing Persons, solo) 
Mick Karn (Japan, Mark Isham, solo) 
Pino Palladino (Paul Young, Phil Collins, Eric Clapton, John McLaughlin, Elton John, Tears for Fears, Pete Towsend, Steve Hackett) 
Doug Lunn (Mark Isham band) 
Alain Caron (Uzeb, solo) 
Steve Bailey (Bass Xtremes, Paquito D’Rivera, Kitaro, Larry Carlton, The Rippingtons, Jethro Tull, solo) 
Michael Manring (Montreux, Michael Hedges, solo) 
Steve diGiorgio (Death, Sadus, Autopsy) o primeiro baixista de heavy metal totalmente fretless 
Bakithi Kumalo (Paul Simon) 
Jeff Ament (Pearl Jam)
Jaco Pastorius (Weather Report), Alphonso Johnson (Weather Report), Michael Manring (Montreux), Pino Palladino (Paul Young), Larry Klein (Joni Mitchell), Mick Karn (Japan), Percy Jones (Brand X), Jon Gibblin (Kate Bush), Doug Lunn (Mark Isham)

      
CONTRABAIXO OITAVADO: 

(Baixola -inspirados nas guitarras de 12- com cordas duplas ou triplas em oitavas justas* 6, 8, 10, 12 e 18 cordas. *A não ser Michael Manring com suas afinações alternativas) 

Tudo começa em meados de 1967, doce época dos hippies, flower power, alucinógenos e da liberação sexual quando a empresa sueca Hangstrom resolve construir um estranho contrabaixo elétrico com cordas duplas, escala curta de 32” e afinação EE AA DD GG. Com a adição de uma corda prima, uma oitava acima de cada corda normal, em uma distância aproximada de 2mm para cada par de cordas, o novo instrumento proporcionava, em um só toque, a nota fundamental acrescida de uma oitava justa acima da mesma. Uma radical alternativa para um mercado recém formado, se levarmos em conta que o primeiro contrabaixo elétrico chegou em 1951. Apesar de não ser a única a fabricar este instrumento, pois a Rickenbacker fez alguns por encomenda, foi a que mais se destacou por ser a pioneira em lançamento e produção em massa. Atraído por uma sonoridade que se assemelha aos violões folk de 12 cordas, ou mesmo das guitarras de 12, violas de 10 cordas (ou mesmo, posteriormente, a Craviola da Giannini criada por Luiz Bonfá), o contrabaixista Noel Redding da Jimi Hendrix Experience adquiriu um Hangstrom 8 e logo em seguida usou-o durante as gravações de “Axis: Bold As Love” com o trio de Hendrix. Passado algum tempo Chuck Rainey e Carol Kaye adicionaram este equipamento em seu arsenal de estúdio. Com o início dos anos 70, interessados por esta nova sonoridade, feras como John Paul Jones (Led Zeppelin), Greg Lake (Emerson Lake & Palmer), Tom Petersson (Cheap Trick) e Sting (na época do The Police) passaram a se apresentar e gravar músicas com este tipo de contrabaixo. Outras empresas confeccionaram por algum tempo baixos de 8 cordas, tais como o Ibanez fretless 8strings de Sting, e os Alembic 8 de Tom Peterson e John Paul Jones. Porém como os instrumentos eram construídos em escala curta (variando entre 30” ou 32”) por causa da forte tensão pelo excesso de cordas, os problemas de entonação e empenamento das madeiras tornaram-se comuns, o que desanimou os profissionais e os consumidores. No caso de Tom Petersson houve um fato curioso em 1977. Como Petersson compunha muitas canções no violão de 12 cordas ele elaborou um novo conceito nos contrabaixos de cordas duplas. Como o Cheap Trick sempre foi um power trio de hard rock com vocais (algo como o precursor do movimento grunge), havia muito espaço para o contrabaixo. Tom Petersson não perdeu tempo. Apresentado ao luthier Jol Dantzig da, então, recém formada Hamer Guitars, pelo parceiro Rick Nielsen (guitarrista do Cheap), encomendou um contrabaixo com 12 cordas! Acontece que o baixo era formado por quatro jogos de cordas triplas, ou seja, cada corda normal possuía mais um par de cordas piccolo afinadas uma oitava justa acima, sendo EEE AAA DDD GGG. Exatamente por causa disso é praticamente impossível manter as trincas de cordas totalmente afinadas entre si, o que conferiria ao timbre final um preenchimento extra de harmônicos por causa do chorus natural. Duas saídas mantinham o instrumento stereo enviando o sinal do pickup da ponte para um amplificador de guitarras, onde Tom poderia saturar e distorcer o som dos agudos, enquanto o sinal do pickup do braço enviava os graves para um amplificador de contrabaixo, para o som limpo e cheio. Tom diz que a sonoridade deste monstro chamado QUAD Bass parecia uma avalanche de contrabaixo somado a duas guitarras tocando em uníssono.


Intrigado em resolver a problemática da escala Tom e o luthier Dantzig construíram em 1980 o Acoustic Look, que como o nome já diz possui um visual aproximado de um violão de 12 cordas. Com três pickup e três saídas independentes o B12A teve como avanço técnico um braço em escala longa de 34”. Hoje Petersson usa um modelo da Chandler com três pickups DeArmond, tarraxas de guitarras para as cordas finas e tarraxas Gotoh GB7 para as de contrabaixo. Cada captador possui uma saída independente com um controle de volume e chave liga-desliga. Doug Pinnick, vocalista e baixista do power trio King’s X, fã incondicional do Cheap Trick assume os baixos de 12 cordas desde 1988 quando o King’s abriu shows do Cheap. Hoje Doug é o principal endorsee da Hamer usando um modelo Chaparral de 12 cordas, escala longa. Já Mark Egan (Chroma, Elements, solo), no início dos anos 80, notou a sonoridade do Ibanez 8 str fretless de Sting e encomendou junto a Pedulla um baixo com as mesmas características. A Pedulla fabrica também o modelo assinado Mark Egan com dois braços podendo ser em qualquer combinação: fretless + fretted, 8str + 4str, fretless 8str + fretless 4str, fretless 8str + fretted 4str, etc. Egan gravou vários discos solo, além do disco So Red the Rose do grupo Arcadia quando da separação do Duran Duran. Porém, estranheza maior viria depois quando em 1981 Petersson encomendou na Modulus Graphite um contrabaixo de 6 cordas triplas, formando um total de 18 cordas! De acordo com Geoff Gould, luthier da Modulus, “o instrumento foi construído em Maple e Padauk com braço em resina grafite contém, ainda, uma massiva ponte com 12 carrinhos individuais e ajustáveis, dois pickups Bartolini Hi-A confeccionados para pedal steel guitar, pois não encontraram captadores de contrabaixo compridos o suficiente, escala curta de 30½” e afinação de guitarra EEE AAA DDD GGG BBB EEE em trincas de oitavas. A GHS teve que montar um set com cordas de contrabaixo 6str, guitarra light e um set de plectrum-banjo especificamente para este instrumento.” Tom Petersson chegou à conclusão de que o instrumento seria inviável para ele tocar, já que na junção braço-corpo a largura da escala chegava aos absurdos 6” (15cm e 2mm) no total! Em 1990 o falecido baixista Allen Woody (Allman Brothers) adquiriu esta peça para sua extensa coleção, usando-o em diversas gravações e gigs. Outra grife de contrabaixo com cordas em pares que causa certo furor no exterior é a marca inglesa Manson. Usado por ninguém menos do que John Paul Jones em seus trabalhos pós Led Zeppelin (Diamanda Galás e seus dois discos solo). Estes instrumentos diferem em configuração, pois seus modelos de 10 e 12 cordas são formados em pares respectivamente em um contrabaixo elétrico de cinco duplas EE AA DD GG CC e outro de seis pares de oitavas BB EE AA DD GG CC. Todos os modelos vêm equipados com dois captadores e circuitos ativos da marca EMG, além de saídas independentes para cada pickup. A ponte é da marca Schaller e um sistema Sims LEDs aciona pequenas lâmpadas nas marcações das casas sempre que uma corda for pressionada. JPJ gravou seus dois Cd solo com estes baixos.
As principais características que beneficiam o usuário de um contrabaixo deste tipo são:
·        Fundamental reforçada seguida de oitavas com brilho e consistência.
·        Maior versatilidade em trios, pois os timbres são mais cheios de harmônicos.
·        Dobras automáticas de baixo + guitarra(s), pois os dois (três) sons são simultâneos.
·        Diferentes possibilidades timbrísticas dos demais músicos do mercado, o que pode auxiliar na busca de uma assinatura musical.
Hoje em dia pode-se encontrar no mercado os seguintes modelos de contrabaixos com cordas duplas ou triplas:
Acacia 8 Strings Octave, 
Dean Rhapsody 8, Rhapsody 12, 
Fernandes Gravity 8, APB8, 
Hamer Chaparral 8str, Chaparral 12str, 
Manson Zooma 8, Zooma 10, Zooma 12, 
Pedulla MVP8 OctaBuzz, T8 ThunderBass, T8 ThunderBuzz, ME4F+8 doubleneck, 
Tune Inovation Series 8, 
Washburn XB928MFS, 
Zon Sonus VIII, Sonus X, Sonus XII


Em relação aos encordoamentos note que há a possibilidade de misturar cordas normais, como, por exemplo, as light .040¨, com cordas piccolo (extra finas) de .018¨. Veja abaixo os principais fabricantes e modelos, com as especificações em milésimos de polegada, encontrados no mercado mundial:

D’ADDARIO
XL280 Piccolo                      .020, .032, .042, .052 
XL860 8strings Regular          .045, / .100 set + .018, .028, .040, .050
GHS
Boomers P3045 Piccolo           .018, .030, .040, .050 
Boomers 8LS-DYB 8 str        .040, / .090 set + .018, .025, .035, .045 
Boomers 8MS-DYB 8 str        .045, / .105 set + .018, .025, .035, .045
KEN SMITH 
BBP Piccolo                         .020, .030, .040, .050 
BBCP Custom Piccolo           .018, .025, .035, .045
LaBELLA 
M10 Piccolo                          .012, .016, .022, .030 
M20 Piccolo                          .030, .045, .065, .080 
M48 8 strings                        .045, / .100 set + .018, .028, .040, .050



John Paul Jones (Led Zeppelin), Sting (The Police), Tom Petersson (Cheap Trick), Doug Pinnick (King X), Allen Wood (Allman Brothers), Noel Redding (Jimi Hendrix), Mark Egan (Elements), Chris Squire (Yes)


CONTRABAIXO ELETROACÚSTICO:  (Baixolão)

Com a febre da MTV Americana, muitos artistas aderiram ao modelo unplugged durante a década de 90. Porém algumas considerações devem ser feitas e observadas antes de analisarmos os instrumentos propriamente ditos. O formato Unplugged MTV possui 50% de acústico e 50% amplificado. Isto porquê todos os instrumentos e vozes passam por equipamentos de amplificação e tratamento sonoro antes de ir ao público. Este fato se repete enormemente nos shows ao vivo com esta proposta. As bandas de pop e rock utilizam violões, no lugar das guitarras, contrabaixos acústicos e baixolões, no lugar do baixo elétrico, pianos acústicos e órgãos Hammond, sendo este um aparelho eletrônico, ao invés de sintetizadores, complementando com vozes, percussões, bateria e sopros, que por origem já são acústicos. No caso específico do contrabaixo eletroacústicos, também chamado de baixolão ou violaxo, há uma mescla do instrumento grave vindo da família dos violões folk agregado a captadores piezelétricos e/ou magnéticos. Com corpos e braços enormes este instrumento perfaz uma interessante ponte timbrística, tornando-se uma opção diferenciada, mas não totalmente acústica. Apesar de seu bojo de grandes proporções ser um excelente veículo para produção e expansão sonora, por diversas razões construcionais, a sonoridade obtida em 90% destes baixos não é suficientemente satisfatória para ser ouvida com o baixo desligado do amplificador. Com isto em mente podemos seguir em frente. Então...

História

O primeiro contrabaixo eletroacústico moderno foi desenvolvido por volta da década de 70 por Ernie Ball de San Luis Obispo, Califórnia. A intenção de Ernie Ball era proporcionar aos baixistas um instrumento com uma sonoridade mais acústica que casasse melhor com a sonoridade dos violões.  Sobre esta invenção a Ball diz:

“Eu sempre pensei que, se existem contrabaixos elétricos para ir junto com as guitarras, então seria conveniente ter contrabaixos acústicos para se trabalhar com os violões. A coisa mais próxima de um contrabaixo acústico portátil era o Guitarrón mexicano, comumente vistos em bandas mariachi. Assim, adquiri um em Tijuana e comecei a mexer nele. Instalei trastes e tarraxas, mas nunca consegui ajusta-lo corretamente.” Em colaboração com George Fullerton, um empregado da Fender, Ball desenvolveu o Earthwood acoustic bass guitar, que foi produzido em 1972. Porém, o instrumento saiu de linha precocemente, em 1974, sendo reassumido posteriormente sob a direção de Dan Norton, empregado de Ernie Ball, até a produção cessar definitivamente em 1985.a própria empresa Ernie Ball descreve o designe do baixo como “uma idéia antes de seu tempo”, vingando apenas na segunda metade da década de 80 com os programas Unplugged MTV. Diferentemente dos outros contrabaixos, que geralmente são construídos em corpos com madeira sólida, o contrabaixo eletroacústico possui um corpo escavado (embora com a área da caixa de ressonância bem maior), igualmente aos violões folk. Pode-se encontrar modelos com traste ou fretless (com ou sem marcações nos lugares dos trastes) em qualquer configuração de cordas: 4, 5, 6, 7, cordas duplas ou triplas (8, 10, 12), braços duplos (4 + 8, 4 + fretless, etc), ou mesmo custom made como a configuração semi-fretless e escalas entre 30” e 36”. Embora estas modalidades mais complexas sejam mais raramente encontradas, pois o corpo deste tipo de instrumento não reproduza com facilidade as freqüências muito graves. Em parte por causa do tamanho do corpo que precisaria ser maior para ressonar estas freqüências com volume aceitável. Uma solução encontrada foi à instalação de captadores piezelétricos e/ou magnéticos junto com preamp ativo. A afinação é padrão, sendo os modelos com quatro cordas E A D G. Uma variação interessante é o ResoBass, que possui uma placa (parecida com uma frigideira) presa ao bocal para ressonar com um timbre metálico. Algumas vezes usado em bandas folk, blues e bluegrass.
Fabricantes Alvarez, Breedlove, Earthwood, Eston, Carvin, Curbow, Epiphone, Gibson, Guild, Gretsch, Hohner, Ibanez, JB Player, Larkin, Linc Luthier, Martin, Maton, MTD, Ovation, Prestige, Rick Turner, Samick, Sigma, Stoll, Tacoma, Taylor, Tune, Vantage, Warwick, Washburn, Wechter, além dos brasileiros Cast, Condor, Crafter, Golden, Giannini e Rozini.
Incontáveis contrabaixistas famosos nacionais e principalmente internacionais usaram em algum momento de suas carreiras estes instrumentos em shows acústicos ou no programa Unplugged, já citado, tais como Jeff Amment (Pearl Jam), Gene Simmons (Kiss), Chris Squire (Yes), Jimmy Haslip (YelowJacketts) e muitos, muitos outros. Contudo, apenas um destes aderiu de forma clara e inegável ao baixolão. Jonas Hellborg (John Mclaughlin, Mahavishnu Orchestra, Public Image, Ginger baker, solo) usa um instrumento construído pela Wechter desde 1988. Hellborg usa um modelo de braço duplo sendo um fretless e outro com trastes, encordomentos DR Hi-Beams .030”, .050”, .080”, .095”. 
Jonas Hellborg (John MacLaughlin, Mahavishnu Orchestra, Public Image, Ginger Baker, solo)

OUTROS CONTRABAIXOS ACÚSTICOS COM FORMATO DE VIOLÃO
Contrabaixos acústicos Mexicanos

A música tradicinal do México apresenta diversas variedades de acoustic bass guitars. Podemos citar o Baja Sexto, com seis pares de cordas instalados em um instrumento parecido com o violão de 12 cordas, mas afinado uma oitava abaixo. As pesadas e grossas cordas, que são pinçadas com plectro, geram uma enorme tensão, ainda que o instrumento tenha uma construção leve. O Baja Sexto começou a ser tocado nos anos 20 com o surgimento do estilo Tex-Mex, sendo usado até hoje substituindo as harmonias que seriam normalmente de um piano. Uma variação é chamada de Bajo Sexto. Segue um exemplo da afinação destes dois instrumentos (as letras maiores representam as cordas graves , enquanto as menores representam as oitavas. Note que no Bajo Sexto existem três pares de cordas em uníssono na oitava superior.):
BAJA SEXTO - EE AA DD GG CC FF
BAJO SEXTO - EE AA DD GG BB EE
O Guitarrón (literalmente “guitarra grande” em espanhol, o sufixo “ón” denota volumoso) ou Chitarrone é um instrumento com enorme e profundo corpo, composto por seis grossas cordas em um curto braço fretless, com ação extremamente alta (altura das cordas em relação ao espelho do braço), o que requer muita força e destreza da mão esquerda. Possui sonoridade notadamente audível por causa do tamanho do corpo, por isso não requer amplificação. As cordas são fortemente beliscadas em duas oitavas, facilitadas pela inusitada afinação A D G C A. São usados nas bandas mariachi mexicanas. Embora seja similar ao violão ele não é um instrumento derivativo desta família, pois foi desenvolvido independentemente no século dezesseis descendente dos Bajo de la Una (contrabaixos acústicos Espanhóis)

Bordonua 
O baixo Bordonua (Bordonúa), nativo de Porto Rico, possui um enorme e profundo corpo (15,3cm de espessura). São feitos artesanalmente com diferentes designes e tamanhos. O Bordonua original evoluiu de um contrabaixo acústico espanhol do século dezesseis chamado Bajo de la Una. Existiram, também, Bordonuas melódicas especiais que foram usados durantes as décadas de 20 e 30 para acompanhamento de melodias (algo como um contraponto) ao invés do papel tradicional do baixo. Estas, hoje extintas, eram estranhamente afinadas como um instrumento típico ancião chamado Tiple. Todas as Bordounas usadas na atualidade perfazem primariamente o papel do contrabaixo na música folclórica. Os tipos mais comuns encontrados na Ilha são:
6-String Bordonua - Esta Bordonua possui 6 cordas simples.
8-String Bordonua - Esta Bordonua possui 4 pares de cordas.
10-String Bordonua - Esta Bordonua possui 5 pares de cordas. (sendo o mais comum)
Baby Bordonua ou Bordonúa Chiquita 
Aparentemente uma Bordonua muito pequena também existente e, algumas regiões da ilha. Descendente da família dos violões espanhóis, em contraste com o Cuatro, que descende da família da Bandurria.
Afinações Bordonua
Bordonúa (6 string) 
D A E E B F# 
Bordonúa (8 string) 
AA DD F#F# BB 
Bordonúa (10 string)
AA DD F#F# BB EE